Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Há 91 anos acontecia a primeira transmissão de rádio no Brasil

janeiro/2014 - Por Barbosa Nunes

Leva alegria para as pessoas, comunicação através de notícias atualizadas. É o único veículo que está presente em 99% das casas, 83% dos carros e 93% dos consumidores, no momento que antecede a compra.

O rádio está onde as pessoas estão, com seus profissionais trabalhando em maior agilidade na transmissão de notícias, músicas, esporte e centenas de mensagens de fé, através dos programas religiosos. Dialogando, eles interpretam desejos de todas as idades, especialmente daqueles que exigem informação cada vez mais rápida. Hoje, o rádio está nas redes sociais, computadores, celulares, enfim, resistiu à televisão. Sem dúvida nenhuma, é detentor disparadamente, da maior audiência no país, em todas as horas do dia e da noite.

Mas, tudo começou em 1833, quando na Inglaterra, James Clerck Maxwell demonstrou, teoricamente, a provável existência das ondas eletromagnéticas. Em 1887, veio o princípio da propagação radiofônica, através de Hertz. Em 1896, Guglielmo Marconi percebeu a importância comercial da telegrafia que, até então, era exclusivamente telegrafia sem fio. Oliver Lodge e Les Forest, o primeiro inventou o circuito elétrico sintonizado e o segundo, desenvolveu a válvula tríodo. Von Lieben e Armstrong empregaram o mesmo tríodo para produzir ondas eletromagnéticas contínuas.

O brasileiro Roberto Landell de Moura foi pioneiro na transmissão de voz, mas foi chamado de louco e bruxo. Todos aprendemos que o inventor do rádio foi Guglielmo Marconi. Poucos sabem quem foi Roberto Landell de Moura, o padre brasileiro responsável por fazer em 1894, dois anos antes de Marconi, uma experiência pioneira de radiodifusão.

Nascido em Porto Alegre e educado em Roma, Landell foi a São Paulo e exibiu seu invento ao público. Em 1900, Landell repetiu o experimento – agora na presença de jornalistas e de um representante do governo britânico. Alguns religiosos se indignaram quando souberam que um padre estava fazendo bruxarias. Dois dias depois da demonstração, meia dúzia de fiéis invadiu o modesto laboratório do religioso para quebrar todos os seus aparelhos. No ano seguinte, o padre foi tentar a sorte nos EUA, onde impressionou a comunidade científica.

O padre acreditava que as invenções pertenciam ao Brasil. Conseguiu patentear suas invenções em 1904. Tarde demais: Marconi já o havia feito em 1896. Ao voltar para o Brasil, seu plano incluía uma demonstração envolvendo dois navios da Marinha. Ao ser perguntado sobre a distância que os navios deveriam ficar um do outro, sua resposta: Coloquem-nos na maior distância possível, pois esse invento um dia permitirá até conversas interplanetárias! Foi o suficiente para ser taxado de louco. Desiludido com a falta de apoio, acabou abandonando a ciência e dedicando-se exclusivamente à vida religiosa.

Apesar da invenção do rádio ser creditada a Marconi, várias pessoas vinham fazendo pesquisas na área, como o alemão Heinrich Hertz, o iugoslavo Nicolas Tesla e o próprio padre Landell. Marconi patenteou seu invento em 1896. Depois criou a Companhia Marconi e foi o primeiro a investir na utilização comercial do rádio.

A Era do Rádio no Brasil tem seu início na primeira transmissão radiofônica oficial, com o discurso do presidente Epitácio Pessoa, no Rio de Janeiro, em uma exposição na Praia Vermelha, comemorando o centenário da Independência do Brasil [7.9.1922]. Transmissor instalado no alto do Corcovado pela Westinghouse Electric e Companhia Telefônica Brasileira, seguindo-se emissões de música lírica, conferência e concertos, captados por oitenta aparelhos de rádios distribuídos pela cidade. Após, as transmissões foram interrompidas, voltando em 1923, com a montagem de uma emissora que transmitia programas literários, musicais e informativos.

Edgard Roquete Pinto é o pai do rádio brasileiro, foi ele quem convenceu a Academia Brasileira de Ciências a comprar os equipamentos que transmitiram o discurso do presidente e quem fundou a primeira estação de rádio brasileira: Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, atual Rádio MEC. Os ouvintes eram associados e pagavam mensalidades para manter a emissora no ar. Em 1931, foi transmitido o primeiro jogo de futebol ao vivo pelo primeiro narrador esportivo, Nicolau Tuma.

Muitas pessoas já dedicaram parte de sua vida ou toda ela à construção e desenvolvimento do Brasil. Uma delas foi Edgard Roquette Pinto, quando percebeu, profeticamente, em 1922, a importância do rádio como forma de comunicação popular e democracia cultural em nosso país.

Médico, antropólogo e educador brasileiro, nascido no Rio de Janeiro em 25 de setembro de 1884, Roquette Pinto foi o precursor da radiodifusão brasileira, sempre com o objetivo de difundir cultura e educação. Conheceu então uma das figuras marcantes para sua biografia, Cândido Mariano da Silva Rondon.  Roquette Pinto acompanhou Rondon em uma de suas expedições na instalação de linhas telegráficas.

Em 1936, ao som de Luar do Sertão, no dia 12 de setembro é inaugurada a Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Rádio Nacional que tem uma longa história de divulgação e audiência total com programas de auditório, cômicos, novelas, musicais e noticiários, revelando nomes que ficaram eternamente no cenário radiofônico, artístico e jornalístico.

Em 1938, o Brasil ouve a Copa do Mundo no rádio, em narração do locutor Gagliano Neto, diretamente da França para o Brasil. Foi a primeira vez, em nosso país, que uma partida disputada em terras europeias, vinha em ondas curtas, cruzando o vasto oceano e chegando em todos os lares.

Registro o texto histórico para a crônica esportiva e o futebol, com Gagliano Neto, assim iniciando a transmissão: Prezados ouvintes brasileiros! Marselha parou hoje para ver o time do Brasil. Leônidas não joga. A escalação do selecionado brasileiro é: Walter, Domingos e Machado, Zezé, Martin e Afonsinho, Lopes, Luizinho, Romeu, Perácio e Patesko.

Chegamos agora, após progressos tecnológicos, os mais diversos, que mantêm o rádio na vanguarda das comunicações, ao ato da quinta-feira, dia 7 de novembro, Dia do Radialista, data de nascimento do compositor, músico e radialista Ary Barroso, quando a Presidente Dilma Rousseff assinou Decreto que permite a migração das rádios AM para a faixa FM, desejo antigo dos Radiodifusores, que enfrentam cada vez mais dificuldades com a faixa AM por causa das interferências no sinal. Das 1.784 emissoras, 90% passarão a operar na faixa FM.

Artigo publicado no Diário da Manhã (Goiás, em 9.11.2013).

Todos os lares espalhados pelo imenso território do Brasil receberão livremente o conforto moral da ciência e da arte… pelo milagre das ondas misteriosas que transportam, silenciosamente, no espaço as harmonias.

Edgard Roquette Pinto

Roberto Landell de Moura  (Porto Alegre, 21.1.1861/30.6.1928) foi um padre católico, cientista e inventor brasileiro, considerado o Patrono dos Radioamadores do Brasil e o Pai Brasileiro do Rádio.

Seu trabalho, envolvendo experimentos com ondas eletromagnéticas, foi pioneiro, tendo possivelmente sido o primeiro a transmitir a voz humana por rádio com sucesso.

Ele conseguiu patentear seus inventos tanto no Brasil como nos Estados Unidos. No Brasil, obteve a patente n° 3.279, em 9 de março de 1901. Nos Estados Unidos, recebeu, em 11 de outubro de 1904, a patente nº 771.917, para seu Transmissor de Ondas e, em 22 de novembro do mesmo ano, as patentes de nº 775.337, para seu Telefone sem Fio e nº 775.846, para seu Telégrafo sem Fio.

Por ocasião dos 150 anos de seu nascimento, em 2011, o Padre Landell de Moura teve seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, através da Lei nº 12.614, sancionada pela Presidência da República do Brasil.

 

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