Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2020 Número 1633 Ano 88

Genialidade e mediunidade

janeiro/2020

Um novo ano se inicia e inauguramos uma nova coluna, que contemplará a genialidade porque, afinal, como escreveu Léon Denis, o gênio é uma das formas de mediunidade.

Os homens de gênio, os santos, os profetas, os grandes poetas, sábios, artistas, inventores, todos quantos têm dilatado o domínio da alma, são enviados do Céu, executores dos desígnios de Deus em nosso mundo.1

Esta coluna tem por objetivo exatamente isso: mostrar quantos missionários se espalharam e se espalham pela Terra, como poetas, pintores, músicos, literatos, produtores de peças teatrais, filmes etc.

Entre esses, recordamos do baiano Antônio de Castro Alves, nascido em 14 de março de 1847. Veio à Terra com uma missão definida e não a perdeu de vista.

Era já mestre consagrado na arte de poetar, era um Espírito que, no decorrer de múltiplas existências, cultivou o intelecto e enriqueceu o coração com as florações de elevados sentimentos; sua alma sensível e profundamente amorosa sabia muito bem qual o caminho que teria de trilhar, de maneira que sua pregação, na musicalidade de seus versos e na força de suas ideias, fosse… um cântico magnífico de fé na conquista da liberdade (…)2

Nasceu para versejar pela libertação dos seus irmãos, vítimas da ambição e da maldade. O seu canto era uma colaboração com o invisível, uma assunção da alma humana à Divindade.1

Foi profeta, pois em versos datados de 1869 (Fantasma e a Canção), descreveu o que ocorreria vinte anos depois, com o venerando Imperador D. Pedro II, destronado e banido a 15 de novembro de 1889.

Vaticinou, pelos idos de 1870 (O Livro e a América), que a supremacia do Novo Mundo não seria das armas, da política da economia, formadoras dos grandes impérios do passado, que se esboroaram todos como castelos de cartas: seria do livro, do espírito.2

Em 1868, escreveu a um amigo dizendo que Escravos estava quase pronto. É um canto do futuro, confidenciou. Vinte anos depois, na mesma serra do Cubatão da sua poesia, baluarte mais resistente da escravidão, ocorreu a revolta dos escravos, e a decretação pela Regência, em seguida, da abolição imediata.

Poeta da Abolição, foi um Espírito que ingressou nesta vida, auxiliado por reminiscências de anteriores experiências, em que haurira muitos conhecimentos e também por suas antenas psíquicas, que lhe permitiam constante intercâmbio com o Superior.

Escreveu: Fui apenas um bravo soldado na guerra da emancipação da Humanidade.

Desencarnou aos 24 anos de idade, vítima da tuberculose, que o abraçara desde os 15.

 

Referências:

1.DENIS, Léon. No Invisível. Rio de Janeiro: FEB, 1973. pt. 3, cap. XXVI.

2.SOARES, Sylvio Brito. Grandes vultos da Humanidade e o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1975. cap. Antônio de Castro Alves.

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