Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

Festividades no lar

abril/2015 - Por Alessandro Viana Vieira de Paula

Passamos a maior parte do tempo em nossa moradia familiar. É nesse local abençoado que convivemos com os nossos familiares, com quem temos compromissos assumidos na atual reencarnação.

Os Espíritos superiores nos ensinam que a família é uma instituição de cunho divino para que a vida se aprimore. Devemos analisar, periodicamente, como anda a qualidade das nossas relações no ambiente doméstico, que devem estar pautadas pela ternura e pelo diálogo, com o escopo de facultar-nos os melhores aprendizados.

Na atualidade, em virtude do materialismo vigente, há muita preocupação com os aspectos materiais do templo familiar.

Preocupamo-nos com as reformas periódicas da casa, tais como pintura, construção de novos cômodos, revisão da parte elétrica e hidráulica, sem falar nas mobílias e enfeites que embelezam a residência.

Com a acentuada criminalidade dos dias modernos, investimos em segurança para preservar o patrimônio, sendo que contratamos guarda-noturno, empresas de vigilância, seguro residencial e, quando possível, colocamos alarme e cerca elétrica.

Quanto investimento para cuidar do aspecto material da vivenda familiar! Registre-se que tais cuidados são importantes e devem fazer parte da pauta das nossas decisões familiares.

Todavia, à luz da veneranda religião espírita, temos que nos preocupar com o ambiente espiritual da nossa moradia.

Sabemos que as casas podem ser furtadas por ladrões oportunistas, mas também podem ser invadidas por Espíritos inferiores que desejam desestabilizar a vida daqueles que lá moram, ou podem ser pichadas por vibrações de má qualidade, que afetarão, num determinado grau, a saúde física e espiritual dos seus integrantes.

Dessa forma, uma das recomendações da Espiritualidade superior é a realização do Evangelho no lar, quando elegemos um dia e horário da semana para orar em família e fazer breve comentário do Evangelho ou de uma lição de cunho evangélico. Se não for possível a presença de outros familiares, faremos sozinho o Evangelho no lar, que deve durar em torno de dez a quinze minutos.

Tal hábito ajuda a manter as defesas espirituais do lar, em razão da renovação fluídica que promove, tornando mais difíceis as investidas dos Espíritos inferiores, ao passo que atrairá a presença dos benfeitores espirituais.

Entretanto, muitos indivíduos mantêm o hábito do Evangelho no lar e se esforçam por cultivar uma boa vibração pessoal, mas alguns descuidam da proteção espiritual do lar quando o assunto diz respeito às festividades.

São diversas as festividades que marcam as nossas vidas. Temos os aniversários, as festividades sazonais (Natal, Ano Novo, Páscoa), os casamentos, os jogos de futebol e as festas ocasionais.

Será que temos nos preocupado com a sujeira espiritual que ficará em nossa casa após o término da festividade?

Trazemos à baila a exortação do Espírito Camilo, que consta da obra Minha Família, o Mundo e Eu, no capítulo Em tuas festas familiares, psicografada pelo médium Raul Teixeira.

O benfeitor nos alerta para o fato de que cada indivíduo, pelo seu modo de pensar, agir e ser, porta consigo o campo psíquico que é capaz de gerar, de tal sorte que sua produção espiritual influenciará o local onde esteja.

Esse alerta nos faz pensar se temos tido o cuidado necessário ao escolher as pessoas que levamos para dentro de nosso lar.

Camilo assevera que: Se anelar comemorar qualquer uma das datas de boa evocação familiar, guarda cuidado com os tipos de pessoas que albergarás sob o teu teto, dando-te conta de que cada uma delas deixará impregnada no psiquismo do teu lar a sua contribuição vibratória, seja de boa ou má qualidade.

O espírita, pelo conhecimento haurido, deve ter mais responsabilidade nas festas que realiza, evitando exibir-se para os pares sociais, abarrotando a mesa de comidas e guloseimas, que depois irão parar no lixo.

Da mesma forma, não devemos ofertar bebida alcoólica nas festas que realizamos e não devemos permitir que os convidados tragam à nossa casa, pois estamos cientes dos malefícios físicos e espirituais que esse hábito gera, não nos preocupando se determinadas pessoas não estarão presentes na festividade por conta dessa exigência. As pessoas devem vir à nossa casa não em função dos apelos do álcool, mas em razão da festividade ou pela conversa agradável.

Ademais, convém registrar que até o nível das conversas terá importância na boa ou má vibração que ficará em nossa moradia familiar.

Camilo ainda nos orienta: Com a mente encharcada de alcoólicos e o estômago cumulado de graxas e de temperos, mais fácil será o estabelecimento dos contatos mentais com desencarnados em situação precária, em sentido moral. O teu lar passará, então, a acolher entidades vinculadas aos teus convivas que, por sua vez, derramarão miasmas em teu ambiente familiar, no seio do teu lar, causando alterações significativas àquele clima espiritual que desejaste envolvesse os teus dependentes afetivos, em casa. É comum que, passadas tais festas, irrompam depressões, irritações e aborrecimentos por nonadas, que podem redundar em lamentáveis incidentes ou em dolorosos acidentes.

A observação de Camilo deixa claro que os convidados viciosos irão embora, mas deixarão sua marca psíquica no lar, isto é, suas vibrações de má qualidade, que poderão atrair a presença de Espíritos equivalentes.

É lógico que, numa festa, mesmo sem bebida alcoólica ou comida exagerada, poderá vir um convidado que cultive péssimos pensamentos, mas o importante é que nós, os cristãos, que estamos promovendo a festividade, não contribuamos, direta ou indiretamente, para essa ocorrência infeliz ao permitirmos o álcool, o exagero alimentar ou a conversa leviana.

Quando temos um lar equilibrado e não contribuímos para as citadas ocorrências indesejadas, certamente as vibrações de má qualidade eventualmente deixadas em nosso lar não encontrarão ambiente de sustentação e serão dispersadas ou anuladas.

Consigne-se que semelhante advertência consta do livro Vereda Familiar, do Espírito Thereza de Brito, também pela psicografia de Raul Teixeira.

A querida benfeitora aduz que devemos nos preocupar com a aura vibratória da família, acautelando-nos quanto às formas de comemorações que venhamos a adotar, sob pena de abrirmos as portas vibratórias de nossa habitação às mentes viciosas, encarnadas ou desencarnadas.

Thereza de Brito também salienta que devemos evitar o estridor dos sons perturbadores que, aliás, significa respeito aos nossos vizinhos.

Todas essas cautelas, diz ela, evitará a vergonha do dia seguinte e deixará uma boa orientação aos nossos filhos.

Aliás, muitos filhos aprendem a consumir bebida alcoólica nas festividades do lar, sendo que os pais assumirão, por conta disso, compromisso perante as leis divinas.

Muitos poderão pensar que, diante dessas orientações, as nossas festas ficarão sérias e sem graça, mas é possível alegrar-se de forma saudável, mantendo o riso, a música e a boa conversa. Vejamos a observação do Espírito Camilo na citada obra.

Deves, sim, abrir as portas do teu reduto familiar e receber os amigos e amores da tua alma, com o propósito de sorrir, cantar e de fortificar os laços do bem-querer e da fraternidade, sempre louvando o Criador pelo que te motivou à festividade, sem que te condenes com a tua realização. Que os teus convidados, assim, comam e bebam, que cantem e bailem – pois tudo isso compõe o mosaico da tua existência terrestre -, porém, resguarda o teu lar dos escândalos e das impregnações aviltantes, quando se misturam os fluidos desarmonizados dos encarnados e dos desencarnados, que se poderão tornar venenosas poções a danificar os projetos de vida feliz que trouxeste para a Terra, por causa das tuas impensadas festas.

Reflitamos e que possamos ter mais vigilância na proteção espiritual do nosso reduto familiar, em nome da paz e da felicidade que desejamos para nós e para o mundo, em clima de fidelidade aos ensinos morais trazidos por Jesus, o Modelo e Guia de nossas vidas.

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