Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2017 Número 1601 Ano 85

Federação Espírita do Paraná – 115 anos

agosto/2017

Recém havia aportado na Terra a nau do grande desbravador do Continente da Alma – Allan Kardec, o Arauto do Evangelho Restaurado -, conduzindo o precioso repositório da nova Doutrina, consubstanciado no pentateuco do Espiritismo, esse cântico revivificante do Cristianismo que traz Jesus de volta. De imediato, adeptos da Doutrina Nova despontaram em variados lugares do mundo, inclusive no Brasil.

Na terra do Cruzeiro do Sul, o Paraná não deixou de ser premiado com os livros da Codificação Espírita, trazidos pelos comerciantes internacionais de então, como sendo preciosidade garimpada na Europa.

Foi tal o despertar e frutescer dessas sementes de luz que, em 24 de agosto de 1902, apenas 34 anos depois de concluída a síntese doutrinária espírita com a publicação do livro: A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo, em janeiro de 1868, em Paris, França -, espíritas reuniam-se em Curitiba, para a fundação da Federação Espírita do Paraná.

Estava lançada a pedra fundamental do edifício do Movimento Espírita Paranaense, com o compromisso de propagar as mensagens da Boa Nova, agora com as letras do Espiritismo, que chegava à Terra pelas mãos dos Imortais, como resposta dos Céus aos apelos dos corações sofridos e amargurados da Humanidade.

E pudemos ouvir com os ouvidos d’alma:

Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal. Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da Humanidade e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis.”

Era a Luz Mirífica que voltava a iluminar, como o sol do meio-dia, as estradas da redenção, e, como Celeste Jardineiro, Ele voltava para reflorir os caminhos conducentes ao Reino do Céus.

Há 115 anos que se vê, altaneira, a árvore do Evangelho Restaurado, com sua extensa galhagem e farta ramagem – que são os múltiplos núcleos espíritas espalhados pelos quatro cantos do Estado -, abrigando os homens do calor escaldante da jornada redentora, ofertando-lhes frutos revitalizadores da esperança, do ânimo e da coragem, dizendo aos caminhantes da eternidade, que somos todos nós, coração a coração: Desistir jamais. Prosseguir sempre. Jesus, nosso guia e modelo, é O Caminho, A Verdade e A Vida.

A Federação Espírita do Paraná, Semeando a Boa Nova para um mundo melhor, vem sendo forjada nesses seus 115 anos, em têmpera de aço, pelo trabalho, pela solidariedade, pela tolerância, pelo ardor dos corações apaixonados pelo Cristo, daqueles que não mediram esforços, que não titubearam em suas convicções, que não se incomodaram com o suor do trabalho, que não se constrangeram em derramar lágrimas, que não se intimidaram diante dos desafios, que não se acovardaram quando frente a perseguições e problemas, para que a semeadura sacrificial de ontem resultasse em fruto providencial hoje.

A sua é a bandeira do amor e da paz, seiva vital da grande árvore da esperança, revigorada pelas boas notícias do Consolador prometido.

Jesus é a porta. Kardec a chave.

Enquanto Jesus nos repete: Eu Sou a Luz do Mundo.

Kardec nos diz: Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.

Enquanto Jesus nos lembra: Eu Sou o Pão da Vida.

Kardec esclarece: Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.

Enquanto Jesus nos ensina: Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.

Kardec conclui: Verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa.

Enquanto Jesus nos conclama: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Kardec reproduz o ensino do Espírito Verdade: Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.

A saga da Federação Espírita do Paraná, com seus 115 anos, está apenas começando, do mesmo modo que o Espiritismo na Terra, com seus 160 anos, é Sol Nascente.

O Espiritismo é obra de Deus, trazida à Terra por Seu Filho.

O Movimento Espírita é obra dos homens, o que nos recomenda atenção e zelo para que as nossas atitudes não venham comprometer o programa superior, que no momento repousa em nossas débeis e agitadas mãos.

Escultores da Nova Era, cabe-nos a responsabilidade de esculpirmos a pedra bruta dos corações humanos – que é verdadeiro Camafeu Abençoado que aguarda ser bem trabalhado por mãos abnegadas -, com o escalpelo do amor, lapidando ali, em alto relevo, a duradoura imagem de Jesus.

Pelos 115 anos de realizações nobres e pelas alvíssaras do tempo do porvir, os Espíritas Paranaenses, dizemos, em uma só voz:

Ave, Allan Kardec! Artífice da Restauração do Evangelho, reconhecidos, nos mantemos na construção de um mundo novo, sobre os alicerces que você nos legou.

Ave, Jesus! Meigo Rabi, nosso Sol de Primeira Grandeza, os que O  amamos, aqui permanecemos a Seu serviço, nosso Grande Amigo.

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