Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2020 Número 1637 Ano 88
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Francisco Menezes Dias da Cruz

setembro/2020

Nasceu em 27 de fevereiro de 1853, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de Francisco Menezes Dias da Cruz e de Rosa de Lima Dias da Cruz.

Desde jovem, Dias da Cruz, filho, mostrava interesse pelas pessoas. Concluiu o Curso de Humanidades, no Colégio Pinheiro. Como seu pai, se formou em Medicina. Trabalhou com afinco para realizar um ideal de vida que era abrir uma clínica para atender os mais carentes. Seu pai desencarnou pouco tempo depois da formatura do filho.

Dias da Cruz, pai, era simpatizante do Espiritismo, quando as informações sobre as mesas girantes começaram a ser divulgadas no Brasil. Ele era jovem, recém-casado e ao lançamento de O livro dos Espíritos já era pai do pequeno Francisco. Não se tem notícias se atuou na Doutrina e se teria passado os ensinos ao filho. Mas, com certeza, o educou dentro da retidão moral e incentivo de ajuda aos necessitados.

A Homeopatia atraiu a atenção de Dias da Cruz, filho, que a estudou e trabalhou como homeopata a vida toda. Foi seu grande divulgador e defensor, em um período de descrença científica e severa oposição da medicina convencional.

No ano de 1900, reorganizou o Instituto Hahnemaniano do Brasil, criado por Saturnino Soares de Meirelles. Dias o presidiu de 1926 a 1930. Alugou uma casa no centro da cidade do Rio de Janeiro onde instalou o Instituto e o seu consultório.

Em 1901, relançou Anais de Medicina Homeopática, cuja interrupção se dera em 1884, e se tornou seu principal redator.

Fundada a Faculdade Hahnemaniana, em 1912, (atual Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) Dias da Cruz ali lecionou Farmacologia e Matéria Médica.

Em sua gestão como presidente, o Instituto patrocinou o 1º Congresso Brasileiro de Homeopatia, promovido e organizado por José Emygdio Rodrigues Galhardo.

Sua conversão ao Espiritismo se deu de forma interessante. Certo dia, chegou-lhe a informação de que seu pai, desencarnado, estava receitando medicamentos homeopáticos na Federação Espírita Brasileira – FEB, beneficiando muitas pessoas.  Eram comuns, à época, os médiuns receitistas. Naturalmente, houve incredulidade de sua parte. Também curiosidade, e ele resolveu verificar pessoalmente.

Em dia e hora aprazada, Dias da Cruz se dirigiu à FEB, ouviu a prece inicial, o desenvolvimento do estudo, e nada de seu pai aparecer. Propenso a acreditar que fora vítima de uma mistificação, propunha-se a se retirar, quando um médium entrou em transe e Dias da Cruz ouviu chamarem-no pelo nome, pedindo que se aproximasse da mesa porque seu pai desejava lhe falar.

Surpreso, ouviu, pela psicofonia:1 Você lembra daquele fato que ocorreu conosco, na praça tal? E, a seguir, revelou uma ocorrência só de ambos conhecida. Diante disso, o doutor Dias da Cruz sentiu chegada a hora de se render à inelutável evidência..

Passou a estudar a fundo o Espiritismo, tornando-se trabalhador espírita, homem de grande moral e humanidade, sempre preocupado em auxiliar o próximo. Usou sua profissão em prol dos doentes carentes, mas sabia que poderia fazer mais do que cuidar de corpos. Em 1885, realizou sua primeira palestra na FEB.

Em 1890, era seu vice-presidente e foi eleito presidente, em substituição a Bezerra de Menezes. Exerceu o mandato até 1895. Nesse período, deu-se início aos trabalhos de assistência material e espiritual aos necessitados, pela FEB.

Foi articulista, dirigente e presidente da Revista Reformador. Autor do livro O professor Lombroso e o Espiritismo. Foi o primeiro a articular a aquisição de um prédio próprio para a FEB e tipografia para a impressão do Reformador.

Mesmo com todo esse currículo de atividades, não faltava às reuniões e organizações que lhe eram facultadas, e na Federação Espírita Brasileira, junto com o Dr. Bezerra, prestava assistência aos carentes que vinham em grande número para serem consultados por essas duas figuras eminentes do Espiritismo. Sua eloquência em desenvolver os temas doutrinários fazia com que o auditório da Federação, no Rio de Janeiro, ficasse lotado, pelo envolvimento que o Dr. Dias produzia com sua tranquilidade ao relatar fatos sobre a vinda do Cristo à Terra.1

Francisco Menezes Dias da Cruz desencarnou em 30 de setembro de 1937, aos 84 anos, na cidade do Rio de Janeiro.

Porém, a vida de um grande homem não acaba com a morte física. Vamos reencontrá-lo, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier.3

Revelando o roteiro do bem, nele acertamos os próprios passos; consolando, somos por nossa vez consolados; ajudando, recebemos auxílio, e, acendendo a luz da oração para os que padecem, transviados na ignorância e na dor, temos nosso caminho iluminado para a obra de redenção que nos cabe realizar em nós mesmos.4

 

Referências:

  1. MIKOLA, Nádia. Uma Medicina Espiritual? Aproximações entre espiritismo e homeopatia – 1860-1910. 2012. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2012.
  2. WANTUIL, Zêus. Grandes espíritas do Brasil. Rio de Janeiro: FEB, 1981. cap. Dias da Cruz.
  1. XAVIER, Francisco Cândido; ROCHA, Arnaldo (Org.). Instruções psicofônicas. Por Espíritos Diversos. Rio de Janeiro: FEB, 1991.
  2. Op. cit. Adenda. Boletim de Serviço Espiritual – Grupo Meimei – II Ano – 31.7.53 a 30.7.54.
Assine a versão impressa
Leia também