Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2020 Número 1637 Ano 88
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Fátima Jama Jibrell e o prêmio Campeões da Terra

julho/2020 - Por Mary Ishiyama

Champions of the Earth é um prêmio criado pela ONU – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, que reconhece líderes ambientais do setor público, privado e da sociedade civil.

A ganhadora do prêmio de 2014 foi a ambientalista da Somália, Fátima Jama Jibrell. Ela é a primeira mulher, desse país, a receber o prêmio.

O prêmio é por sua luta contra o comércio ilegal de carvão vegetal. Nos últimos 20 anos, Jibrell mobilizou recursos locais e internacionais para proteger o modo de vida pastoral da Somália e o ambiente frágil do qual muitos meios de subsistência dependem, disse Achim Steiner, diretor executivo do PNUMA.

A Somália está localizada na porção mais oriental do continente africano, conhecido como Chifre da África. O território somali foi dominado por diversas nações que controlaram algumas cidades do país. Conquistou a independência em 1960. Ao longo de sua primeira década de independência foi conduzida por um governo de orientação democrática. Isso até 1969, quando o general das Forças Armadas, Mohamed Siad Barre, promoveu um golpe de Estado que o transformou em líder máximo do país, nos vinte anos seguintes, sendo destituído em 1991. Essa situação deflagrou, em 1990, uma guerra civil entre clãs rivais em luta pelo domínio do poder nacional.

No meio de tudo isso, a miséria e a fome. Somente em 2008, um acordo de cessar fogo conseguiu empreender relativa paz.

Nesse pequeno país, nasceu Fátima Jama Jibrell, em 30 de dezembro de 1947, de família nômade. Seu pai era da marinha mercante, se estabeleceu em Nova York, Estados Unidos.

Jibrell se casou com o diplomata Abdurahman Mohamoud Ali. Constituiu família, conseguiu cidadania norte-americana. Poderia seguir sua vida de forma tranquila e segura, mas seu coração nunca deixou sua terra natal.

Preocupada com a situação alarmante de seu país, Jibrell voltou para a Somália. Com seu marido e amigos, fundou a Organização de Desenvolvimento e Assistência do Chifre da África – Horn of Africa Relief and Development Agency, organização destinada a auxiliar mulheres, jovens e pastores da cidade de Badhan.

Teve tal êxito que, em 1991, ampliou seu raio de ação passando a chamar-se ADESO, entidade sem fins lucrativos, que opera no Sudão do Sul, Somália e norte do Quênia, levando justiça social e ambiental em regiões e comunidades divididas por guerras.

Fátima é cofundadora da Sun Fire Cooking, que objetiva a introdução de fogões solares na Somália, de modo a reduzir a dependência de carvão vegetal como combustível.

Jibrell foi fundamental na criação da Coalizão de Mulheres pela Paz, para encorajar maior participação das mulheres na política e questões sociais.

Por meio da ADESO, foi criada uma campanha para salvar florestas antigas de acácias que crescem até 500 anos e estavam sendo cortadas para produzir carvão, chamado ouro preto.  Esse desmatamento leva à degradação e desertificação.

Em 1999, foi realizada uma Marcha pela Paz, na região de Puntland, nordeste da Somália, para pôr fim às chamadas guerras de carvão. Todo o trabalho é de base, visando incentivar e conscientizar as comunidades locais sobre a necessidade de preservação e reflorestamento, restauração hídrica, do solo, das pastagens para alimentação do gado, melhorando a alimentação da população.

Segundo Fátima os leões que rondavam sua infância foram substituídos por uma ameaça mais feroz: a economia global.

Pelo Programa Pastoral da Juventude da ADESO, milhares de jovens foram capacitados para melhor conservar recursos ambientais e se tornarem autossuficientes, através de meios de subsistência rurais aprimorados.

No decorrer dos anos, o órgão tem ajudado mais de um milhão de pessoas, graças às suas ações humanitárias e de desenvolvimento.

Fátima voltou a viver no seu país com o objetivo de ajudar. Convenceu o governo regional a proibir a exploração e exportação de carvão, ajudar as pessoas a construir barragens de rochas para diminuir o fluxo de água e solo para o mar; auxiliar a utilizarem a energia solar e outras fontes de energia alternativa; educar pessoas nas áreas rurais, incluindo nômades, a novas habilidades e maneiras de conservar e preservar o meio ambiente.

Em 2008, Jibrell escreveu e coproduziu um curta-metragem intitulado Carvão de Tráfego, dirigido por Nathan Collett. Em 2011, junto com o diplomata australiano James Lindsay publicou a Paz e Leite: Cenas do Norte da Somália, um livro de fotografia sobre a Somália nômade.

Em 2002, recebeu o prêmio Goldman, o maior prêmio para ambientalistas de base, também chamado de Nobel Verde. Em 2008, ganhou o Prêmio da National Geographic Society/Buffett Foundation, por liderança em conservação. Em 2016, recebeu o Prêmio Takreem de Desenvolvimento Ambiental e Sustentabilidade.

Uma trabalhadora do bem, sem dúvida, auxiliando a manutenção do meio ambiente e de um povo. É com pessoas dessa estirpe que se está construindo o mundo novo.

 

Referências:

  1. https://brasilescola.uol.com.br/geografia/somalia.htm
  2. https://en.wikipedia.org/wiki/Fatima_Jibrell

3.https://news.un.org/pt/story/2014/11/1491821-somali-e-vencedora-de-importante-premio-ambiental-da-onu

  1. https://www.nationalgeographic.org/find-explorers/fatima-jama-jibrell
Assine a versão impressa
Leia também