Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2019 Número 1625 Ano 87

Federação Espírita do Paraná homenageia Raul Teixeira

janeiro/2013 - Por Maria Helena Marcon

Raul, você foi até nós, no Paraná, durante trinta e sete anos. Justo é que, agora, venhamos a você, para lhe prestar esta homenagem.

Com estas palavras, o Presidente da Federação Espírita do Paraná – FEP, Luiz Henrique da Silva, iniciou sua fala alusiva à homenagem que a Instituição lhe prestou, no dia 15 de novembro de 2012, na sede da Sociedade Espírita Fraternidade – SEF, em Niterói, RJ.

Presentes ambos os Vice-Presidentes da FEP, Francisco Ferraz Batista e Reginaldo Araújo, além de José Virgílio Goes, Diretor do Departamento de Expansão do Movimento Espírita; Maria Helena Marcon, Assessora da Comunicação Social da Presidência e Marco Antonio Negrão, representando os funcionários da FEP, além de convidados vindos de Amparo e Itapetininga (SP), Salvador (BA),Volta Redonda e Nova Iguaçu (RJ) e de Curitiba (Sociedade Espírita Renovação), trabalhadores e frequentadores da SEF.

Luiz Henrique falou do respeito e carinho que o Paraná Espírita tem por Raul, dos grandes serviços prestados ao Movimento Espírita do Estado e lhe fez entrega de uma placa, explicando que a homenagem faz parte da comemoração dos 110 Anos da FEP, ocorrida a 24 de agosto último.

Dada a impossibilidade de comparecimento de Raul a Curitiba, na oportunidade, marcou-se esse dia para a entrega.

Raul, emocionado, recebeu a placa e o abraço do Presidente, que passou o microfone à Assessora de Comunicação Social para dizer da justa homenagem ao trabalhador que, desde o ano de 1974, visita o Paraná, participando intensamente do Movimento Espírita.

Lembrou que, no ano de 1990, quando a FEP retomou a realização das Confraternizações de Juventudes Espíritas, foi Raul Teixeira o coordenador das atividades que se estenderam dos dias 13 a 15 de abril.

Recordou da sua participação no 1oSimpósio Paranaense de Espiritismo, na 1a Conferência Estadual Espírita, no 1o Encontro Estadual de Espiritismo do Interior do Paraná, no 1o Encontro Estadual de Coordenadores de Juventude do Paraná, além dos Encontros de Dirigentes Espíritas – ENDESP e Encontros de Trabalhadores Espíritas – ENTRADESP, esses dois últimos promovidos pela Inter-Regional Noroeste. Disse da sua presença regular, ano a ano, em tantos eventos e de como ele fez a diferença para o Movimento Espírita Estadual, com sua orientação precisa e oportuna.

Discorreu sobre sua coordenação primorosa no programa televisivo Vida e Valores, que foi ao ar pela primeira vez em 2 de julho de 2006, pela CNT – em Curitiba e Londrina, simultaneamente. Foram duzentos e dez programas gravados.

Por fim, disse do amigo Raul, do irmão, do espírita. Do seu exemplo, na perseverança e paciência por sua recuperação, após o Acidente Vascular Cerebral – AVC, sofrido em 14 de novembro de 2011. Um ano da nova vida, falou Maria Helena. Que data oportuna para estarmos aqui, comemorando com o amigo este aniversário!

E depois, detalhou de homenagem anterior feita a Raul e que consta no livro Momento Espírita, volume 8 (2009) e no CD Momento Espírita, volume 18 (2011), edições FEP. Provocando ora muita emoção, ora risos da plateia, falou das saudades de um menino:

Ah, minha mãe, quanta saudade! Eu não tinha mais que quatro anos, quando você partiu, deixando meu pai na viuvez e eu na orfandade.

Sua ausência desencadeou profundas alterações em minha vida.

Não foi somente o aconchego de mãe que me faltou. Também deixei a casa que me era lar, para ser atendido por minha avó e minha madrinha.

Tudo mudou. O infarto que te frustrou a vida física, frustrou-me os sonhos de menino despreocupado.

Quando todos os colegas de classe reclamavam de suas mães, eu somente tinha a reclamar da ausência de mãe.

Busquei-te em muitas mães, tentando encontrar alguém que me pudesse dar o carinho maternal que eu idealizava.

Nessa, que me recebia no lar, no final de semana, junto ao seu próprio filho, percebia que havia disciplina em demasia.

Eu desejava comer ovos, muitos ovos, pois, menino, adorava o sabor das gemas moles.

Entretanto, naquela casa havia uma norma: ninguém, ali, podia comer mais do que um.

Um somente. Não porque não os houvesse ou fossem escassos, mas porque a senhora tinha medo de um tal de colesterol.

Eu não podia entender, mas sabia que aquela não poderia ser minha mãe. Porque minha mãe deixaria eu satisfazer a vontade de menino guloso.

Noutra, que me acolheu em alegre feriado, pensei encontrar a mãe anelada.

Contudo, logo descobri, quando desejei ter tempo livre para o descanso, que ali havia uma outra norma: trabalho.

E trabalho pesado: capinar todo o terreno. E, minha memória de menino recorda que era enorme, quase interminável.

Com certeza, minha mãe me deixaria descansar, gozar o lazer e ainda me prenderia em seus braços um tempo longo.

Ah, minha mãe, quanta saudade nos dias de festas da escola, quando compareciam todas as mães, menos a minha; nas vitórias escolares, nas recepções de menção honrosa, que outras mães comemoravam, aplaudindo seus filhos, menos a minha; nas festividades do Dia das Mães, quando todos confeccionavam cartões, mimos para as suas mães e podiam surpreendê-las, menos eu.

Como desejei teus abraços. Quantas noites chorei a tua ausência.

Aprendi que a vida continuava, para além do portal da morte. Mas, se era assim, por que você não vinha me abraçar, rompendo a barreira entre o mundo invisível e o material?

Sim, tive o carinho da avó, que me acalentou. Mas eu queria um colo de mãe.

Vovó fazia o que podia, no cansaço dos seus anos e nas condições de que dispunha.

Eu desejava comer pão com manteiga e queijo. Vovó me dizia que devia escolher: ou uma ou outro.

E eu pensava: Se fosse minha mãe, eu poderia comer os dois.

Idealizei-te sempre mais bela e mais terna do que minhas próprias lembranças apontavam.

Esperei-te a cada dia e em todas as noites do meu crescer sozinho, vencendo os anos da infância, da adolescência, da juventude…

Depois, Goes serviu-se de alguns minutos para narrar a primeira viagem doutrinária de Raul a Manaus, quando então era Presidente da Federação Espírita do Amazonas, recordando do jovem e estudioso espírita, que a todos conquistou.

O agradecimento de Raul se fez em sete minutos em que, vencendo as dificuldades, expressou-se, de forma corajosa:

Desejo agradecer a Jesus esse exército de amigos que vocês são. Quero agradecer a toda a Diretoria da Federação Espírita do Paraná e quero dizer aos amigos que o Paraná, para mim, é minha segunda casa.

De todos esses anos em que falei no Paraná, tenho amigos, mães, pais, tenho irmãos. Agora, com esse exemplo maravilhoso que vocês me dão, só resta eu pedir ao Papai do Céu para que a Federação Espírita continue esse trabalho para a grandeza do Espiritismo.

Eu quero, em nome da SEF, abraçar a todos vocês aqui. Estou contente. Já faz um ano que vocês assistiram a minha doença. Para mim, essa expiação é Deus verdadeiro.

Eu estou nas mãos de Deus. Quando Ele quiser, eu falarei. Quando Ele quiser, eu viajarei. Quando Ele quiser, trabalharei como trabalhei todos os dias da minha vida.

Já falei muito sem poder. Então, quero agradecer a todos que vieram aqui. Deus guarde todos vocês, a família, o centro, a vida de vocês.

Eu tenho só que agradecer: Obrigado, obrigado, obrigado.

Os aplausos foram demorados, com todos de pé, numa grande ovação ao trabalhador, ao espírita verdadeiro, ao amigo e irmão.

Por mais de hora, o recinto ainda ficou repleto para os cumprimentos a Raul, as fotos e o fraterno coquetel preparado pelos amigos da SEF, com direito a bolo pois, afinal, se tratava de um significativo aniversário de Raul.

 

Visita ao Remanso Fraterno

No dia 14 de novembro, fraternalmente recepcionada por amigos da SEF, a caravana da FEP, à qual se incorporou Alessandro Viana de Paula, orador espírita de Itapetininga, SP, realizou visita ao Remanso Fraterno, na Várzea das Moças, bairro situado cerca de 25 km do centro de Niterói.

Para alguns era a primeira visita, para outros um retorno. Mas, todos ficaram encantados com essa obra social mantida pela SEF, que atende a comunidades dos municípios de Niterói, São Gonçalo e Maricá, através de programas de educação, saúde e acolhimento familiar.

O coração do Remanso é o Núcleo Educacional Professora Clélia Rocha, uma escola de tempo integral, que atende em torno de duzentas e cinquenta crianças, entre dois e dez anos. Além do acesso à educação de qualidade, é também fornecido todo o apoio material para que a criança possa usufruir das oportunidades de um ambiente escolar, com refeições balanceadas, material escolar, uniformes, acesso a bens culturais e atividades de lazer.

Seu funcionamento se dá em estreita articulação com os demais programas, projetos e grupos atuantes no Remanso Fraterno, como Acolhimento Familiar, que atende a crianças, jovens e adultos, preferencialmente mães e pais de alunos do Núcleo, de baixa renda e em situação de vulnerabilidade social.

O Remanso oferece ainda programa de Saúde Integral, que compreende a prevenção, promoção e recuperação da saúde, incluindo a bucal. Tudo é absolutamente ofertado de forma gratuita, sem qualquer tipo de cobrança, seja na forma de taxas ou de mensalidades.

Segundo a diretora do Remanso Fraterno, Professora Teresa São Thiago, todos esses trabalhos se tornaram possíveis, graças a seres humanos solidários, que se mostraram dispostos a colaborar para a construção de uma sociedade mais justa e harmoniosa para todos.

As despesas, como se pode deduzir, são volumosas, incluindo pagamento de professores e funcionários, além dos custos com o fornecimento de alimentação balanceada, tratamento odontológico, atividades culturais e de lazer.

Confidenciou Teresa que nada é exigido da criança ou da família para a participação em qualquer das atividades ou serviços.

Se pedirmos R$ 1,00,  é possível que alguma criança fique excluída porque a família não dispõe desse recurso. Por isso, tudo é absolutamente gratuito, ratificou.

O local parece um pedaço do paraíso, aberto em meio à exuberância da mata, das árvores frutíferas, das flores em profusão e da alegria da criançada, no período do recreio e nas salas de aula, que foram visitadas.

Ocupando um terreno de aproximadamente 50.000 m2, com área construída de 3.000 m2, distribuída em quatro prédios, dispõe de refeitório, cozinha, padaria, dez salas de aula, lavanderia, biblioteca, sala de música, sala de informática etc.

O Remanso conta com um grupo de voluntários e descobrimos o entusiasmo das crianças aprendendo alemão, vimos o trabalho artístico nas portas de cada sala, execução dos próprios alunos que elegem, a cada ano, o tema (preservação do meio ambiente, a natureza, os animais), os mosaicos, os cartazes, os bonecos representando o folclore nacional.

Quanta riqueza! Quanto trabalho!

Chamou-nos a atenção o bambuzal, que é denominado Catedral de Bambu, pela forma circular em que se apresenta. Segundo as informações espirituais, é ali o elo de ligação principal da Instituição ao Plano Superior.

Ao nos despedirmos, deparamo-nos na saída com as crianças à espera do ônibus escolar que as levaria de retorno aos seus lares: em seus rostos, sorrisos; em seus gestos, a inquietude e alacridade próprias da infância. Pareciam um bando de pássaros preparando-se para voltar ao ninho, depois de horas de estudo, brincadeiras, aventuras e muito carinho de professores e voluntários.

E tudo começou com um jovem espírita que agregou, em nome do Amor e da Doutrina, outros tantos jovens e pessoas idealistas, dispostas a erigir, na Terra, um cantinho do céu para os filhos do Calvário.

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