Jornal Mundo Espírita

Julho de 2020 Número 1632 Ano 88

Evangelho – roteiro insuperável para a iluminação espiritual

julho/2016 - Por Alessandro Viana Vieira de Paula

No livro O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, encontramos uma questão de relevante significado para o processo evolutivo da criatura humana.

Há outras fontes de conhecimento para a iluminação dos homens, além da constituída pelos ensinamentos divinos do Evangelho? (item 235)

– O mundo está repleto de elementos educativos, mormente no referente às teorias nobilitantes da vida e do homem, pelo trabalho e pela edificação das faculdades e do caráter.

Mas, em se tratando de iluminação espiritual, não existe fonte alguma além da exemplificação de Jesus, no seu Evangelho de Verdade e Vida.

Os próprios filósofos que falaram na Terra, antes dEle, não eram senão emissários da Sua bondade e sabedoria, vindos à carne de modo a preparar-lhe a luminosa passagem pelo mundo das sombras, razão por que o modelo de Jesus é definitivo e único para a realização da luz e da verdade em cada homem.

Quando se trata de iluminação espiritual, que abrange o aprimoramento intelecto-moral da criatura humana, o Evangelho ou o Novo Testamento é guia insuperável e infalível, embora haja outras fontes dignas e úteis, pois nele estão registrados os ditos e feitos de Jesus, as cartas de Paulo, de Pedro e de outros discípulos, a História do cristianismo primitivo contida no Ato dos Apóstolos, etc., onde encontramos as respostas lúcidas e elevadas para as questões mais complexas da alma e da vida.

É certo que o Evangelho foi alvo de inúmeras adulterações, ao longo do tempo, algumas por ignorância, outras por má-fé, todavia, a essência moral do ensino do Cristo foi preservada, de forma que qualquer pessoa, que estudar e refletir sobre as lições do Evangelho, identificará que o objetivo principal de Jesus era o de estimular o indivíduo à autoiluminação, através da busca da verdade e da melhoria dos sentimentos, tendo o amor como fonte inexaurível de nossa conduta.

A ratificar esse raciocínio sobre a grandeza do Evangelho, é digna de nota a história narrada no capítulo III do livro Obreiros da Vida Eterna, também da lavra mediúnica de Francisco Cândido Xavier (ditado pelo Espírito André Luiz): o Espírito Asclépios, que procede das regiões elevadas do Mundo Espiritual, trazia um pequeno rolo de pergaminhos brilhantes e, quando lhe foram endereçadas algumas questões das mais complexas, ele manuseava esses pergaminhos e encontrava pontualmente as respostas mais apropriadas.

Não é difícil de imaginar que esses pergaminhos continham as lições sublimes do Evangelho.

Uma das perguntas endereçada a Asclépios continha um dos grandes desafios enfrentados pelas pessoas que se esforçam para viver o bem, qual seja, a perseguição de adversários gratuitos que lhes ferem o Espírito sensível, atacando-lhes os melhores esforços. Ele responde citando o Evangelho de Mt. 5:44, sem qualquer comentário adicional:

Eu, porém, vos digo – amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos perseguem e caluniam.

Outro ponto que merece registro é a diversidade de metodologia de ensino do Evangelho.

Nele encontramos as parábolas de Jesus, que são atemporais, de fácil compreensão e preservam os ensinos morais envolvidos na história.

Como não se emocionar com a leitura da parábola do filho pródigo (Lc. 15:11-32), que é uma síntese do processo evolutivo, porque, a maioria  dos homens, ainda imatura, opta por se afastar de Deus ao levar uma vida materialista e consumista pautada pela apatia em relação à religiosidade. Mas, chega o momento em que cai em si, em virtude das dores e dos conflitos que lhe dilaceram a alma, quando sente vontade de voltar à Casa do Pai, que O aguarda amorosamente, possibilitando-lhe um novo recomeço, que somente será factível em razão da lei Divina da reencarnação, não obstante possa-se iniciar o reequilíbrio pessoal já na atual existência física.

Registre-se, também, a beleza dos sermões de Jesus.

Foram quatro os cantados pela excelsa voz do Mestre: o Sermão do Monte (Bem-aventuranças), o Sermão dos ais, o Sermão Profético e o Sermão do Cenáculo (na Santa Ceia).

Como esquecer aquelas últimas horas do Cristo com os discípulos, quando Aquele, antevendo as lutas que eles enfrentariam, enaltece a importância do fortalecimento dos sentimentos para que a união dos corações produzisse a renovação da Humanidade em crise moral: Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. (Jo. 13:35)

O amor nas relações humanas que, inicialmente, se traduz em respeito e compaixão, é imprescindível para a nossa iluminação espiritual.

Outro capítulo à parte são as curas de Jesus. É certo que outros também curaram, mas ninguém que se compare ao Rabi, porque Ele produziu curas com tanta variação e intensidade, e, principalmente, estava mais preocupado com a cura moral da criatura humana, dizendo que não veio remendar corpos, mas curar a alma (Primícias do Reino/Divaldo Pereira Franco/Amélia Rodrigues, cap. 7), porque todos os males dela procedem, ratificando, mais uma vez, a importância da melhoria espiritual do ser humano.

No Evangelho, encontramos Jesus rompendo com os preconceitos vigentes, pois conviveu com todos, sem qualquer tipo de sectarismo, de tal sorte que esteve com as mulheres, os samaritanos, os pobres, os enfermos, os leprosos. Na sociedade hodierna, ainda vemos o preconceito étnico, religioso e de classes sociais conturbando o relacionamento pessoal e coletivo, em frontal descompasso à orientação do Cristo, dificultando a iluminação espiritual da Humanidade.

Diante de todas essas observações, poder-se-ia perguntar: Se o Evangelho é o ápice do aprendizado na Terra, qual a utilidade do Espiritismo?

Essa questão foi levantada por Allan Kardec na pergunta 627, em O Livro dos Espíritos, e os benfeitores espirituais esclareceram:

Jesus empregava amiúde, na sua linguagem, alegorias e parábolas, porque falava de conformidade com os tempos e os lugares. Faz-se mister agora que a verdade se torne inteligível para todo mundo. Muito necessário é que aquelas leis sejam explicadas e desenvolvidas.(…) O ensino dos Espíritos tem que ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão.(…)

Dessa forma, o Espiritismo é o cristianismo redivivo, que vem reforçar as diretrizes do Evangelho, atendendo aos anseios da razão e do coração, à medida que amplia os conhecimentos acerca das leis Divinas, convidando-nos à vivência irrestrita dos ensinos do Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo. 14:6), propiciando-nos a autoiluminação, que se expressa como alegria de viver e servir, fé racional e amor em nossas ações.

O Espírito Francisco de Paula Vítor, na obra Quem é o Cristo? (cap. 27), psicografado por José Raul Teixeira, conclui que: Todas as suas lições foram, e continuam sendo, lições de vida. E para quem tiver a necessária coragem para aplicar o que Ele trouxe à Terra, com certeza viverá fartamente.

Ele é Aquele que nos aponta o caminho para ser percorrido sob o sol da verdade em prol de melhor qualidade de vida para a alma.

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