Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Família – convite ao amor

maio/2017

A tarefa não é tão difícil quanto vos possa parecer. Não exige o saber do mundo.
Podem desempenhá-la assim o ignorante como o sábio, e o Espiritismo lhe facilita
o desempenho, dando a conhecer a causa das imperfeições da alma humana.3
Santo Agostinho, O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIV, item 9

A importância da família para o desenvolvimento da sociedade humana é pauta constante no campo de estudo dos homens, assim como sua importância para o processo evolutivo do Espírito tem sido constantemente abordado no intercâmbio com o plano espiritual.

Conforme afirmativa do Espírito Camilo, não foi sem razão que Carlos Marx e Frederico Engels estabeleceram que a família representa o primeiro grupo histórico e a primeira forma de interação humana aos quais os indivíduos se ajustam.1

Ainda, a célebre afirmativa de Rui Barbosa (1849-1923), um dos mais brilhantes intelectuais de seu tempo, considerando a família como a célula mater da sociedade, destaca a sua importância como embrião que se forma a partir de um pequeno núcleo de pessoas, e se desenvolve tomando a grandiosa dimensão da organização de toda uma sociedade.

De todas as associações existentes na Terra – excetuando naturalmente a Humanidade – nenhuma talvez mais importante em sua função educadora e regenerativa: a constituição da família, afirma o Espírito Emmanuel.2

Ante tais colocações, que ressaltam a grandiosidade da formação familiar para o desenvolvimento da sociedade humana, assim como para a educação do Espírito imortal, convém refletir sobre os princípios que regem a vida, de onde parte o ser, da simplicidade e da ignorância, para a sublimidade da angelitude, utilizando-se das diversas oportunidades reencarnatórias para tal conquista.

Baseados no entendimento do amor como sendo Lei Maior, emanada do Criador, que rege todo o Universo, faz-se mister observar com muita atenção que é o próprio amor o ingrediente fundamental que deve nortear toda a ação dentro do núcleo familiar, assim como o seu desenvolvimento em plenitude é o produto final que se almeja alcançar.

Recordando o convite do Mestre Nazareno, que ecoa em nossos ouvidos, através dos séculos, para que amemos ao nosso próximo como a nós mesmos, reconhece-se a família como a associação terrena que foi concedida por Deus como oportunidade desse aprendizado em ambiente seguro e protegido.

Ambiente propício para exercitarmos, ainda de forma incipiente, a prática do respeito, do perdão, da compreensão, do carinho e da compaixão, como forma de amar verdadeiramente.

A família, na qual dois seres se conjugam, atendendo aos vínculos do afeto,2 possibilita, por intermédio da paternidade e da maternidade, o despertamento das centelhas do amor do Pai Maior, latentes em cada criatura. Amor até então ignorado pelo homem, que percebe, a partir do exercício desses papéis, sentimentos antes não conhecidos, que o leva a abrir mão de si mesmo em nome de seus rebentos, a encontrar forças para lutar ante as adversidades, as quais não acreditava possuir. São as sementes do verdadeiro amor desabrochando no ser humano, que passa a enxergar o próximo antes de enxergar a si mesmo. É a verdadeira caridade que se manifesta no homem, convidando-o a rasgar a cortina do eu para ver o próximo mais próximo se apresentando, inicialmente, no papel de filhos, solicitando todo o cuidado que lhes possa ser dispensado.

Sem fórmulas preconcebidas para dar certo, a relação familiar deve contar com o componente essencial do amor. Amor puro que vai construir a relação do casal, que servirá de exemplo fundamental aos filhos, que ecoará no respeito entre irmãos, na construção de relações saudáveis entre os demais familiares, entre amigos e, por fim, em toda a sociedade.

Dessa maneira, o lar se constituirá no porto seguro, onde todos estarão sempre ansiosos para chegar. O local de aconchego e confiança, onde se diluirão mágoas, se confiarão segredos, se revelarão sentimentos, na certeza do respeito à individualidade de cada um e do amor que será o conforto às almas doridas que buscam redenção no plano terreno.

Viver harmoniosamente em família não exigirá de ninguém elevados requisitos de conhecimento, pois, consoante a afirmativa de Santo Agostinho a tarefa não é tão difícil quanto vos possa parecer. Não exige o saber do mundo. Podem desempenhá-la assim o ignorante como o sábio.3

Não exige de nós senão a busca sincera da simplicidade e da humildade, reconhecendo-nos como seres imperfeitos, colocados lado a lado, no ambiente doméstico, para o crescimento conjunto.

A família é o convite do Criador ao exercício do amor. O amor maternal, paternal, filial que, em breve, se tornará o tão almejado amor universal.

 

Bibliografia:

1 TEIXEIRA, José Raul. Desafios da vida familiar. Pelo Espírito Camilo. Niterói: Fráter, 2003. pt. I, pg. 18.
2 XAVIER, Francisco Cândido. Vida e sexo. Pelo Espírito Emmanuel. 7. ed. Rio de Janeiro: FEB. cap. 2.
3 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 131. ed. Rio de Janeiro: FEB. cap. XIV, item 9.

 

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