Jornal Mundo Espírita

Abril de 2019 Número 1617 Ano 87

Foi num dia primaveril…

abril/2019

O livro tem sido o condutor das mentes e o mensageiro da vida.

Desde que nasceu a escrita, homens registraram o bom, o bem e o belo.

Alguns desses escritos se fizeram sagrados para a Humanidade.

As mais antigas civilizações contribuíram com sua sabedoria, dentre elas, Índia, China, Egito, Israel, para citar algumas.

Historicamente, ao lado do sagrado, se apresenta o conhecimento construtivo e sustentador da vida e, ao largo, o profano, o violento.

Páginas de luz, suplantando páginas envoltas em trevas.

A saga do Bem não tem sido fácil.

Lembremo-nos do crime contra a Humanidade, com a destruição da Biblioteca da Alexandria, onde se estima que abrigava entre 400 e 700 mil volumes. Algo que pode não parecer muito quando comparado com as coleções de algumas bibliotecas atuais, como a da Biblioteca Britânica, que conta com mais de 170 milhões de livros, e da Biblioteca do Congresso dos EUA, com mais de 164 milhões de tomos.

No entanto, é importante ter em mente que a Biblioteca de Alexandria reunia o conhecimento humano conquistado até então.

A veracidade dessa destruição por Amir, por ordem do califa Omar, em 642 d.C., apesar de muito divulgada, está longe de ser aceita por todos os estudiosos. Não importa, em verdade, quem foi o agressor, mas a História não esquece o grande mal provocado.

Antes, em 391 d.C., o famoso templo de Serápis (ornamentado com mármores, ouro e alabastro de primeira qualidade) que também possuía uma biblioteca, foi destruído, a mando do patriarca cristão Teófilo, que dirigiu um ataque aos templos pagãos. Todo o bairro onde se situava o templo, Rhaotis, foi incendiado.

No entanto, não se consegue segurar o alvorecer e a predominância da luz.

*

Despontava a primavera em Paris. Estamos na manhã de sábado, dia 18 de abril de 1857. A livraria do editor E. Dentu, dirigida por Edouard-Henri-Justin-Dentu, filho do senhor Dentu, desencarnado, e Mélanie Dentu, mãe de Edouard, abria suas portas, expondo por primeira vez a ousada novidade editorial: O Livro dos Espíritos, do senhor Allan Kardec.

Na Galerie d’Orléans (do séc. XIX) ficavam as livrarias Dentu (n. 13), do editor E. Dentu, e a Ledoyen (n. 31), que também editou várias das obras espíritas de Kardec, posteriormente.

Nesse dia, apresentava-se ao mundo a grande síntese do conhecimento e da sabedoria humana.

Os Espíritos, os autores do livro, anunciavam, em sua abertura, que haviam chegado os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de Sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.

Esclareciam que entre os Espíritos que concorreram para a execução desta obra, muitos se contam que viveram, em épocas diversas, na Terra, onde pregaram e praticaram a virtude e a sabedoria. Outros, pelos seus nomes, não pertencem a nenhuma personagem, cuja lembrança a História guarde, mas cuja elevação é atestada pela pureza de seus ensinamentos e pela união em que se acham com os que usam de nomes venerados.

Ficaram anotados alguns nomes a título de assinatura da abertura e do livro, propriamente dito, e dos outros livros que viriam logo mais: São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg.

Ao se consultar a obra, veremos que todas as verdades que um dia mãos criminosas tentaram abafar, com a queima da Biblioteca de Alexandria, e outras mais, foram inteiramente resgatadas. A sabedoria, tanto do Oriente como do Ocidente, reunidas numa só voz, continuariam fazendo luz, iluminando os caminhos da alma, rumo à redenção, ao encontro do Reino dos Céus, implantado na Terra pelas próprias mãos de Jesus.

Também os livros espíritas sofreram agressão da intolerância religiosa, quando, em 9 de outubro de 1861, em Barcelona, Espanha, foi promovida a queima em praça pública de uma remessa deles, que Allan Kardec havia enviado para uma livraria.

O tiro saiu pela culatra para os tais promotores da queima, pois a repercussão do feito se transformou em propaganda em favor dos livros, que tiveram grande busca, a partir de então.

Apóstolos, homens santos, pensadores, filósofos, cientistas, livros edificantes, ideias brilhantes sempre foram perseguidas, mortas e queimadas, ao longo da História.

Porém, não há obstáculo que resista à realização dos propósitos divinos na Terra.

O Livro dos Espíritos é novo marco de luz, indicando rumos para a glória das conquistas do Espírito.

Ele se apresenta como senha mestra, que nos permite retornar no tempo, acessar o conhecimento desde suas origens, e podermos identificar e compreender os passos reveladores da construção dos reais valores humanos, onde cada povo, cada mente lúcida depositou sua contribuição, nos beneficiando hoje.

Por isso, neste mês de abril, em 2019, com corações em festa, registramos mais um aniversário da chegada do livro-luz para a Humanidade, pelo que somos imensamente gratos à misericórdia divina que, ouvindo os apelos dos necessitados pedindo Jesus de volta, permitiu Seu retorno, pelas letras imorredouras da Doutrina Espírita, onde encontramos o Consolador Prometido, presente, redivivo, atuante e sendo vivenciado em Espírito e Verdade por todos os seres de boa vontade.

Ao dizermos que Ele voltou e formos perguntados por alguém: Quando?  Onde? – respondamos, presenteando-lhe um exemplar de O Livro dos Espíritos, berço do renascimento da esperança, estímulo à caridade que salva, revivenciando a Boa Nova de Jesus, o Cristo de Deus, que é o mapa do Caminho, as letras da Verdade, o vigor da Vida em abundância, plena de amor.

O Livro dos Espíritos – legítimo condutor das mentes e  mensageiro da vida.

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