Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

Grandes Educadores

Santo Agostinho

outubro/2008

Acesso à verdade pelo conhecimento e iluminação

 

Aurelius Augustinus, que passaria para a história como Santo Agostinho, nasceu em 354, em Tagaste (atual Argélia). Foi o mais influente pensador ocidental dos primeiros séculos da Idade Média.

Criou uma filosofia que, pela primeira vez, deu suporte racional ao cristianismo. Com seu pensamento, a crença ganhou substância doutrinária para orientar a educação, numa época em que a cultura helenística (baseada no pensamento grego) havia entrado em decadência e a nova religião conquistava cada vez mais seguidores, mesmo se fundamentando quase que exclusivamente na fé e na difusão espontânea.

Toda a reflexão de Agostinho parte da indagação sobre o conhecimento, introduzindo a razão, o pensamento e os sentidos humanos no debate teológico. O conhecimento seria a capacidade de concluir verdades imutáveis por meio dos processos mentais.

Como o homem é inconstante e sujeito ao erro, uma verdade imutável não pode provir dele mesmo, mas de Deus, que é a própria perfeição. Assim, o ser humano tem pensamento autônomo e acesso à verdade eterna, mas depende, para isso, de iluminação divina.

Se o bem vem de Deus, o mal se origina da ausência do bem e só pode ser atribuído ao homem, por conduzir erroneamente as próprias vontades. Se o fizesse de modo correto, chegaria à iluminação. A ausência do bem se deve também a uma quase irresistível inclinação do ser humano para o pecado ao fazer prevalecer os impulsos do corpo, e não a alma.

Suas duas obras, De Doctrina Christiana e De Magistro, apresentam a doutrina do mestre interior. A idéia é que o professor não ensina sozinho, mas depende também do aluno e, sobretudo, de uma verdade comum aos dois. Simplificando, o professor mostra o caminho e o aluno o adota; assim, o saber brota de seu interior.

Aos 76 anos, doente, percebendo que se avizinhava a morte, pediu que o deixassem a sós, para orar. Morreu na noite de 28 para 29 de agosto de 430.

Esse espírito foi convidado a participar da equipe do Espírito da Verdade e suas ponderações podem ser encontradas em vários momentos da Obra Kardeciana, entre eles em O livro dos espíritos (prolegômenos, questões 495, 919 e 1009), O evangelho segundo o espiritismo (cap. III, V, XII, XIV e XXVII), O livro dos médiuns (cap. XXXI, e XVI).

 

Para pensar na evangelização:

Um dos princípios agostinianos da educação é de que o mestre indica o caminho, mas só o aluno constrói (ou não) a informação.

Como evangelizador, você apenas transmite conhecimentos para um evangelizando passivo, ou você mostra o caminho, despertando neles o interesse e a vontade de buscar o conhecimento?

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