Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2020 Número 1634 Ano 88
Revivendo Ensino Envie para um amigo Imprimir

Faculdades da alma

janeiro/2020

Ela nasceu em 1900, na véspera de Natal. Um verdadeiro presente para o mundo.
Sua mediunidade nos legou obras primorosas para estudo, tanto quanto como exemplos
de mediunidade disciplinada e gloriosa.
Falamos de Yvonne do Amaral Pereira e, em comemoração aos 120 anos de seu
nascimento, dedicamos a ela esta coluna, extraindo as pérolas da sua literatura
mediúnica e de própria lavra.
É nosso preito de gratidão a quem tão bem serviu a Jesus, ao Bem, espalhando
luz com suas letras.

 

As faculdades da alma são forças poderosas e tão variadas como variadas são as suas aspirações e vontades, e tão intensas e sutis como as próprias vibrações espalhadas pelo Universo. Nas almas elevadas, essas faculdades, por muito trabalhadas, aprimoradas e adestradas à Lei divina, atingem a plenitude de um fastígio, de um esplendor vertiginoso, que o homem hodierno sentirá dificuldades de conceber, tornando-se, então, esse esplendor a glória da sua imortalidade, visto que lhes permite a plena comunhão de vibrações com a Suprema Divindade, daí se derivando o seu estado paradisíaco ou celeste, a sua glória, o seu triunfo absoluto, fruto ou aquisição abendiçoada do seu próprio esforço e boa vontade através dos milênios.

Chegada a esse pináculo, a alma colabora plena e extensivamente na obra da Criação, uma vez que já poderá refletir a imagem e semelhança do Criador. Tão gloriosa ela se sente, possuidora de tantos poderes, que deseja irradiar para mais além os valores das suas próprias conquistas imortais. Então se desdobra em múltiplas atividades, cooperando com o Todo-Poderoso no aprimoramento do Universo, presidindo ao nascimento e crescimento de mundos e sistemas siderais sob o harmonioso império das leis supremas, expandindo-se em amor e auxílio aos seus irmãos de Humanidade, imolando, muitas vezes, as alegrias da vida celeste que lhe são naturais, a fim de beneficiar povos e Humanidades com o deslumbramento da sua presença em globos materiais, onde estagiam almas irmãs em labores  evolutivos – tal como Jesus, o Cristo de Deus, o fez entre os homens deste planeta.

É próprio da natureza da alma que atingiu a glorificação da unidade com o Criador dilatar-se em abnegação por outrem, ou seja, pelas Humanidades… da mesma forma que é do feitio dos caracteres nobres encarnados na Terra dedicar-se lealmente ao ser amado, à família, ao ideal constituído no coração… Ela o faz, porém, sorridente e feliz, retirando inefáveis alegrias, pelo bem que pratica, dos próprios sacrifícios a que se entrega, sem que por isso se diminua ou sofra tal como entendem os homens o sofrimento sobre a Terra… Sim, porque a alma que plenamente conseguiu conjugar vibrações com o seu Criador torna-se a estruturação do próprio Amor Divino.

Ela compreende o Amor Divino, o Amor Universal, e sabe amar! E quem ama harmonizando sentimentos com o Amor Divino não poderá padecer a inferioridade de um sofrimento, visto que o Amor é fonte de delícias e, sendo a plenitude da felicidade eterna, não se mesclará nas amarguras que são a consequência de um estado inferior. O Amor absorve-a, impregna-a das suas divinas vibrações, tornando-a radiosa de uma ventura imortal, ainda que se encontre envolvida em circunstâncias críticas, mesmo dolorosas, como foi a do nosso Divino Mestre entre as peripécias da Sua paixão na Terra.

Mas os homens somente compreenderão com justeza tais sutilezas das faculdades da alma eleita, no dia em que, igualmente, também eles, que são almas encarnadas, souberem amar com aquele Amor Divino de que Jesus foi o esplendente modelo. As almas normais, como as medíocres, em marcha evolutiva, possuem da mesma forma faculdades que lhes fornecem poderes, sempre relativos, no entanto, ao grau de evolução que atingiram.

Assim, também, as inferiores e criminosas, que dos próprios poderes mentais se utilizam para a própria consciência nublarem com os feitos da delinquência.

É certo, portanto, que todos os homens, ou todas as almas, possuem em estado latente e relativo os esplendores que em grau supremo a Divindade criadora possui, cumprindo a elas, por isso mesmo, se esforçarem pelo progresso próprio, evoluírem, tocarem-se de glória até refletirem em si mesmas a semelhança do Ser Todo Poderoso que lhes forneceu a Vida.

Daí os complexos das Humanidades, suas lutas, suas ânsias pelo Ideal, seus desfalecimentos e vigores em busca de um bem que se dilata sempre mais à proporção que se elevam através dos progressos realizados, seu trabalho perpétuo para colher os triunfos imortais cujos germes estagiam dentro do seu próprio ser – partículas que são todas do Supremo Ser Divino.

E, possuindo todos nós os mesmos princípios, as mesmas capacidades, somos suscetíveis de realizar os mesmos feitos, sejam psíquicos, no mundo espiritual, ou físicos, nos globos materiais, dependendo a boa ou má qualidade desses feitos, sua grandeza, sua eficácia e perfeição somente do progresso já realizado pelo nosso Espírito.

Por isso, as incessantes advertências dos mestres espirituais no sentido das criaturas procurarem conhecer a si mesmas, o valor que encerram, as energias e virtudes latentes de que são por natureza dotadas, a glória que carregam em si, reeducando-se sob os raios do Sol da Verdade e do Amor, a fim de mais facilmente atingirem a finalidade, no estado celeste que não está aqui nem além, mas na intensidade das faculdades vibratórias de cada ser – de cada universo pessoal, pois será bom recordar que um Espírito é um pequeno, porém, sublime universo.

Referência:

1.PEREIRA, Yvonne A. Nas voragens do pecado. Pelo Espírito Charles. Rio de Janeiro: FEB, 1960. pt. 3, cap. III.

 

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os Cartões Virtuais – Uma Voz ao Vento, disponíveis em
http://www.feparana.com.br/cartoes_virtuais/listagem/?fonte=11

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