Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2017 Número 1601 Ano 85
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Guaracy Paraná Vieira

janeiro/2017 - Por Marco Antônio Negrão

Em 10 de setembro de 1992, o médium Divaldo Pereira Franco ofereceu ao Movimento Espírita mais um livro da sua lavra mediúnica, Perfis da Vida.

Com essa publicação, retornava, do outro lado da vida, ao cenário das letras, Guaracy Paraná Vieira.

Encarnado, Guaracy esteve ligado ao Movimento Espírita do Paraná, com participação ativa na sua estruturação nos Campos Gerais e muito ligado à divulgação da Doutrina Espírita, através dos órgãos de comunicação.

Tornou-se uma das lideranças espíritas importantes em nível estadual, tendo sido presidente da União Regional Espírita –  2ª Região, com sede em Ponta Grossa, membro do Conselho Federativo Estadual  e 2º vice- presidente da FEP.

Nascido em 4 de agosto de 1918, em Paulo Frontin, então município de Mallet, PR, ainda menino começou a trabalhar em ofícios os mais diversos para auxiliar no sustento de sua família.

Ingressou, aos dezenove anos, no Exército Brasileiro, alcançando o posto de 2º  sargento. Esteve ligado à administração pública municipal na cidade de Ponta Grossa, onde exerceu vários cargos de importância.

Ajudou a fundar a Universidade Estadual de Ponta Grossa, sendo o seu primeiro funcionário. Foi nomeado secretário, em 1966, da Faculdade Estadual de Farmácia e Bioquímica de Ponta Grossa, secretário geral da Universidade e, a partir de 1980, assumiu a função de chefe da secretaria da Reitoria, cargo que ocupou, até sua desencarnação, em 18 de junho de 1991, aos 72 anos de idade.

No Movimento Espírita foi, em 1948, um dos fundadores da União da Mocidade Espírita Cristã de Ponta Grossa.

Teve atuação destacada na divulgação da Doutrina Espírita por meio do jornal, rádio e, posteriormente, da televisão.

Foi o primeiro presidente da URE 2ª Região – quando da reestruturação do sistema federativo estadual, em regiões, cabendo a essa região sediar uma extensa área do Estado. Instalada em 13 de março de 1965, teve Guaracy como seu primeiro presidente e por outras oito gestões, sendo a última no período de 1980-1982.

Como jornalista, foi redator  e diretor do jornal espírita A Voz da Espiritualidade, mantido pela União Espírita Cristã de Ponta Grossa. Ligado à comunicação, foi redator, apresentador, secretário de redação de diversos jornais e rádios em Ponta Grossa e região.

Sua vida foi pautada pelo trabalho no bem, semeando a esperança e o conforto nos corações necessitados de amparo e esclarecimento. Foi um dos fundadores da Fundação Bezerra de Menezes, conselheiro da Casa Transitória Fabiano de Cristo e da Organização Espírita Cristã Irmã Scheilla. No Centro Espírita Paz e Amor a Jesus, ao qual se vinculou, após converter-se ao Espiritismo, exerceu diversos cargos.

Também atuou na Sociedade Espírita Francisco de Assis de Amparo aos Necessitados – SEFAN.

Levou sua palavra por todos os cantos do Paraná, ofertando seu conhecimento doutrinário através de palestras e treinamentos às Casas Espíritas.

Sua maior marca foi a modéstia, procurando sempre o anonimato, deixando  que outros companheiros de ideal espírita brilhassem. No entanto, foi alvo de diversas homenagens pois é impossível alguém trabalhar tanto e a sociedade não reconhecer seus méritos e  esforços. Foi distinguido com diplomas e medalhas e recebeu o título de Cidadão Pontagrossense.

Aqueles que foram seus contemporâneos e que prosseguem encarnados, falam com muito carinho do Guaracy.  João de Mattos Lima, ex-Presidente da FEP e conselheiro honorário e José Virgílio Góes, ex-Presidente e atual assessor da presidência para Assuntos da Unificação, falam da sua personalidade conciliadora, do seu bom senso, tendo sempre uma palavra de estímulo e paz nas reuniões de que participava.

Pela pena mediúnica de Divaldo, escreveu o cronista, em seu retorno ao mundo das letras:

As saudades dos momentos de estesia e paz, de amor e ventura, de autorrealização e plenitude, de afetos que se transferiram de lugar e de faixa vibratória, são estímulos que propelem ao desenvolvimento dos valores éticos e das qualidades morais.

As saudades, nesses casos, estimulam o coração e o luarizam, acentuam a percepção mental e a acuram, tornando-se o ser sensível, mais elevado.

Foi a saudade que conduziu, à sepultura de Jesus, Maria de Magdala, na busca do Amigo querido que, ressuscitado, voltou para atenuar-lhe as lembranças tristes e consolidar-lhe a certeza da imortalidade.1

Quanta saudade temos de Guaracy, de sua fala, dos momentos em que, apresentando o orador espírita Divaldo Pereira Franco, entrava em pormenores, biografando com cores vivas a trajetória daquele homem de bem.

Quanta saudade de sua fala mansa, esclarecedora, consoladora e amiga…

 

Bibliografia:

1.FRANCO, Divaldo Pereira. Perfis da vida. Pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira. Salvador: LEAL, 1992. cap. 7.

2.MAIA, Fábio Maurício Holzmann. Os trabalhadores da primeira hora – Um olhar sobre os cem anos de Espiritismo nos Campos Gerais. Curitiba: FEP, 2011.

3. http://feparana.com.br/topico/?topico=545

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