Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

Há doença, porque há doentes

junho/2019

Sendo a doença um efeito de distúrbios profundos no campo da energia pensante ou Espírito, como afirma Joanna de Ângelis1, é um estado do ser humano indicando que sua consciência não está mais em ordem, ou seja, sua consciência registra que não há harmonia.

Os sintomas e a identificação de alguma enfermidade são as expressões visíveis de um processo invisível.

No dizer de Deepak Chopra, médico indiano radicado nos Estados Unidos, a saúde é o espelho do que pensamos.

Mente-corpo são como universos paralelos. Tudo o que acontece no universo mental necessariamente deixa sinais no físico.

Na atualidade, o Espiritismo, cujo corpo doutrinário está baseado em postulados como a existência de Deus, a existência e a imortalidade do Espírito, a pluralidade das existências, a comunicabilidade dos Espíritos e a pluralidade dos mundos habitados; que elucida a lei existencial de causa e efeito; que guarda como máxima a prática da caridade e tem como mandamentos o amor e a instrução, sendo Jesus, Guia e Modelo, é síntese da sabedoria ancestral, a excelente religião da ciência, ciência da filosofia, e, ao mesmo tempo, a filosofia da religião, que mais está aparelhada para fundamentar, vivenciar e divulgar a efetividade da relação espírito-mente-corpo, no âmbito do bem-estar, leia-se nesse contexto, a saúde.

Allan Kardec apontou2: Revelando a causa do mal, o Espiritismo rasga nova senda à arte de curar e fornece à Ciência meio de alcançar êxito onde até hoje quase sempre vê malogrados seus esforços, pela razão de não atender à primordial causa do mal.

Elucida a Benfeitora Espiritual Joanna de Ângelis1 que a mente equilibrada comandará o corpo em harmonia, e, nesse intercâmbio, surgirá a saúde ideal.

(…) A maquinaria orgânica depende dos fluxos e refluxos da energia psíquica. (…) Sabendo canalizar-lhe a corrente vibratória, organiza e submete os implementos físicos ao seu comando, produzindo efeitos de saúde. (…)

O Espiritismo cristão convoca-nos à reforma moral para melhor, à compreensão de nossa relação conosco mesmo, ou seja, à repaginação das nossas regras de bem proceder, de nossas crenças e valores existenciais, o que, por sua vez, exige novos pensamentos, novos sentimentos e, por conseguinte, novos comportamentos. Com isso, em outras palavras, formula convite à construção do nosso bem-estar, de um estado consciencial harmônico, capaz de gerar energia de equilíbrio, essência da saúde.

Mágoas, ressentimentos, culpas, revolta, ciúme, inveja, orgulho, egoísmo, raiva, violência, vingança, avareza, drogadição, sexo em desalinho e tantos outros sentimentos e comportamentos equivocados, sinônimos de atitudes contrárias às leis morais da vida, por serem fontes de distonia, de desordem emocional, geradores de enfermidades, devem ser alijados dos nossos corações, definitivamente.

Jesus destacou3: Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios.

Se do coração e da mente nascem os males, das mesmas fontes nascerão os medicamentos.

O ensino de Jesus, esclarece4: O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca.

Enquanto Kardec sublinhou que o verdadeiro espírita é reconhecido por sua transformação moral e pelo esforço que faz em domar suas más tendências, Hipócrates, o Pai da Medicina, anotou: Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão tuas doenças.

O Espírita e o Movimento Espírita podem e devem aprofundar conhecimentos e reflexões sobre a terapia espírita, a excelência de seus recursos e oportunidade de sua urgente aplicação condizente, no uso pessoal e coletivo, dando-lhe expansão e uso efetivo, a começar daqueles que somos espíritas.

Há um esforço mundial em curso, a fim de relembrar a arte de cura praticada há milênios, fundamentada na relação indivisível mente-corpo, quanto ao que, no dizer de Allan Kardec, o Espiritismo rasga nova senda, dá nova direção à arte de curar, cabendo-lhe, portanto, ensinar esse novo rumo, apoiando e estimulando as iniciativas das medicinas alternativas, e aplicando a arte de curar no despertamento da consciência de todos, única forma que dá força à cura, visto que é o que se ordena mentalmente, através da vontade direcionada para a harmonia geral dessa ferramenta indispensável à evolução espiritual, chamada corpo, que lhe conformará a saúde.

A expansão da consciência é a chave do despertamento do médico interno que todos trazemos no imo d’alma, que só por ser chamado à consciência atual, já sai curando, refazendo caminhos e modificando as atitudes, gerando equilíbrio.

Os resultados benéficos então conseguidos, posteriormente analisados e as benesses sinceramente reconhecidas pelo ser pensante, virão como demonstração e convencimento do que ele realmente deseje de bom para si mesmo.

Antes, a ciência declarava que somos máquinas físicas que, de alguma forma, aprendemos a pensar. Agora, desponta a ideia de que somos pensamentos que aprenderam a criar uma máquina física, anotou Deepak Chopra.

*

Os que desejamos a saúde, o bem-estar duradouro, iniciemos a renovação de nosso mundo mental, dando-lhe o padrão vibratório condizente ao estado saudável almejado, e recomendado por Kardec, porta-voz dos Espíritos Guias da Humanidade.

Lembremos Jesus5: Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

O Espiritismo guarda tesouro imenso, cabendo a nós, os espíritas, garimparmos suas gemas preciosas, enriquecendo a nossa vida, cada vez mais, com valores para bem vivermos.

 

Referências:

  1. FRANCO, Divaldo Pereira. O Homem Integral. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL, 1990. cap. 5.
  2. KARDEC, Allan. A Gênese. 42. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. cap. XV, item 35.
  3. BÍBLIA, N. T. Marcos. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 7, vers. 21.
  4. Op.cit. Lucas. cap. 6, vers. 45.
  5. Op. cit. Mateus. cap. 6, vers. 21.
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