Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

História inigualável

dezembro/2013

Desde há muito tempo, as profecias e as tradições falavam da vinda do Messias.

Lê-se em Miquéias (5:2): Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá aquele que há de reinar em Israel e cuja geração é desde o princípio, desde os dias da eternidade.

A cidade de Belém se faria o marco inicial da Luz Renascida.

Sem melhores acomodações, um coração generoso cedeu pequena gruta para o casal de viajantes poder descansar e pernoitar.

E teve início o Natal, o nascimento de Jesus, História Inigualável da Humanidade.

*

Num singelo local Ele nasceu.

Em nossos corações, terá Ele um pequeno espaço que seja, para resplandecer Sua luz, demarcando Seu nascimento em nossa intimidade?

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Seus pais – Maria e José – foram zelosos desde o primeiro momento, cientes de suas responsabilidades, pois conheciam os textos de Isaías (7:14) que recitavam: …conceberá e dará a luz um filho e será o seu nome Emanuel, cujo nome significa: Conosco está Deus.

Nós, enquanto pais, estaremos cientes de nossas responsabilidades para com nossos filhos, zelando, protegendo, cuidando, auxiliando-os para que cumpram suas missões na Terra?

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Narram as tradições que angelical música se fazia ouvir, misturando-se com a brisa da noite, pelos campos afora, de tal modo audível que entendiam o cântico: Glória a Deus no Céu e paz na terra aos homens de boa vontade, o que fez com que alguns pastores fossem em busca do que estava provocando aquele fenômeno. E chegaram à gruta que, naquele momento da História, se fazia local de elo divino entre o Céu e a Terra.

Nunca cessou o cântico-chamado convidando-nos a conhecer e a seguir Aquele que é o Caminho da Verdadeira Vida, no entanto, preciso se faz meditarmos: temos tido ouvidos de ouvir para percebermos, sentirmos, desejarmos e nos colocarmos, decididos, na estrada de redenção pessoal, ao encontro da Fonte Sublime de onde irradia o chamado aos Homens?

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Aprendemos que, nessa noite memorável, uma especial estrela iluminava os Céus, encantando, pelo seu brilho e beleza, quem a visse.

Por certo essa estrela não mais se apagou, exceto para aqueles que não tenham olhos de ver, se as coisas dos Céus não lhe interessam ainda. E nós, já teremos conseguido ver tal estrela-guia? Ou estamos tão ocupados com as coisas da Terra que sequer temos tempo para olhar as belezas da natureza, da vida? Afinal, por que estamos na Terra? Para onde iremos logo mais, quando rumarmos em direção ao Mundo Maior? Será o fim ou um grande recomeço? Por que ficar sem tais respostas? Elas existem!

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Nessa História Inigualável, encontramos corações que aguardavam esse grande momento e, certos de que Ele chegaria, não titubearam e saíram, em longa caminhada, pelos desertos da vida, a fim de se encontrarem com o Messias.

Foi o que fizeram os magos, de reinos distantes e distintos. Enfrentaram as mais diversas dificuldades e agruras de uma viagem para lugar ainda não sabido.

Persistiram e, de olhos atentos no horizonte e no futuro, venceram as etapas de cada dia, até que, finalmente, se viram diante do recém-nascido, nimbado de luz. Renderam-se, genuflexos, em gesto de humildade, diante da grandeza que se fazia humilde: o Filho do Altíssimo.

No nosso caso, sabemos que Ele nasceu há mais de dois mil anos e ainda não nos decidimos verdadeiramente sairmos pelas veredas da vida em busca do Sublime Encontro. Temos sempre mil desculpas, porém, nenhum passo decisivo em Sua direção…

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A vida de Jesus foi pródiga de exemplos de virtude e de amor.

Falou das bem-aventuranças e das coisas dos Céus, enalteceu a importância do perdão, ensinou as Leis Divinas, curou cegos e enfermos de variada ordem, ressuscitou os que dormiam, valorizou a figura da mulher em sociedade, recomendou atendimento às crianças, aos enfermos, aos prisioneiros, falou do amor a Deus e ao próximo, disse ser Ele o Pão da Vida, a Luz do mundo e o Mestre para todos nós.

A caminho de Jerusalém, Jesus passou pela divisa entre a Samaria e a Galileia. Ali encontrou dez leprosos, que lhe imploravam piedade. Ele atendeu as rogativas e lhes recomendou que seguissem seus caminhos. Passos adiante, um deles, quando viu que estava curado, voltou, prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradeceu.

Jesus perguntou: Não foram purificados todos os dez? Onde estão os outros nove? E lhe disse: Levante-se e vá; a sua fé o salvou. (Lc. 17: 11 a 19)

Quantas vezes já recorremos a Jesus, rogando-Lhe piedade, pedindo-Lhe orientação, implorando-Lhe socorro?

Quantas vezes nos vimos agradecendo-Lhe pela bênção da vida, pelo amparo, pelo auxílio recebido?

Quantas vezes Ele bateu às portas de nossos corações, pedindo auxiliássemos o próximo em Seu nome e não O atendemos. Coração fechado. Estávamos sem tempo, cheios de outros quefazeres, prontos em julgar o próximo, mas não em socorrê-lo.

Afinal, somos qual aquele leproso que voltou, realmente curado, para agradecer e se fazer Seu fiel seguidor, vivenciando Seus ensinos, ou estamos dentre os nove que, apesar de socorridos, seguiram Suas vidas, dando-Lhe as costas, retomando os mesmos erros morais que os havia enfermado até então?

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Sempre querido leitor, Natal é momento de profunda e amadurecida reflexão sobre nossas vidas, nossos passos, nossos propósitos, nossas razões de viver, sobre os reais valores que devemos conquistar.

Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Ele nasceu perante a História, mas terá nascido em nossos corações?

Ele nasceu e modificou a História da Humanidade, mas terá nascido em nós e já terá modificado nossa história de vida?

Ele é o protagonista de História Inigualável e a escreveu para nós, a fim de que, conhecendo-a, dEle façamos nosso Modelo e Guia, e que, sob Sua inspiração, grafemos nossa história pessoal com letras de luz.

Ele é a Luz do Mundo. Deixemos que nos ilumine por inteiro, todos os dias.

Feliz Natal, com Jesus presente!

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