Jornal Mundo Espírita

Junho de 2017 Número 1595 Ano 85

Grandes educadores – Eurípedes Barsanulfo

O educador espírita

junho/2009

Eurípedes Barsanulfo nasceu em Sacramento-MG, a 1º de maio de 1880. Foi político, jornalista, professor e, até ter contato com a Doutrina Espírita (1903) e fundar o “Grupo Espírita Esperança e Caridade”, na sua cidade, secretário da Irmandade de São Vicente de Paula. Entre 1902 e 1910, foi vereador da Câmara Municipal de Sacramento. Como vereador, impulsionou a criação da escola laica, gratuita e obrigatória para todos.

Não se lhe conheceram textos pedagógicos ou sobre pedagogia, tendo sido um homem dedicado à prática e ao exercício da educação e do serviço ao próximo. Apesar de viver num século de grandes transformações sociais, culturais e políticas, Eurípedes Barsanulfo não teve acesso direto aos estudos filosóficos e pedagógicos de J. J. Rousseau, ou de J. H. Pestalozzi, mas, no entanto, vamos encontrar na sua ação pedagógica métodos, conceitos e objetivos muito similares.

Em 1907 fundou a primeira escola espírita que denominou “Colégio Allan Kardec”. O Colégio teve uma média de inscrições anuais de 100 alunos, com idades entre 7 e 16 anos, distribuídos por três cursos: primário (elementar), médio e superior. Como fundador e orientador do Colégio, desde 1907 até 01/11/1918 (data da sua desencarnação), Eurípedes Barsanulfo pôs em prática as seguintes inovações pedagógicas:

Turmas mistas de ambos os sexos; integração de alunos e professores de raça negra; horários flexíveis, adaptados às necessidades dos educandos, para que estes não perdessem as aulas; a duração das aulas variava entre 30 minutos a várias horas, podendo integrar conversas, debates e passeios; os professores eram todos voluntários; a equipe de professores, diretor, família, alunos, trabalhava em colaboração, não existindo hierarquias; não existiam aulas de Espiritismo, mas, sim, o estudo comparado das religiões, onde se estudava o Espiritismo; a avaliação era contínua, sobretudo oral, e os exames finais eram partilhados por toda a comunidade que era convidada a assistir; alunos e professores faziam visitas aos doentes e prestavam auxilio aos familiares, numa ação social permanente, integrada na educação proporcionada pelo Colégio; inexistência de prêmios (deveriam estudar por prazer e por dever) e castigos (reparação do erro em vez da repreensão); criação de debates coletivos sobre Deus, as guerras, a vida, a felicidade, as religiões, a pobreza, etc.

Para Eurípedes Barsanulfo os educandos faziam parte de uma grande família, e a escola era o complemento do lar. Como mais tarde escreveu uma ex-aluna, Corina Novelino: “As atividades do Colégio Allan Kardec estimulavam e atiçavam a curiosidade dos alunos. Eurípedes não queria alunos que obedecessem cegamente, mas que aprendessem a criticar, a questionar, a pensar”. Sem estudos superiores, Eurípedes deu aulas de Matemática, Geometria, Aritmética, Trigonometria, Ciências Naturais, Anatomia, Botânica, Zoologia, Geologia, Paleontologia, Português, Francês, Inglês, Castelhano, Latim, Astronomia e Química… conforme relatos dos seus alunos.

Eurípedes propôs uma pedagogia que respeitava a liberdade e a individualidade da criança, cuja aprendizagem nascia da ação, da experiência. Para orientá-la nesse processo, era essencial a figura do mestre amigo, do educador, que com o seu amor e incentivo, despertava nela a vontade de saber mais, e pelo diálogo, o desenvolvimento da inteligência. A sua preocupação não era só com o desenvolvimento físico, cultural, intelectual e moral da criança. Sendo a criança um espírito eterno, imortal, e tendo vivido antes, a educação devia promover a recordação da aprendizagem anterior, já feita, fazendo desabrochar as suas virtudes, a centelha divina que cada um traz dentro de si.

 

Para pensar na evangelização

Como evangelizadores, somos também como Eurípedes? Amigos dos evangelizandos, incentivando, respeitando e amando?

Assine a versão impressa
Leia também