Jornal Mundo Espírita

Abril de 2019 Número 1617 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Helen Keller

junho/2014 - Por Mary Ishiyama

Cega, surda e muda, incapaz, nunca!

As pessoas tidas como especiais, de fato são muito especiais. O mundo, sem elas, perderia muito do seu brilho.

Uma dessas pessoas tornou-se famosa, pelo seu incessante trabalho em busca do bem-estar das pessoas portadoras de deficiências. Ela foi escritora, filósofa, conferencista.

Sua missão estava traçada e teve início com o seu nascimento em 27 de junho de 1880 em Tuscumbia, Alabama, EUA.

Filha de Arthur e Kate Adams Keller nasceu saudável mas, aos dezenove meses, foi acometida de uma enfermidade não diagnosticada, que a deixou cega e surda, em consequência, muda.

Diante da impossibilidade de saber o quanto a sua inteligência havia sido afetada, diziam que ela era idiota. Seus pais nunca aceitaram essa possibilidade, mas também não podiam provar o contrário. Assim, Helen cresceu isolada, fechada em seu próprio mundo e, segundo sua própria expressão, um fantasma vivendo em um mundo que não existia.1

Quando ela completou seis anos, seus pais foram aconselhados irem a Washington e realizar uma consulta com o doutor Alexander Graham Bell, que sugeriu que entrassem em contato com a Instituição Perkins para cegos, em Boston. Ali travaram conhecimento com a jovem professora, recém-formada, Anne Sullivan, que ficara cega em criança mas, graças a nove cirurgias, conseguira recuperar parte da visão.

No dia 3 de março de 1887, Anne chegou a Tuscumbia, data que ficou gravada para Helen como a do nascimento de sua alma. Professora e aluna tornaram-se inseparáveis, até a morte de Anne, em 1936.

Ninguém tinha muita esperança nos resultados desse ensino. Anne sentia-se insegura quanto a atingir a aluna e o primeiro mês foi de muita luta e tentativas. Finalmente, no dia 5 de abril, o fantasma de Helen entrou em contato com a realidade.

Estavam as duas trabalhando. Anne escrevia as letras na palma da mão de Helen, mas era difícil fazer uma criança entender a palavra maçã se ela não tinha ideia do que era uma maçã, nunca havia visto uma.

Então, a professora teve uma intuição. Havia um poço, no local, e ela levou a mão de Helen até a água e escreveu, na palma de sua mão, água. A menina, de pronto, fez a associação e a emoção tomou conta daquelas duas almas.

Helen entendeu que cada coisa tem um nome e ela tinha um mundo para descobrir. Aponta para Anne e essa lhe escreve na mão, professora. O mundo se abre para Helen e, somente naquele dia, aprendeu trinta palavras e os seus significados.

Ela aprendeu os alfabetos Braille e Manual e, aos dez anos, manifesta sua vontade de querer aprender a falar. Passou a ter aulas com Sara Fuller, diretora da Escola de Surdos Horace Mann, em Boston. Sara colocava a mão de Helen em seu rosto e produzia o som de uma palavra, repetia vagarosamente, pausadamente e, várias vezes, enquanto Anne a escrevia na palma da mão da aluna, que tentava imitar o som, quantas vezes fosse necessário até que estivesse a contento da mestra.

Ao final de dez aulas, Helen faz uma surpresa a sua querida Annie, como a chamava carinhosamente, falando claramente: Eu não sou mais muda.

O sonho de Helen Keller era fazer uma faculdade. Aos vinte anos, em 1904, recebeu seu diploma de bacharel em filosofia pela Radcliffe College, Cambridge, Massachusetts.

Anne Sullivan casou-se com John Macy, eminente crítico literário. Helen foi morar com eles e ambos trabalham em artigos e livros. Helen Keller publicou seu primeiro livro, A história de minha vida, em 1904. A obra foi traduzida para mais de cinquenta  idiomas.2  Depois vieram, Otimismo (um ensaio), A canção do muro de pedra, Lutando contra as trevas, Minha vida de mulher, O diário de Helen Keller e outros, todos com traduções para várias línguas.

Helen trabalhou a sua vida inteira a favor das pessoas portadoras de deficiência visual e auditivas. Em 1924, começou uma campanha para levantar fundos para a instituição que, em 1946, se tornaria a Helen Keller International Incorporated, New York, com programas de educação e reabilitação de deficientes visuais e auditivos.

Nesse mesmo ano, foi eleita Conselheira em Relações Internacionais e começou a viajar pelo mundo. Entre os anos de 1946 a 1957, visitou trinta e cinco países, nos cinco continentes.  Em 1953, esteve no Brasil, participou de uma mesa redonda em São Paulo, realizada pelo SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), que deu origem à criação de um Serviço de Orientação e Colocação Profissional de Cegos, abrindo, assim, possibilidade de emprego a esses trabalhadores.2

Helen recebeu muitos prêmios, entre eles, no Brasil, a Ordem do Cruzeiro do Sul. Recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honra de seu país, teve sua casa Arcan Ridge, Westport, Connecticut transformada em museu permanente.

Essa incrível mulher desencarnou em 1º de junho de 1968, próximo aos oitenta e oito anos. Suas cinzas foram depositadas ao lado das de Anne Sullivan, na Capela de São José, na Catedral de Washington, D.C.

No enterro, o Senador Lister Hill disse: Ela viverá; foi um dos poucos nomes, imortais, que não nasceu para morrer. Seu espírito perdurará enquanto o homem puder ler e histórias puderem ser contadas sobre a mulher que mostrou ao mundo que não existem limitações para a coragem e a fé.2

Esta é a mulher que disse e mostrou que não há barreiras que o ser humano não possa transpor.

Bibliografia:

1 KELLER, Helen. Lutando contra as trevas, minha professora Anne Sullivan Macy. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1959.

2 Helen Keller: 1880-1968. São Paulo: Fundação para o livro no Brasil, 1980. 16p.

3 NOBRE, Marlene. A vida contra o aborto. São Paulo: FE Editora Jornalística Ltda.

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