Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2017 Número 1601 Ano 85

Fraternidade

outubro/2017 - Por Antônio Moris Cury

Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, o substantivo feminino Fraternidade significa: 1. Convivência harmoniosa e afetiva entre pessoas. 2. Relação de parentesco entre irmãos; irmandade.

Este tema é consideravelmente extenso e está ligado a inúmeros outros, de tal modo que tentaremos abordá-lo somente por alguns ângulos, dentro dos limites de espaço estabelecidos para um artigo.

A fraternidade tem sido buscada de há muito no planeta Terra, tanto assim que o ensinamento maior de Jesus, o Cristo, nosso Modelo e Guia, a contempla de forma implícita em seu próprio enunciado: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, indicando que amar ao próximo como a si mesmo é fazer a ele o que gostaríamos que ele nos fizesse e, por isso, devemos procurar enxergar no próximo um irmão e tratá-lo sempre como tal, quando menos porque somos de fato todos irmãos, filhos do mesmo Pai Universal, apenas que nos encontramos na presente existência em posições e situações diversas, como pai, mãe, filho, tio, tia, avô, avó etc.

Para que não paire nenhuma dúvida, convém observar que o mesmo Dicionário citado, registra que o adjetivo Fraterno (que deriva de fraternidade) quer dizer: 1. Relativo a irmão; do irmão. 2. Que demonstra afeto, carinho.

Importante mencionar que frater, em latim (língua indo-europeia que foi falada no Lácio e em todo o Império Romano), significa irmão, assim como fratello, em italiano, também tem o mesmo significado. A propósito, vale destacar que a Casa Espírita fundada pelo eminente médium Raul Teixeira, com um grupo de companheiros de ideal espírita, em Niterói, Estado do Rio de Janeiro, recebeu o inspirado nome de Sociedade Espírita Fraternidade, assim como os livros por ele psicografados são lançados pela Editora Fráter Livros Espíritas.

Tais significantes denominações falam por si, dispensando, por isso mesmo, maiores considerações.

Por outra parte, apanhemos um exemplo do século XIX, o mesmo em que o Espiritismo foi registrado por escrito, através do magnífico e estupendo trabalho codificado pelo Professor Rivail, o nosso Allan Kardec, uma vez que o Espiritismo existe desde sempre (O Espiritismo não é obra de um homem. Ninguém pode inculcar-se como seu criador, pois tão antigo é ele quanto a Criação. Encontramo-lo por toda a parte, em todas as religiões, principalmente na religião Católica e aí com mais autoridade do que em todas as outras, porquanto nela se nos depara o princípio de tudo o que há nele,(…)).1

Na Revolução Francesa de 1879 o lema era: Liberdade, Igualdade, Fraternidade, que posteriormente foi citado em duas Constituições da França e que se mantém como ideal até os dias atuais.

Acreditamos que a grande maioria da população terrestre aspire pela convivência harmoniosa e afetiva entre as pessoas, pela fraternidade em si, que certamente tornará a existência de todos (os que agora nos encontramos neste planeta de provas e expiações) mais amena, mais harmoniosa, mais pacífica e, sobretudo, mais amorosa.

Como se vê, não é de hoje que tal pretensão existe. E é bem-vinda por todos os títulos, diga-se de passagem.

O Espírito Joanes, através da psicografia de Raul Teixeira, orienta: Desse modo, faça o melhor dos seus esforços para que o seu aprendizado, obtido aqui, configure a sua mais fecunda relação com o Pai que em você se aloja, que por você e por todos nós atiça as vagas imensas contra os penhascos e incendeia leitos de estrelas, cujo brilho se projeta sobre nós.

Ame e respeite o seu planeta. A nossa Terra é o campo excelente para que nos felicitemos trabalhando, incansáveis, no seio de Deus.2

Com efeito, estamos na Terra para aprender, progredir e nos aperfeiçoar, intelectual e moralmente, ao máximo que nos seja possível.

Se cada um de nós fizer a sua parte, e bem, sem dúvida haverá uma melhoria geral no planeta, um avanço moral, que poderá nos conduzir, mesmo que a pouco e pouco, a níveis melhores de entendimento, de tolerância, de compreensão, de convivência harmoniosa e afetiva, de carinho, de fraternidade em seu mais amplo sentido, de amor na mente e no coração.

Assim, de modo muito reduzido, seria a expressão da reforma íntima de cada um de nós, para melhor, uma das bandeiras do Espiritismo, para que deixemos o homem velho (ser humano) que insiste em nos acompanhar e, pior, prevalecer em nossas decisões, substituindo-o pelo homem novo (ser humano), com novas ideias e práticas, com novas postura e compostura, que procure ser útil onde quer que se encontre, e cada vez mais útil, que seja cumpridor da parte que lhe compete fazer, que a cada dia se torne melhor e, de modo muito especial, uma pessoa de Bem, voltada para o Bem e para a sua prática (O bem é o único dissolvente do mal, em todos os setores, revelando forças diferentes,3 afirma o Espírito Emmanuel, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier), com o que estará prestando o seu contributo para o avanço moral da Terra.

 

Bibliografia:

1 KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1974. pt. 4, Conclusão.

2 TEIXEIRA, J. Raul. Para uso diário. Pelo Espírito Joanes.  Niterói: FRÁTER, 1999.  cap. 1.

3 XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de luz. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 2005. cap. 62.

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