Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Filipe Néri

julho/2015 - Por Mary Ishiyama

Deus, ao enviar Seus trabalhadores, não escolhe credo ou religião, simplesmente os envia, designa-lhes as tarefas e cada um realiza de acordo com suas aptidões. Assim foi no século XVI, com missionários como Teresa de Ávila e João da Cruz, que fundaram a Ordem das Carmelitas Descalças/Carmelitos Descalços.

Também o foi com Filipe Néri, fundador, em Roma, em 1565, de A Congregação do Oratório, hoje Confederação do Oratório (Confoederatio Oratorii Sancti Philippi Nerii), ou Ordem de São Filipe Néri. É uma sociedade de vida apostólica, para clérigos seculares, sem votos de pobreza e obediência, dedicando-se à educação cristã da juventude, do povo e a obras de caridade. 1

Filipe, nascido em Florença,em 22 de julho de 1515, viveu em uma época em que se dizia que a liberdade de consciência era um dogma diabólico, pelo que sofreu todas as represálias possíveis de uma sociedade, onde a seriedade de caráter era medida pela sisudez do homem. Ficou conhecido como O santo da alegria ou como o denomina seu biógrafo, Guilherme Sanches Ximenes, O sorriso de Deus. Foi beatificado pelo Papa Paulo V, em 1614 e canonizado pelo Papa Gregório XV, em 1622.

Viveu em um momento turbulento, período de reformas, de desobediência. Ele estava cônscio de que a Igreja precisava de reforma, mas dizia que a obediência é o caminho mais breve para a perfeição. Resignação sempre foi parte de seu caráter, não lhe faltaram dificuldades, canseiras e preocupações, mas Filipe Néri soube rir-se delas, porque buscava sempre o significado divino oculto em todas as contrariedades. 2

Aos dezoito anos, vai para Roma.  Após o dia de trabalho, saía em peregrinação solitária pelas sete principais igrejas da cidade, terminando nas catacumbas de São Sebastião, onde muitas vezes dormia. Tinha por hábito passar a noite em oração. Pregava em praça pública, nunca aos brados, mas de forma individual. Dizia: Então, caro amigo, quando é que começaremos a amar a Deus? 2

Muitas pessoas passaram a acompanhá-lo nas peregrinações e orações, nascendo assim o Oratório, que não era uma ordem religiosa. Ele mesmo não desejava ser padre. Acreditava que todos deveriam ser de Deus, e a vida ser uma oração. Em uma época de grandes preleções, ele era sucinto. Afirmava que para orar bem requer o homem inteiro, poucas palavras e vida de oração, ou seja, ação.

Sentia-se atraído para atender aos jovens e falava sobre a necessidade de se cuidar do frescor das virtudes. Dizia: Bem-aventurado o homem que leva o jugo do Senhor desde sua adolescência. 2

Filipe e os filhos espirituais, como chamava os que com ele trabalhavam, atendiam nos hospitais abarrotados, a infância desvalida nas ruas, os miseráveis moral e materialmente. Quando o discurso era de que somente os ricos e nobres tinham direito ao paraíso, ele pretendeu tornar a vida espiritual acessível e atrativa a todas as classes sociais. Ouvia confissões, sentado em praças públicas, tornando-se o Apóstolo da confissão.

Filas imensas se formavam à espera de um atendimento, um carinho, uma brincadeira que descontraía.

Extremamente severo para consigo, mas benevolente para os outros, sempre mostrou o melhor caminho para Deus. A uma mulher, que lhe confidenciou que fazia fofocas, ele sugeriu que ela fosse espalhando penas pela estrada e voltasse depois, recolhendo todas, dessa forma lhe tentando fazer entender a dificuldade em reparar o mal.

Para todos tinha uma palavra de amor e consolo. Sua atuação gerou problemas com a Igreja, uma vez que ele não era sacerdote e falava livremente de Jesus, dava o perdão e oferecia o céu a todos que se arrependessem e mudassem o rumo de suas vidas para o bem.

No entanto, para poder continuar sua tarefa, aos trinta e seis anos ordenou-se sacerdote e celebrou sua primeira missa em 23 de maio de 1551.

Foi um homem místico. O alemão Goethe chamava-o Meu santo, e escreveu uma crônica intitulada O santo humorista, na qual relata interessante episódio. O Papa ordenou a Filipe que verificasse da veracidade a respeito de uma freira, em determinado convento, que se dizia realizava milagres.

Ao chegar ao local, ele se identificou e pediu à freira que o descalçasse ao que ela reagiu, com cólera, dizendo não ser sua serva. Filipe escreveu ao Papa dizendo que ela não poderia operar milagres, desde que lhe faltava a primeira das virtudes cristãs, a humildade.

Filipe, que fez da oração a sua ação diária, morreu, aos 79 anos, em Roma, na Itália, na madrugada da festa de Corpus Christi, entre as pessoas que amava. Era o dia 26 de maio de 1595.

 

Bibliografia

1.http://pt.wikipedia.org/wiki/Congrega%C3%A7%C3%A3o_do_Orat%C3%B3rio

2.XIMENES, Guilherme Sanches. Filipe Neri – O sorriso de Deus. São Paulo: ed. Quadrante, 1998.

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