Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87
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Francisco Peixoto Lins – Peixotinho

junho/2015 - Por Mary Ishiyama

Todos temos nossa porta de Damasco. Saulo de Tarso precisou cair do cavalo para indagar: Senhor, o queres que eu faça?

Peixotinho adentrou pelas portas da mediunidade que, recém-aflorada e sem direção, lhe acarretou uma séria obsessão, deixando-o por cerca de vinte horas em estado cataléptico, quase sendo enterrado vivo. Ao recobrar a consciência, estava paralisado e assim ficou, acamado por seis meses. Amigos espíritas vieram em seu socorro com o Evangelho no lar, passe e água fluidificada, e o iniciaram no estudo das obras básicas.

Ao melhorar, passou a frequentar o Centro Espirita, sendo auxiliando no seu desenvolvimento mediúnico pelo grande tribuno Vianna de Carvalho, tornando-se um dos maiores médiuns de materializações luminosas.  Era, também, médium de cura, psicofonia e psicografia. Certa vez, três Espíritos atuaram concomitantemente por seu intermédio: com uma das mãos, Peixotinho psicografava mensagem de teor científico, com a outra, filosófica, enquanto transmitia uma mensagem psicofônica.

Aos dezesseis anos, Peixotinho desmaterializou-se diante de várias pessoas e materializou-se novamente, numa praia distante. Contudo, foi em 1944 que eclodiram os fenômenos de ectoplasmia (materialização).

Nas materializações, a chegada dos Espíritos era assinalada por clarões que lembravam relâmpagos de cor verde-roxo-azulado.

Sua vida como médium era singular, realizava transporte de pedras e cristais, de vários lugares.  O Espírito que realizava esse fenômeno,  raro e com o nome técnico de aporte, era José Grosso. Nas reuniões, o Espírito as atirava alegremente, sobre os participantes, chamando-os pelo nome, caindo a pedra diante da pessoa, sem molestá-la.

Outro fenômeno produzido por Peixotinho era a escrita direta, a pneumatografia, isto é, a escrita diretamente para o papel sem utilização de caneta ou lápis, ou da mão do médium. O Espírito Irmã Scheilla escreveu uma mensagem especular, que só pôde ser lida diante de um espelho ou do lado inverso. De outra vez, foram escritas duas mensagens em japonês, clássico e em dialeto popular.  A professora de japonês, presente à reunião, teve dificuldade em traduzir.  O Espírito Tongo, autor de ambas, se materializou diante da plateia e as traduziu.

Algumas materializações anteciparam recursos terapêuticos que eram desconhecidos na década de 1950, por exemplo, uma tomografia que ainda está em poder de um dos colaboradores do Grupo Espírita Aracy1; e outros que estamos longe de imaginar, como um aparelho que foi colocado sobre o peito de uma senhora. Os presentes puderam ver-lhe os órgãos internos. O Espírito, que a atendia, introduzia a mão através do aparelho e, ao retirá-la, seus dedos vinham cheios de um material escuro que era lançado ao ambiente e se dissolvia.

Rafael Américo Ranieri, em seu livro Materializações luminosas apresenta o trabalho deste médium extraordinário, contemporâneo de Francisco Cândido Xavier. Era maravilhoso, segundo Ranieri, ver o imenso carinho que os Espíritos tinham por Chico, a ponto de esquecer as demais pessoas na sala, algumas com títulos importantes, deixando claro que o que realmente vale é a figura moral e espiritual, acima das vaidades humanas.

Em determinada reunião, Ranieri e mais algumas pessoas foram convidadas, pelo Espírito materializado, a entrarem na cabine onde estava Peixotinho em transe. Depararam-se com o corpo iluminado de dentro para fora, luz verde, intensa, que espargia do plexo solar, podendo vê-lo por dentro como se fosse de vidro.

Magro, asmático, especialista em curar asma dos outros, Peixotinho mandava as receitas pelo correio e, quando as pessoas se curavam desejavam agradecê-lo, pessoalmente. Nunca ele permitiu pois  dizia que se o conhecessem, sua asma voltaria.  Ria ao dizer que ninguém iria entender que ele, como médium, curava a asma alheia e não curava a própria, que era cármica.

Era um carma negativo que havia adquirido como corsário nos mares das Caraíbas. Ele comandava um navio, assaltava navios e o prazer dele era apanhar as vítimas, costurá-las em couro molhado de animais e colocar ao sol, no convés. À medida que o couro ia secando, ia matando a pessoa, por asfixia.2

O gigante das materializações retornou à pátria espiritual, na madrugada do dia 16 de junho de 1966, nos braços de sua esposa Baby, embalado pelas vozes maviosas de seus amores, esposa e filhas, que entoavam o hino habitual para a harmonização das sessões:

Companheiro, companheiro, na senda que te conduz, que Deus te conceda a bênção, a paz da divina luz. 1

Com certeza, o homem que honrou a divina luz banhou-se nela ao ter atendido ao Senhor, o queres que eu faça?

 

1. VASCONCELOS, Humberto. Peixotinho centenário. Reformador, ano 123, n. 2118, set. 2005.

2. FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO PARANÁ. Roteiro de luz: Europa 2013. Curitiba, 2015.

3. FRANCISCO Peixoto Lins – Peixotinho. Universo Espírita, Cascavel, out. 1998.

4. LUCENA, Antônio de Souza. Minibiografia. Presença Espírita, Salvador, ano VI, n. 71, jun. 1980.

5. POSSEBON, Fabiano. Peixotinho e os efeitos físicos. Reformador, ano 120, n. 2075, fev. 2002.

6. RANIERI, R.A. Materializações luminosas. 3ª edição; ed. FEESP. São Paulo, SP, 1989.

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