Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Imprensa Cristã: de Paulo a Kardec

maio/2011

A Acta Divina, boletim oficial do governo romano, à época de Júlio César, que remonta ao ano de 60 a. C., marcou para o mundo ocidental o início da imprensa comum.

A Acta transmitia notícias, informava, com o objetivo de conscientizar o povo das medidas adotadas pelo poder, estando perfeitamente dentro do conceito de imprensa: “a instituição da publicidade”, diferentemente dos papiros que, como antigos manuscritos, documentavam os fatos civis e religiosos e eram guardados à distância do conhecimento popular, sem a inclinação de veicular.

Mas a imprensa cristã começaria com o apóstolo Paulo.

Escreveria quatorze epístolas, além das centenas de palestras, por mais de três décadas.

Pedro, João, Tiago e Judas (irmão de Tiago) lhe copiariam o exemplo, com outras cartas às comunidades do Cristianismo nascente. Lucas, sob influência, escreveria um dos evangelhos e os Atos dos Apóstolos.

O papa João XXIII afirmou que Paulo, se vivo fosse, seria jornalista. Nós diríamos mais: jornalista espírita, porque na Doutrina Espírita ele encontraria ambiente para aclimatar a força de seu caráter e dar vazão ao seu estupendo poder de lógica.

Por quase quinze séculos, a Humanidade não registrou progresso digno de menção na arte de multiplicar a informação, a exceção do sistema xilográfico dos holandeses que, trabalhando com os tipos fixos de madeira proporcionava alguma vantagem sobre a reprodução manual de textos.

Chegado o momento, outro missionário do Cristo nasceria em Mainz, na Alemanha, em 1400, com o nome de Johan Gutenberg para revolucionar a técnica de impressão que possibilitaria avanços sem precedentes, ampliando os portais da cultura e da ciência. Surgia, assim, a Idade Moderna e com ela a Renascença, período que se caracterizou pela busca incessante do pensamento libertador, rompendo com o jugo obscuro da Idade Média e descortinando luminoso porvir.

Com a invenção da tipografia, em Mogúncia, surgia historicamente a Imprensa Moderna.

Sem Gutenberg, o livro espírita pertenceria apenas ao bem amoedado e as longas fileiras de necessitados, órfãs de esperança, continuariam à deriva do Consolador, quais mendigos de luz.

A fidelidade e o bom senso do Apóstolo dos Gentios, como herança sublime, na cremalheira do tempo, encontrariam abrigo no laboratório do Espírito, onde Kardec daria completo cumprimento à sagrada missão que lhe coubera por outorga do Senhor para “ensinar todas as coisas” e fazer lembrar os seus ensinamentos.

O sucesso de “O Livro dos Espíritos”, lançado em 18 de abril de 1857, despertaria o acurado pendor jornalístico do “Operário da Razão”, e na casa do Sr. Dufaux, a 15 de novembro desse ano (mesma data do I Congresso que ocorreria oitenta e dois anos depois), Alan Kardec receberia dos Espíritos superiores determinação e instruções para fazer circular a Revista Espírita. A 1º de janeiro de 1858, surgia em Paris o seu primeiro número.

Enviados do Céu, foram três personalidades ímpares que em locais, épocas e condições diferentes construíram as bases inamovíveis do edifício em que se instalaria o monumental condomínio da fé e do raciocínio.

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