Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Escola Profissional Maria Ruth Junqueira – 53 ANOS

dezembro/2013 - Por Marco Antonio Negrão

Neste mês de dezembro, a EPMRJ completa cinquenta e três anos de existência, oferecendo aos jovens, a partir dos dezesseis anos, a oportunidade de qualificação profissional, que lhe permita a inserção no mercado de trabalho, dando-lhe oportunidade de melhoria da sua vida e da sua família, através de um emprego que bem o remunere.

Hoje, a legislação brasileira tem dispositivos legais através do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que é o modelo de gestão utilizado no Brasil para operacionalizar as ações de assistência social. O SUAS foi criado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a partir do previsto na Lei Federal nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, a Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS). O MDS tem por objetivos a execução da LOAS, ou seja:

  • a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
  • o amparo às crianças e adolescentes carentes;
  • a promoção da integração ao mercado de trabalho;
  • a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária;
  • a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso, que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. (Benefício de prestação continuada).

Como vemos, a partir da Constituição Federal de 1988 e o ordenamento jurídico posterior, o governo assume definitivamente a sua responsabilidade no tratamento desses assuntos. Mas, a Federação Espírita do Paraná já na década de 50, preocupava-se com essa questão.

Mesmo antes de assinar convênios com órgãos governamentais estaduais, uma vez que o primeiro convênio de assistência técnica entre FEP, através da EPMRJ, e a Secretaria de Estado de Educação e Cultura data de 30 de dezembro de 1960, muito antes disso, existiam os primeiros esforços da professora Maria Ruth Junqueira, em implantar um trabalho com jovens, na área da qualificação profissional.

Tudo começa em 1954, quando Maria Ruth Junqueira contata a FEP para oferecer às meninas abrigadas no Lar Icléa – Departamento da FEP  (obra assistencial e educacional, onde gerações de meninas órfãs tiveram o atendimento de um verdadeiro ninho doméstico – na época situada à Rua Saldanha Marinho, 570) cursos de artesanato, bordado à mão e a máquina, corte e costura, crochê, tricot e manicure. Na oportunidade, foi convidada a administrar esse aperfeiçoamento Maria de Lourdes Sperancetta Pinto. Os cursos eram administrados no refeitório do antigo Albergue Noturno, na Alameda Cabral, 340, no horário das 13 às 17h, às segundas e sextas-feiras, com professoras remuneradas pela Secretaria de Educação e Cultura.

Mais tarde, a pedido de interessados, foram criados cursos profissionalizantes, atendendo pelo nome de Artesanato Bom Retiro, para alunos carentes, com certificados expedidos pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Paraná.

Em 1956, com a desencarnação da Professora Maria Ruth Junqueira, a Secretaria de Eduação e Cultura descentraliza as escolas de artesanato, levando-as para os bairros e o primeiro passo na inclusão social dos jovens sofre um revés.

Mas, em 1959,  Maria de Lourdes Sperancetta Pinto contata, novamente, a presidência da FEP ( João Ghignone e Abibe Isfer) para atender a uma demanda da sociedade curitibana, de cursos de profissionalização.Com  aquiescência da FEP, ela procura o Secretário de Estado da Educação e Cultura,  Colombino Grassano e, de novo, o Governo Paranaense apoia a iniciativa.

Em 29 de setembro de 1960, recebe a licença de funcionamento e a 30 de dezembro é assinado o convênio de assistência técnica. O Estado fornecia as professoras e a FEP as instalações, infraestrutura, equipamentos e o material utilizado nas aulas, que eram conseguidos por Maria de Lourdes Sperancetta Pinto e Elvira Marchesini Vaz, através de campanhas de doações entre as suas amigas. Por sugestão  de Maria de Lourdes e decisão de  Abibe Isfer, a escola passa a chamar-se  Escola Profissional Maria Ruth Junqueira.

Maria de Lourdes, fundadora da Escola, foi sua diretora até o inicio do ano letivo de 1979. A partir desse ano, assume a direção a Professora Léa Dirce Pimentel.

Dª Léa, como é gentilmente conhecida por todos, atua na Escola desde 1962, onde começou como professora e está  ligada até hoje: cinquenta e um anos de dedicação.

A partir de 1974, atendendo aos requisitos da  Lei 5.962, iniciaram-se os cursos de profissionalização e, em 1981, a EPMRJ firma convênio com a Prefeitura Municipal de Curitiba, através da Fundação de Ação Social (FAS). A partir daí, os convênios têm sido ininterruptos.

Em 1978, outro grande momento da EPMRJ foi a implementação do Programa Intensivo para Preparação de Mão de Obra (PIPMO) do Estado do Paraná, quando foram disponibilizados os cursos de: datilografia, auxiliar de escritório, modista costureiro, manicuro, padeiro e confeiteiro.

Cursos atuais:

Construção Civil: Azulejista, Instalador Hidráulico, Eletricista, Jardinagem, Pedreiro;

Informática: Pacote Office, Editoração, Web Design, Montagem e Manutenção de Micro;

Hotelaria: Inglês;

Beleza: Cabeleireiro, Manicure;

Moda: Costura, Costura Industrial, Modista;

Alimentação: Panificação, Confeitaria e Pizzaiolo.

 

A demanda de interessados pelos cursos oferecidos é tão grande que existem dois endereços para atendimento: na Alameda Augusto Stellfeld, 365 e na Rua Reinaldo Machado, 519 (atrás do Teatro Paiol).

Nos dias de inscrição para os cursos, que é feita presencialmente, os interessados passam a noite aguardando em fila, o momento da sua inscrição. Nesse dia, todos os funcionários da Escola fazem, em mutirão, as inscrições, começando muitas vezes às 5h da manhã, pois ficam penalizados pelos interessados passarem toda a noite aguardando o atendimento.

Em 1961, obtiveram certificado de conclusão de curso cento e vinte e dois alunos. Nos últimos quatro anos foram certificados, em média, quinze mil  alunos anualmente e em 2013, até setembro,  foram 13.349.

Nesse período de existência foram certificados 225.591 alunos.

Parabéns à Escola Profissional Maria Ruth Junqueira e aos seus funcionários. Nossas preces às idealizadoras e fundadoras, Maria Ruth Junqueira, Maria de Lourdes Sperancetta Pinto e Elvira Marchesini Vaz; a João Ghignone e Abibe Isfer, que incentivaram e colocaram a FEP à frente desse serviço e aos Presidentes subsequentes, que sempre apoiaram o trabalho benemérito da EPMRJ e, principalmente aos 51 anos de dedicação de Léa Dirce Pimentel,  pelo trabalho que é árduo, porém, gratificante ao possibilitar a tantos alunos a melhoria da sua condição de vida, através do trabalho.

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