Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Imortalidade

novembro/2012

Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir, tempo de prantear, e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. (Eclesiastes, 3:1-8.)

A imortalidade da alma é uma realidade incontestável.

O homem, inclusive o materialista, tem e sempre teve dela a intuição.

É que tendo sido criado por Deus, ou tendo d’Ele saído, contém em si mesmo o germe da vida futura.

Os gregos, mesmo os anteriores a Sócrates e Platão criam que a alma sobrevivia à morte. Pitágoras, famoso matemático que viveu no século VI a. C., já divulgava que a alma era imortal e estava sujeita ao ciclo de renascimentos.

Na antiga Pérsia, no século VII a. C. Zoroastro também falava da imortalidade através de uma forma de adoração que ficou conhecida como Zoroastrismo. As escrituras zoroastrianas afirmam que, na imortalidade, a alma do justo estará sempre em alegria, mas a do mentiroso estará certamente em tormento. Entretanto, a ideia da alma imortal já fazia parte da religião persa antes mesmo de Zoroastro.

Também para os egípcios era fundamental a crença na imortalidade. Acreditavam que a alma após a morte seria julgada por Osíris, o deus principal do mundo do Além.

As religiões da Índia – Vedismo, Bramanismo, Hinduísmo, Jainísmo e Budismo – afirmavam a crença na imortalidade.

A imortalidade da alma e a vida após a morte é também no judaísmo um de seus princípios fundamentais.  Ensina que se acreditamos na Justiça Divina, consequentemente cremos também na imortalidade da alma.

De que maneira poderíamos conciliar o fato de tantas pessoas justas sofrerem nesta vida?

O Alcorão ensina que o homem tem uma alma e que essa continua viva após a morte. Seu destino futuro depende do que fez enquanto habitou o corpo físico.

Jesus, na sua caminhada pela Terra, apresentou-nos a vida futura. Ao falar das bem-aventuranças e as recompensas prometidas ao servo fiel, colocou todos os homens num mesmo nível de salvação e eternidade.

Allan Kardec, em todas as suas obras, nada mais faz do que nos mostrar as influências que os nossos atos presentes terão em nossa vida futura.

Apesar da imortalidade estar gravada nos refolhos de nossa alma, Espíritos imortais que somos, a grande maioria de nós deixa-se arrastar, hodiernamente, pelos estímulos sociais e culturais vigentes, que induzem à luxúria e sensualidade, ao poder desenfreado, ao apego à materialidade, sufocando o despertamento para a vida real do Espírito.

Em sua busca pela ascensão, esquece o homem que a matéria é fugaz, interiorizando uma visão equivocada da vida, esquecido que a edificação deve ser interior, espiritual, para que o futuro nos encontre despertos para as reais necessidades.

É compreensível que, para viver-se no mundo, sejam utilizados os mecanismos que lhe dizem respeito. Viver, porém, no mundo e não exclusivamente para o mundo. Fruir as benesses da organização material, tendo-se em vista o futuro inevitável que todos alcançarão, despertos ou adormecidos no engodo da transitoriedade das coisas. (…) Jesus de Nazaré jamais desprezou ou subestimou as dádivas relevantes do abençoado planeta, nunca se recusando à convivência social, religiosa, humana…*

Na atual fase de transição planetária, quando o homem desperta para o amanhecer de uma Nova Era, é impreterível lembrar que a libertação do mundo torna-se improrrogável, embora ser livre ou escravo da materialidade seja escolha de cada um. As aflições são resultado do apego às ilusões e fantasias criadas pelas ilusões humanas no decorrer de sua existência terrena. Cabe a cada um acordar para os valores reais da existência, o respeito a si mesmo e ao próximo, o cumprimento dos deveres grafados no íntimo.

A matéria é impermanente. Tudo na vida física se altera constantemente, do nascimento até a morte. O corpo dissolve-se e transforma-se diversas vezes durante a vida, assim como todo ser vivo. No entanto, continuamos a ser a mesma pessoa. Isto nos remete à reflexão sobre o permanente, ou seja, a vida real do Espírito, eterna, plena, dimensionando a importância de cada fato.

Tudo no Universo, portanto, atende às leis de harmonia que o geraram, prosseguindo no cosmo individual de cada ser, apontando-lhe a diretriz de segurança para alcançar a realização a que está destinado.

(…) Espiritualmente considerada a reencarnação, a sua meta é o reencontro com a Realidade, e o meio para consegui-la, é a busca que pode proporcionar o êxito no grande desafio.*

A consciência da imortalidade constitui o único fim da existência terrestre para atingir a harmonia e a saúde integral.

Herdeiro de Deus e de todo o Seu amor, o Espírito traz, ínsitos, os valores divinos, que lhe cumpre fazer germinar e desenvolver a potencialidade adormecida, assim candidatando-se à grandeza estelar.

Toda e qualquer aglutinação de moléculas que se encontram sob a força de atração experimenta mudanças, desarticulando-se em face de impositivos mais poderosos, assumindo outras expressões na forma.

A impermanência é inevitável ocorrência em todas as organizações e estruturas que existem no Universo.

Permanentes são o Espírito e a sua especial constituição energética, porquanto, criado por Deus, a Eterna Causalidade, avança, sem cessar, na direção da fatalidade para a qual se encontra destinado.*

*Divaldo Pereira Franco/Carlos Torres Pastorino/
mpermanência e Imortalidade, ed. FEB.

Assine a versão impressa
Leia também