Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2021 Número 1647 Ano 89
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Guillon Ribeiro, o tradutor das obras de Allan Kardec

outubro/2021 - Por Mary Ishiyama

É imenso consolo pensar que a morte não interrompe o trabalho sadio e edificante.

Os ideais nobres possuem suas verdadeiras raízes na vida espiritual e, além do túmulo, podemos continuar o serviço que se afina com as nossas tendências e esperanças.

Enlevado e ditoso com a assistência fraternal de que era objeto, recebi, na segunda noite, duas visitas agradáveis e preciosas.

Guillon e Schutel vieram abraçar-me.

Dessa forma, o Espírito Irmão Jacob1 descreve a carinhosa visita recebida de Guillon Ribeiro e de Cairbar Schutel.

E nos fornece duas informações importantes. A primeira é de que os grandes tarefeiros de Jesus vêm desenvolver trabalhos no planeta Terra, que foram esboçados na Espiritualidade e, ao retornar à pátria espiritual prosseguem o labor.  A segunda informação é que, ao voltarmos para casa, revemos amigos e amores.

Segundo Jacob, Guillon sentia-se imensamente feliz por continuar, em Espírito, os trabalhos doutrinários que realizava, enquanto encarnado, sob a orientação de Ismael. Sentia-se feliz por haver readquirido a visão, ele, que tivera os olhos atacados pela catarata e, praticamente, não enxergava nada com a vista direita. Afirma visitar diariamente as atividades desenvolvidas no planeta, ajudando, sempre que possível, os trabalhadores do Espiritismo no Brasil.

O concurso do Brasil na obra de cristianização do mundo é muito mais importante que parece.

Ousamos afirmar que nós, espíritas, devemos muito a esse homem. Raro será o espírita que nunca tenha lido um livro traduzido por ele.

Homem de sólida cultura, tradutor impecável de várias obras estrangeiras, nas línguas francesa, inglesa e italiana. Profundo conhecedor de nosso idioma. Traduziu, praticamente, todos os livros de Allan Kardec: O Evangelho segundo o Espiritismo, O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, A Gênese, O que é o Espiritismo e Obras Póstumas.

Traduziu livros de Léon Denis (Joanna d’Arc, médium; O Além e a sobrevivência do ser); Ernesto Bozzano (A crise da morte; Animismo ou Espiritismo?; Xenoglossia), Gabriel Delanne (A alma é imortal; O Espiritismo perante a ciência), Arthur Conan Doyle (A Nova Revelação), entre muitos outros.

Escreveu os livros Espiritismo e Política; A Mulher, sua missão – sua felicidade. Artigos foram publicados no Reformador, da Federação Espírita Brasileira – FEB e na imprensa espírita da época.

Luiz Olímpio Guillon Ribeiro nasceu em São Luís do Maranhão, em 17 de janeiro de 1875, filho de Luiz Antônio Gonçalves Ribeiro e de Olímpia Guillon Gonçalves Ribeiro.

Iniciou os estudos, no Seminário de São Luís. Com a desencarnação de seu pai, quando ele tinha somente 7 anos, a família foi para o Rio de Janeiro, onde Guillon cresceu.

Formou-se em Engenharia Civil. Estudava de dia e trabalhava à noite, como redator no Jornal do Commercio, o mesmo jornal que, três dias após o nascimento de Guillon, noticiou o lançamento da primeira tradução para o português de O Livro dos Espíritos, por Fortunio, pseudônimo de Joaquim Carlos Travassos. Obra que receberia, anos mais tarde, tradução do próprio Guillon.

Depois de formado, assumiu o cargo de 2º oficial da Secretaria do Senado Federal; também Diretor-Geral, cargo em que se aposentou em 1921.

Ruy Barbosa, em discurso na sessão de 14 de outubro de 1903, referente ao trabalho de revisão do Projeto do Código Civil, agradeceu a ajuda recebida de Guillon Ribeiro como seu revisor, suprindo até mesmo as suas próprias desatenções.

Guillon casou-se com Raimunda Portela, em 11 de abril de 1910, com quem teve cinco filhos.

Após a desencarnação de sua mãe, conheceu o Espiritismo, tornando-se fervoroso adepto, em 1911.  Durante muito tempo, levou o conhecimento espírita para os detentos na Casa de Correção. Muitos presidiários, após cumpridas suas penas, tornaram-se seus amigos verdadeiros.

Foi excelente orador espírita, na FEB, da qual foi diretor durante vinte e seis anos consecutivos, tendo exercido quase todos os cargos.

Em 1937, como presidente da FEB, viu a necessidade de terem uma gráfica própria, no que foi muito combatido. Mas, em 4 de novembro de 1939, a oficina gráfica começou a funcionar. E o quanto serviu ao Movimento Espírita!

Foi o mais sincero dos crentes, o mais convicto dos missionários. No seu sublime apostolado, não conhecia o desânimo, a fraqueza, o desalento. As tempestades passavam pela sua fronte trazendo-lhe grandes mágoas, porém não o abatiam nunca.

Alma sensível a todas as dores alheias, coração que se compadecia de todos os sofredores, ele deixou um sulco profundo de saudade em toda a família espírita e de quantos dele se acercaram.

Aos 26 de outubro de 1943, fechava os olhos ao mundo a figura veneranda do Dr. Luiz Olímpio Guillon Ribeiro.3

Ao mesmo tempo, seus olhos se abriam, com maior amplitude, no mundo espiritual, de onde prossegue a sua tarefa junto à Pátria do Cruzeiro, sob o comando de Ismael e, acima de todos, Jesus.

 

Referências:

XAVIER, Francisco C. Pelo Espírito Irmão Jacob. Rio de Janeiro: FEB, 1990. cap. 12.

http://www.feparana.com.br/topico/?topico=684

https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/06/Luiz-Olimpio-Guillon-Ribeiro.pdf

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