Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Espiritismo nos Emirados Árabes

maio/2015 - Por Maria Helena Marcon com informações de Patrícia Farias

Os que trabalhamos no Movimento Espírita, no Brasil, somos abençoados com facilidades, das quais, nem sempre nos apercebemos. Verdade é que, embora as dificuldades próprias de todo agrupamento humano, temos condições propícias para um bom trabalho.

Como será, no entanto, desenvolver um trabalho espírita em outro país? Que tal nos Emirados Árabes?

Dubai é a maior cidade e emirado de mesmo nome dos Emirados Árabes Unidos. Localizada na costa do Golfo Pérsico, na península arábica da Ásia, é conhecida, mundialmente, por ser extremamente desenvolvida, por seus enormes arranha-céus e largas avenidas.

Quando Patrícia Farias chegou em Dubai, em outubro de 2005, com o marido, jamais imaginou que o Espiritismo a aguardava. Ela estava com um bebê, o primeiro filho, com cinco meses.

Nesse mesmo ano, conheceu uma família que fazia o Evangelho no Lar e abria a residência para alguns amigos. Patrícia foi participar. Conhecia muito pouco da Doutrina Espírita. Frequentara, no Rio de Janeiro, as reuniões públicas do Centro Espírita André Luiz, sem compromisso de estudo.

Luciana e André Tafarello foram os pioneiros espíritas em Dubai. Hoje, se encontram na Espanha. Sob orientação deles e de seus pais, que frequentam Centro Espírita na cidade de Jundiaí, SP, em agosto de 2006, Patrícia abriu um grupo em sua casa, para estudo do Novo Testamento, com bases nas obras mediúnicas de Francisco Cândido Xavier: Fonte Viva, Caminho Verdade e Vida, Vinha de Luz e Pão Nosso. As reuniões nunca pararam, mesmo em dias em que somente ela e o marido, Rinaldo Oliveira, eram os participantes. A fundação do grupo foi oficializada na Embaixada do Brasil: Grupo Espírita Cristão Despertar GECD.

Hoje são doze trabalhadores voluntários, todos brasileiros, que se foram conhecendo, no decorrer das atividades do GECD.

O Grupo oferece reunião pública aos domingos, com palestra e passe, cuja frequência é em torno de vinte e cinco a trinta pessoas; um grupo de estudos das obras de André Luiz, às terças-feiras. Nesse mesmo dia, se realiza a ação social: são distribuídos duzentos lanches para os trabalhadores de rua (lavadores de carro, jardineiros e da construção civil). Quarta é o dia da reunião mediúnica, não aberta ao público, conforme a orientação kardequiana.

Quinzenalmente, às sextas-feiras, ocorrem as aulas de Evangelização da família, com três turmas de infância, uma de mocidade e a dos pais. O acolhimento é feito com canções espíritas, com voz e violão e passes. Cada turma tem entre cinco a dez crianças. A Escola de Evangelho está sob a coordenação de Ana Carolina Barros, que conta com a participação de Luciano Romano, de Curitiba, trabalhador do Centro Espírita Ildefonso Correia, e que se encontra nessa cidade, desde maio de 2014. Sua esposa, Leandra, vem auxiliando nas tarefas junto à infância e ele na mocidade.

O Centro Espírita ainda não tem sede própria, os custos para manter uma sala não seriam viáveis. Tudo acontece na própria residência de Patrícia e Rinaldo. Lembramos de quantos centros espíritas tiveram origem assim, a partir de reuniões de Evangelho no Lar…

A reunião mediúnica é realizada na cozinha. No dizer de Patrícia: Temos um trabalho abençoado pelos amigos do Plano Maior, o que nos confere a certeza de que seguimos como podemos, e onde somos chamados a servir! O importante é a vibração, os sentimentos e as mãos benevolentes que operam na instituição.

Para as aulas de Evangelização, o GECD conta com as residências de dois voluntários, no mesmo andar de um prédio, o que permite disporem de cinco ambientes para acomodar as turmas. Quase todas as atividades são em português, excetuando-se o grupo da mocidade, que utiliza o idioma inglês.

Para a reunião pública, alguns móveis são deslocados para o quintal e, logo, a plateia fica pronta. O passe é na cozinha. Tudo realizado com muito respeito, disciplina e seriedade. Uma pequena biblioteca, com cerca de duzentos livros, alguns vídeos e CDs tudo oferece, mediante empréstimo, para a comunidade.

Confessa Patrícia que apesar de saber da liberdade religiosa em Dubai, as regras não são muito claras. Temos igrejas de diversos segmentos, templos budistas, e alguns outros cultos domésticos, como é o nosso caso. Contudo, nada comparado a uma mesquita em cada esquina. Confesso que quando começa a leitura do Al Quran, convidando os fiéis, pelo alto falante, para o início das preces, é sempre um momento de paz!

Mantemos o nosso trabalho doméstico, nos baseando na permissão de culto religioso em residências, desde que não se tenha nenhuma intenção de converter um muçulmano. Por isso, não é permitido material na língua árabe.

Temos a certeza de que a Espiritualidade nos auxilia, e respeitamos muito os amigos espirituais que nos permitem a realização dessa tarefa, neste país. Confiamos em Deus e no trabalho de divulgação do Evangelho no Mundo, mesmo que seja um trabalho de formiguinha, como é o nosso.

Recebemos alguns palestrantes que muito nos alegraram, entre eles, Divaldo Pereira Franco e Haroldo Dutra Dias. Ainda e sempre, segundo a orientação kardequiana, trocamos ideias com o Grupo Espírita Caminho de Luz, também situado em Dubai, na região chamada Silicon Oasis, onde reside grande parte dos pilotos da Cia. Aérea Emirates.

Desta forma, seguimos confiantes no amparo espiritual para o serviço que nos foi conferido! Pessoalmente, jamais imaginei que seria convocada para essa seara de trabalhadores que precisam se manter fiéis a Kardec para a difusão da Doutrina Espírita e a Jesus, para que o amor chegue aos corações sedentos, nas areias do deserto.

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