Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Federação Espírita do Paraná na comemoração dos 150 anos de O livro dos espíritos

maio/2007

Foram 14 anos de trabalho intenso para a construção de uma nova ciência, sobre fenômenos que até então não tinham recebido a perspectiva séria que ele lhes conferiu. Em meio à moda das “mesas girantes e dançantes”, aos ruídos e batidas que divertiam a sociedade da época, Allan Kardec ousou olhar mais além – impulso natural do homem de ciências – e viu que naqueles fenômenos havia algo desconhecido, que merecia atenção especial.

Este panorama da construção do Espiritismo, sob a perspectiva de Allan Kardec, foi a maneira que Cosme Massi encontrou para exaltar o papel essencial do Codificador, no estabelecimento do Espiritismo, cujo marco foi a publicação de O Livro dos Espíritos, em 1857. O Teatro da Unicenp, em Curitiba, ficou lotado, no dia 18 de abril – exatos 150 anos da primeira edição da obra – para elevar homenagens de gratidão àquele que trouxe ao campo da certeza científica as questões primordiais da vida humana.

O evento, promovido pela Federação Espírita do Paraná – FEP, contou com a presença do Dr. Alberto Garcês Duarte Filho, Chefe de Gabinete da Secretaria Municipal de Administração, representando o prefeito Beto Richa, de Curitiba.

Cosme iniciou sua exposição explorando esse primeiro contato de Kardec com as “mesas girantes”. Segundo o palestrante, “as pessoas, àquela época, costumavam fazer perguntas fúteis, que nem sempre eram respondidas com inteligência. Procuravam saber sobre o futuro, sobre a sorte, tesouros escondidos, relacionamentos amorosos, e assuntos dos mais variados tipos, aos quais evidentemente acudiam espíritos zombeteiros da mesma sintonia dos presentes”, afirmou.

Em seguida, destacou os primeiros passos do Codificador, ao verificar que os fenômenos não se tratavam de fraude, passando a levantar as possibilidades de explicação. Outras teorias surgiram, mas expuseram as próprias deficiências gradativamente. “A grande sabedoria de Kardec foi construir uma teoria científica muito sólida, que poderia explicar todos os fenômenos conhecidos à época, dando exemplo sobre como é possível construir uma ciência sólida que perdura por 150 anos, sem que novos fenômenos a tenham falseado”, explicou.

A publicação de O Livro dos Espíritos contribuiu também para a consolidação do Espiritismo, pois Kardec passou a receber mensagens de vários outros grupos, não só da França como de outros países, muitas delas anteriores à publicação da obra, cujas idéias convergiam para as respostas que Kardec houvera publicado. Essa troca de mensagens foi fator essencial, segundo Cosme, para a comprovação do método experimental desenvolvido por Kardec e documentado em O Livro dos Médiuns.

“Graças ao trabalho de Allan Kardec, podemos hoje deixar de lado os nossos medos – da morte, da violência, da destruição da matéria – e comunicar-nos com os espíritos com a segurança de quem pratica uma ciência, tendo a certeza de que a nossa essência, a alma, é indestrutível”, concluiu.

Após a palestra, sempre sorridente, Cosme permaneceu à disposição dos presentes para os cumprimentos e os autógrafos, especialmente no livreto de sua autoria, editado pela FEP: Sobre o ensino da Doutrina Espírita.

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