Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87
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Há 2000 anos

março/2014 - Por Marco Antonio Negrão

A partir da psicografia de Francisco Cândido Xavier, o Espírito Emmanuel descreve sua existência física, enquanto Públio Lentulus Cornelius, orgulhoso senador romano designado para alto cargo na região da Palestina.

Tendo como cenário o Cristianismo nascente do século I, Há dois mil anos, em sua apresentação, dá uma ideia do que podemos aguardar dessa belíssima obra, que abrange o momento no qual Jesus Cristo estava na Sua sublime tarefa de evangelização da Humanidade.

Ao lermos o livro Há 2000 anos (1940) e a sequência 50 anos depois (1941), Renúncia (1943) e Ave Cristo (1954) podemos aquilatar o esforço evolutivo de um Espírito que mostra os embates entre a arrogância das famílias patrícias e a simplicidade fraterna dos primeiros cristãos, numa trama em que opostos como sofrimento e alegria, esplendor e miséria, poder e escravidão, crueldade e benevolência, perdão e vingança se entrelaçam na realidade familiar de Públio Lentulus, interferindo em sua relação com os filhos e com a amada esposa Lívia, convertida aos sublimes ensinamentos de Jesus, a contragosto do esposo. Em função dessa opção, ela sofreu agruras cruéis. Pela mensagem de Jesus, deu os maiores testemunhos de fidelidade.

O livro inicia com uma conversa entre dois amigos, Públio Lentulus Cornelius e Flamínio Severus, sobre um sonho de Públio com seu antepassado, seu avô, e sobre a situação de saúde da sua filha, Flávia, que contraíra a insidiosa lepra. Na busca de melhoras para a enfermidade da filha, Públio aceita a transferência, com a família, para os ares da Palestina.

Nesse período, Jesus está distribuindo Seus ensinamentos ao povo daquela região. Conhecido das autoridades religiosas, mostrando os enganos e preconceitos dos doutores da lei, provocava ciúmes e medo no status quo religioso. Logo mais, começa a perseguição ao Mestre, com todas as consequências aos Seus seguidores.

Públio, atendendo ao apelo da sua esposa, vai encontrar-se com Jesus, no lago de Genesaré, pedindo a cura para a filha, que se concretiza. A partir desse encontro, ele fará, depois, ao Imperador Tibério, uma descrição física da figura do Nazareno. Magnetizado por emoções desconhecidas, o senador romano, no entanto, não atendeu o convite para seguir o Mestre. Aquele encontro ressoaria em seu íntimo pelos séculos vindouros… Emmanuel nos relata essa experiência pessoal com a riqueza de detalhes que caracteriza todos os seus livros, para que meditemos sobre os momentos preciosos que nos são oferecidos pela vida. Momentos desperdiçados, retardando nosso progresso e evolução rumo à plenitude espiritual.

A sequência de fatos, que não comentaremos para não tirar do leitor o prazer da leitura e, principalmente, o sabor das lições apresentadas, nos levam a refletir como a vida nos dá oportunidades de escolha, que, por vezes, perdemos e o quanto sofremos por essas equivocadas decisões. Com Públio não é diferente pois deixa que falem mais alto a arrogância e orgulho racial. Na trama do livro, demonstra muito bem tal situação Emmanuel, ao relatar o quanto sofreu, enquanto senador, ao final da sua vida, já tocado pelos ensinamentos de Jesus. Seu comportamento está totalmente modificado, então.

Contudo, sua esposa Lívia e seu filho Marcus sofrem as consequências do seu orgulho, pois as situações narradas mostram todas as imperfeições do ser humano retratadas nos personagens do livro. A traição, a simulação, o jogo de interesses, a falta de honra, as armadilhas, o desprezo pelos sentimentos de amor e respeito que alguns demonstram, nos diversos momentos, dão bem as dimensões das torpezas humanas.

É um livro emocionante, que nos leva a viajar pelos tempos de outrora. Também pleno de lições para todos nós.

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