Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Gratidão

dezembro/2017 - Por Antônio Moris Cury

No Dicionário Escolar da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, o substantivo feminino gratidão tem dois significados bem curtos: 1. Qualidade de quem é grato. 2. Reconhecimento, agradecimento.

Entretanto, essa qualidade é pouco encontradiça no planeta Terra, não obstante devesse ser comum, fácil e largamente encontrável, no mínimo, diante do incontável número de bênçãos e benefícios que todos recebemos repetidamente em nosso dia a dia.

Gratidão que deveríamos ter e sentir por Deus, nosso Pai Universal, que nos criou Espíritos imortais e indestrutíveis, os seres inteligentes, os seres pensantes da Criação.

Gratidão também porque, com a concordância e a participação de nossos pais biológicos, permitiu-nos a presente reencarnação, uma extraordinária bênção por todos os títulos, uma vez que através dela poderemos corrigir e reparar nossos erros, males e equívocos do passado, um significativo avanço no processo individual de evolução.

Gratidão aos nossos pais biológicos, que não só aquiesceram em sê-lo como, de um modo geral, se dedicaram, se esforçaram e se sacrificaram ao máximo para nos oferecer o melhor, em todos os sentidos, a começar por nossa formação moral.  Além da gratidão, diga-se de passagem, devemos ainda honrá-los, tal como detalhado no capítulo XIV de O Evangelho segundo o Espiritismo [intitulado Honrai a vosso pai e a vossa mãe], uma das obras basilares da veneranda Doutrina Espírita.

Gratidão que devemos ter e sentir a cada nova manhã que se nos descortina no plano material, visto que representa outra página em branco no livro de nossa

existência, que poderemos preencher da melhor forma possível, trabalhando dignamente pelo pão de cada dia, estudando com empenho, melhorando e nos aperfeiçoando, uma verdadeira alavanca para o nosso progresso, o nosso crescimento, intelectual e moral.

Gratidão a Jesus, o Cristo, nosso Irmão, Mestre, Modelo, Guia e Amigo de todas as horas, cujos ensinamentos permanecem íntegros e atuais até hoje, nada obstante decorridos vários séculos, com os quais e por si dividiu a História da Humanidade terrestre entre antes e depois de Cristo, exemplo inigualável de humildade, simplicidade e de amor. Cristo, que nos transmitiu um sem-número de ensinamentos, da maior importância: A semeadura é livre, mas a colheita obrigatória; Cada um dará conta de sua administração; A cada um segundo as suas obras e o seu ensino máximo: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, com o qual resumiu toda lei e os profetas.

Gratidão ao nosso Anjo da Guarda, cuja missão é A de um pai com relação aos filhos; a de guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida.  (O livro dos Espíritos, q. 491)

Gratidão à nossa família, esteio de todos nós, que nos ampara, sustenta e protege e que constitui nosso cadinho sagrado, que nos acolhe e com a qual podemos contar, especialmente nas horas difíceis, tantas vezes de angústia, de incerteza e de medo, comuns aos que na Terra nos encontramos. Família, célula-mãe da sociedade.

Gratidão aos amigos que temos e que estão conosco nas horas boas e nas horas ruins, nessas sempre dispostos a ajudar, apoiar e aconselhar, a fim de que encontremos uma alternativa, um caminho, uma solução para o problema ou a

dificuldade que estamos experimentando. Não por acaso, de há muito se afirma que quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro.

Gratidão aos bons professores que tivemos que, com empenho, esforço, dedicação, competência e paciência, transmitiram o conhecimento que detinham, a fim de nos formar e preparar para o trabalho profissional, e que, em seguida, deveríamos aplicar no cotidiano em sociedade, como contributo pessoal de cada um para o indispensável equilíbrio das relações humanas e sociais. Professor, a profissão que forma as outras profissões.

Gratidão pela veneranda Doutrina Espírita, registrada por escrito a partir de 18 de abril de 1857, através do magnífico e estupendo trabalho do Professor RivailAllan Kardec, nada obstante as condições muito difíceis e adversas, como, por exemplo, a inexistência à época da luz elétrica, tal como hoje a conhecemos [a lâmpada incandescente foi descoberta por Edson em outubro de 1879, pouco mais de dez anos após a desencarnação de Rivail-Kardec], razão pela qual, no período noturno, a redação era feita à luz de lamparina, lampião ou vela, iluminação, pois, muito deficiente.  E, como se não bastasse, a obra foi escrita à mão e com bico de pena. A despeito das dificuldades, trouxe verdadeira revolução no conhecimento humano ao demonstrar que a vida é uma só, desdobrada, porém, em várias existências; que todos somos Espíritos e assim, por ocasião da desencarnação, o corpo físico se decomporá e se transformará ou será cremado, mas o Espírito dele sairá sem sair da vida, retornando ao Mundo Espiritual de onde proveio; que todos somos Espíritos, de origem divina [criados simples e ignorantes (sem saber), cada um partindo do mesmo ponto inicial], imortais e indestrutíveis e, portanto, viveremos para sempre, no corpo físico ou fora dele.

Gratidão aos Espíritos Superiores, benfeitores da Humanidade terrestre, dirigidos e coordenados pelo Espírito Verdade, que transmitiram ao Professor Rivail, Allan Kardec, através de médiuns e colaboradores, e também com a sua importantíssima contribuição pessoal, intensa e sensata, essa obra magnífica, capaz de mudar por si o rumo da vida de todos nós, para melhor!

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