Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Hora de edificar no coração os postulados do Espiritismo

setembro/2015

Tanto a pessoa como as realizações e obras de Allan Kardec não passaram despercebidas dos críticos de plantão, dos caluniadores, dos maledicentes, das tentativas de infelicitações, de dissidências.

Ele se sobrepôs às calúnias e maledicências de toda sorte e prosseguiu em sua missão de oportunizar à Humanidade a Doutrina Espírita, o Consolador prometido por Jesus, pois sabia que ao Espiritismo competia a tarefa indeclinável de espalhar nova luz sobre a Humanidade inquieta e atormentada.

Doutrina[1] apoiada em fatos amplamente comprovados, dispõe da instrumentalidade, da lógica e da razão para discutir e esclarecer.

Fundamentada no Evangelho sublimado do Galileu Excelso, pode acender a fé nos corações e mentes enregelados, e acenar ao homem a esperança de paz nas linhas seguras do equilíbrio.

Doutrina de liberdade, enseja conceitos inteiramente novos de conduta, convocando os Espíritos à ação correta e digna, que tem escasseado em múltiplos departamentos da sociedade.

O Movimento, que teve seu nascimento na França, para divulgação do Espiritismo, encontrou terra fértil no Brasil. Aqui cresceu e multiplicou-se.

Hoje, são milhares de Centros Espíritas em nosso território.

Aqui ganhou considerável envergadura e irradiou-se ainda mais para o mundo, graças a trabalhadores da escrita, da mediunidade e da oratória, como Francisco Cândido Xavier, Yvonne do Amaral Pereira, Divaldo Pereira Franco, Raul Teixeira e outros. Também a instituições como a Federação Espírita Brasileira, o Conselho Espírita Internacional e as Federativas Estaduais.

Diz-nos Vianna de Carvalho1: Aos espíritas cabe, no momento, o honroso mister de edificar no imo os postulados do Espiritismo, como vanguardeiros de um mundo estável, pródromo de um mundo feliz.

Há uma caminhada externa, cuja grandeza dessa edificação e a segurança da marcha contínua, rumo ao progresso, exige atenção e cuidados, para que as realizações não sofram solução de continuidade.

Mas a grande e silenciosa revolução é interna, íntima, pessoal.

A semente viaja para fora, à procura da luz do Sol. Viajamos para dentro de nós próprios, ao encontro da Luz Divina.

Os propósitos divinos, registrados em nossa consciência, permanecem em germe no processo da evolução, até cada momento propício quando assume forma/expressão na consciência atual.

As leis que Deus implantou na tua intimidade consciencial ali estão como guardiães da tua vida, aguardando a ação da vontade amadurecida para identificá-las, entendê-las, admiti-las, esforçando-se para respeitá-las e obedecê-las.[2]

No mesmo sentido, indicou Jesus: O reino de Deus está dentro de vós. (Lc 17:21)

Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral. O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro; os princípios da Doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se conservam inertes. Em suma: é tocado no coração, pelo que inabalável se lhe torna a fé. Com essa segurança, tratou o Codificador dos espíritas verdadeiros, no capítulo XVII, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, ao estudar as características de Os bons espíritas.

O estudo sério, a reflexão madura e o esforço vivencial dos ensinos espíritas promovem conhecimento e experiência, cujo entendimento e compreensão, levam a novo comportamento, que guarda em si nova maneira de pensar, de sentir e de agir. Eis aí a reforma das regras de bem proceder se instalando.

Doutrina Espírita quer dizer Doutrina do Cristo.

E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os mundos.

Nossa existência precisa ter sentido, significado e finalidade, estando em consonância com o telefinalismo divino, que é a nossa perfeição, felicidade e paz.

Essa jornada iluminativa tem seu mapa nas lições no Espiritismo.

Lemos, em O livro dos Espíritos ( item 919): Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

“Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”

Tal lição reafirma que a autoiluminação não se trata de uma jornada pelas estradas do mundo, mas sim pelas estradas d’alma.

Façamos, pois, sem mais demora, nossa viagem interior, rumo ao continente do eu, para alcançarmos o porto seguro e definitivo da autoiluminação, em nosso derradeiro reencontro com Deus, uma vez que Ele sempre esteve em nós (na consciência), centelha divina que somos, faltando apenas que nós nos reintegremos a Ele, em algum lugar no futuro, plenos de paz e felicidade.



[1] FRANCO, Divaldo Pereira. À luz do Espiritismo. Pelo Espírito Vianna de Carvalho.  Salvador: LEAL, 2001. cap. 13.

[2]TEIXEIRA, José Raul. Em nome de Deus. Pelo Espírito José Lopes Neto. Niterói: Fráter, 2007. cap. As leis de Deus vibram em ti.

 

Assine a versão impressa
Leia também