Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87
Momento Espírita Envie para um amigo Imprimir

Homenagem ao imperador

junho/2011

Por ocasião de uma viagem ao Estado do Paraná, D. Pedro II foi hospedado em Ponta Grossa, por um fazendeiro rude, mas trabalhador e leal.

Sem maiores cerimônias, ofereceu um almoço ao Monarca, e disse-lhe:

Senhor Imperador! Eu podia ter feito mais alguma coisa. Podia ter matado mais uma vitela, mais um peru. Mas preferi assinalar de outro modo a vossa passagem por esta terra, e a honra de vir a esta sua casa: libertei todos os meus escravos, cerca de setenta, e peço a Vossa Majestade o favor de lhes entregar as cartas de liberdade!

Ao voltar à corte, o soberano recebeu, do Ministro do Império, os decretos que identificavam as pessoas que o haviam homenageado durante sua excursão. Notou que, para aquele fazendeiro paranaense, havia sido guardado o título da Ordem da Rosa.

Isto é pouco para esse homem, declarou o Imperador. Faça-o Barão!

Mas, Majestade, – questionou o Ministro, – ele é quase um analfabeto.

Pedro II fitou-o determinado e respondeu:

Não será o primeiro! Esse fazendeiro é um homem muito digno e tem este merecimento. Mande-me o decreto fazendo-o Barão dos Campos Gerais.

*   *   *

A História do Brasil nos traz esta passagem, que revela aos homens a melhor maneira de se homenagear seu Criador, seu Soberano: fazer o bem.

Deus não deseja homenagens vistosas, não deseja cerimoniais luxuosos, sacrifícios humanos.

A forma mais bela de reconhecer sua grandeza, de mostrar como somos gratos por tudo que somos, por tudo que temos, está no amor a suas criaturas, seus filhos.

O fazendeiro da história libertou seus escravos. Nós podemos, quem sabe, dar liberdade a quem amamos, procurando erradicar de nossas vidas o ciúme desequilibrado.

Ou doarmo-nos um pouco mais a quem precisa, concedendo alguns instantes de atenção a quem está ao nosso redor, procurando ouvir mais, procurando guardar um tempo em nossos dias atribulados para perguntar Como vai você? e esperar pela resposta, realmente desejando saber como vai aquela outra vida, aquele próximo.

Não há homenagem mais bela a Deus do que praticar a lei maior do Universo, a Lei de Amor.

Amando a criatura estaremos amando seu Criador.

*   *   *

Admirar, sentir, respeitar a Natureza é uma das formas de louvar a Deus.

Procuremos, nos instantes do dia, quando nossos pulmões encontrarem os ares da manhã, fazer uma prece, agradecendo pela vida, por mais um dia, pelo espetáculo belíssimo das obras de Deus a inspirarem nossos corações, concedendo-nos a certeza plena de que estamos protegidos, e de que fazemos parte de um Universo perfeito.

Redação do Momento Espírita, com base no livro Chico Xavier,
D. Pedro II e o Brasil, de Walter José Faé, ed. Cor.

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