Jornal Mundo Espírita

Julho de 2020 Número 1632 Ano 88

I Encontro Estadual da Unificação e Expansão do Movimento Espírita

junho/2020 - Por Marco Antônio Negrão

Como noticiado na edição de março1, nos dias 25 e 26 de janeiro de 2020, o Departamento de Unificação e Expansão do Movimento Espírita da Federação Espírita do Paraná – FEP recebeu mais de 150 trabalhadores que participaram do I Encontro Estadual da Área, coordenado por Jorge Godinho Barreto Nery, presidente da Federação Espírita Brasileira – FEB e por André Henrique Siqueira, coordenador nacional da Área de Comunicação Social Espírita.

Neste espaço, desejamos salientar algumas reflexões e conclusões desse Encontro, de suma importância para o Movimento Espírita Estadual.

André Siqueira trabalhou exaustivamente a mensagem Unificação paulatina, união imediata, trabalho incessante2 do Espírito Bezerra de Menezes.

Iniciou a análise, com uma pergunta provocativa:

Qual o motivo pelo qual Bezerra de Menezes ditou-nos a mensagem?

Isso propiciou a que se fizesse uma pequena viagem ao Movimento Espírita Brasileiro nos anos 70, quando essa era a temática: Unificação e União dos Espíritas.

Até então, haviam sido tomadas algumas medidas para que se desse a Unificação mas, sempre decisões de cima para baixo, ou seja, o modelo conceitual era hierárquico. Essa estruturação causava resistência, dificultando a União e a Unificação do Movimento Espírita.

Na sessão pública de 1975, pela mediunidade de Divaldo Pereira Franco, Bezerra ressalta que a União entre os espíritas precisa ser imediata. Inicia a mensagem:

Quando as claridades de um novo dia em luz nos anunciam os chegados tempos do Senhor; quando uma era de paz prepara a nova humanidade, neste momento dominada pela angústia e batida pela desesperação, façamos a viagem de volta para dentro de nós.

No instante em que os valores externos perdem a sua significação impulsionando-nos a buscar Deus no coração, somos, através de nossos irmãos, convidados à responsabilidade de amar, de servir e de passar…

O coordenador abriu uma perspectiva de análise, mostrando que a visão de um Espírito dessa envergadura, quando se refere aos dias atuais, não é necessariamente hoje e, sim, um período de tempo. Esse lapso de tempo está demarcado no final do século XIX até os nossos dias, quando o homem pensou ter todas as respostas dadas pela ciência conhecida na época e suas inquietações filosóficas. Logo após, a humanidade se deparou com os conflitos mundiais e o questionamento de que a ciência não conseguia explicar tudo. Buscando respostas, as encontrará na figura de Jesus que é a Boa Nova, o Evangelho.

Tais reflexões permitiram plena consciência de que o trabalho da Unificação, antes de mais nada precisa de União. Como podemos constituir a unidade de propósitos (Unificação) sem estarmos unidos? Podemos e temos divergências mas nunca deveremos ter dissenções.

A Unificação deve ser vista como a construção de uma casa, que se inicia pelos alicerces e não pelo telhado.

Vários questionamentos foram propostos aos participantes, divididos em grupos:

Estamos prontos, individual e institucionalmente para a tarefa?

Estamos prontos e dispostos para transformar a mensagem num projeto de União e Unificação ?

De que maneira podemos contribuir para isso com nossas atitudes individuais e institucionais ?

Como podemos aplicar esta mensagem em nossas atitudes?

As dinâmicas de grupos foram variadas, propondo situações complexas para a construção de equacionamentos a problemas. Interessante foi a troca de um elemento de um grupo para outro, após cada tarefa realizada.

Observadores atentos avaliavam como o grupo que perdia um membro se rearranjava e como recebia o novo elemento. Tudo pressionado pelo tempo sempre curto.

Isso demonstrou, sobremodo, as dificuldades que temos para levar ideias, propostas, reflexões e soluções aos grupos. A constatação evidenciada é que isso é muito próximo do que enfrentamos quando tentamos construir o conceito de Unificação nos diversos níveis do Movimento Espírita.

A etapa final do Encontro foi dedicada à análise do comportamento dos grupos e algumas constatações foram significativas:

Grupos se apressaram para executar as tarefas, sem muito planejamento;

Muitos ofereceram sugestões para a solução do problema, mas poucos se colocaram à disposição para pô-las em prática;

Conflitos de ideias dificultaram o entendimento, com defesa de pontos de vista pessoais, mesmo que isso implicasse em não conseguir a realização da tarefa proposta.

Essas ocorrências nos dizem que ainda temos visões compartimentadas que nos impedem a visão do todo. Muitas vezes, o problema se avoluma pois fazemos intervenções com palavras menos adequadas, interpretadas como críticas destrutivas, que desestimulam ou afastam do foco para a solução da dificuldade.

Finalmente, André ofereceu uma técnica de reflexão de maneira colaborativa, usando as frases:

  • Gostei de…. quando se deseja valorizar parte da ideia proposta.
  • Gostaria de…. quando se deseja sugerir uma mudança.
  • E se… quando se deseja expressar discordância.

A avaliação final do Encontro foi bastante positiva.

 

Referências:

1 SOUZA, Jaqueline. I Encontro da Unificação e Expansão do Movimento Espírita. Jornal Mundo Espírita. Curitiba, p. 3, mar. 2020.

2 Op. cit. p. 15. Mensagem psicofônica de Divaldo Pereira Franco, na noite de 20.4.1975, na FEB, em Brasília, DF.

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