Jornal Mundo Espírita

Novembro de 2020 Número 1636 Ano 88

Esclarecer para preservar

novembro/2020

O mundo atual alcançou patamares elevados em ciência, tecnologia, conhecimento, comunicação, mas não conseguiu superar conflitos íntimos, entre pessoas e nações.

Está longe a superação do padecimento da fome, enfermidades diversas, violência doméstica e urbana, crises econômicas, políticas.

Faltam os instrumentos do amor, da concórdia, do perdão, da compaixão, como contrapontos exitosos nessa grande batalha.

O Espiritismo veio para momentos como estes que ora vivemos, e contém esses e outros instrumentos para municiar os corações de boa vontade e estimulá-los ao bom combate.

Sua filosofia nobre permite uma visão mais otimista a respeito da vida na Terra, evidencia as razões e o sentido existencial para cada pessoa, e apresenta nossa responsabilidade com a Natureza e com todos os seres sencientes.

Desalgemou as criaturas humanas dos elos limitadores dos dogmas impeditivos da sua religação com Deus, desfazendo-lhes as falsas crenças.

Reapresentou o divino código do amor e da caridade, que Jesus escreveu com suor e lágrimas, a fim de manter em destaque as balizas do Caminho, da Verdade e da Vida, para todos os desejosos de um mundo melhor.

Cabe a todos nós, espíritas, a tarefa de ampliar o posicionamento dessas balizas do Reino de Deus entre as criaturas da Terra.

Divulgar o Espiritismo é tarefa prioritária.

É preciso se lançar mão de todos os meios e modos dignos disponíveis para sua devida divulgação.

Em Projeto 18681, o Codificador fala da necessidade de uma publicidade em larga escala, a fim de levar ao mundo inteiro, e até aos lugares mais recuados, o conhecimento das ideias espíritas.

Vianna de Carvalho enfatiza2: Na hora da Informática, com os seus valiosos recursos, o espírita não se pode marginalizar, sob pretextos pueris, em que disfarça a timidez, o desamor à causa ou a indiferença pela divulgação.

Por sua vez, Eurípedes Barsanulfo recomenda3: Que vocês levem a nossa palavra a toda parte. Aqueles que possam fazê-lo transmitam-na através dos meios de comunicação. Precisamos contagiar o nosso Movimento com estas forças positivas, a fim de ajudarmos efetivamente o nosso país a crescer e a caminhar no rumo do progresso. São essas forças que impelem o indivíduo ao trabalho, a acreditar em si mesmo, no seu próprio valor e capacidade. São essas forças que o levam a crer e lutar por um futuro melhor.

Momento de autoexame, autocrítica, por parte dos espíritas e nossas organizações, sobre nossos deveres e o que temos feito pela divulgação e vivência dos ensinos.

A dor é aguda nos corações humanos, e o Consolador distende as mãos generosas para enxugar lágrimas.

Mais ainda, vai ao encontro das causas e as sana.

A omissão, a indiferença e a tibieza na divulgação do Espiritismo como ele é, em sua verdadeira grandeza, abre espaço, no meio espírita e social em geral, para a enxurrada de propostas e apelos que são veiculados, como se Espiritismo fosse, e tratam de tudo o que ele não é, não contempla, não aplaude e não estimula.

É urgente a tarefa da semeadura da verdade, a fim de alimentar nova mentalidade nas hostes do Movimento Espírita, firmada em bases essencialmente espírita-cristãs.

Com isso, também se convidará a sociedade em geral para adoção de comportamento ético e moral, capaz de facultar o bem-estar de cada um e de todos.

Promoverá o fortalecimento dos legítimos e naturais laços familiares, com a presença masculina do pai e da mãe, carinhosa, feminina, sempre em apoio responsável aos filhos, a fim de que não sejam vítimas das ciladas de ideias e ideologias que não dizem respeito aos reais valores do Espírito e estão longe das postulações espíritas.

Não faltam tentativas do profano se imiscuir no sagrado, com enxertia de ideias e práticas que não encontram guarida no corpo doutrinário espírita, a fim de provocar desvios das suas propostas corretas, instalar clima de dúvidas, perturbações, dissensões e divisões.

O Espiritismo, como resposta aos surdos clamores das criaturas em sofrimento, exige a sua correta divulgação, conforme foi apresentado por Allan Kardec, sem adaptação, nem acomodações de conveniência, nem concessões desfigurativas de suas bases cristãs.

Esclarecer para preservar a Doutrina e o Movimento Espírita, constitui dever de todos nós.

Permanecer no posto de trabalho pelo bem comum e de fidelidade a Jesus e a Kardec, é escolha de lucidez doutrinária.

Estudar e bem conhecer as lições e máximas espíritas, é formar alicerce sustentável da grande tarefa da renovação moral pessoal e social, a que todos fomos chamados.

Consolidar a união fraterna, no seio da família e nas organizações espíritas, é fundamental para a construção de abrigo seguro e geração de pessoas promotoras e disseminadoras do exemplo, que legitima o anúncio público da existência de uma doutrina de paz, concórdia e esperança, o Consolador Prometido por Jesus.

 

Referências:

  1. KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Rio de Janeiro: FEB, 2006. pt. 2, Projeto 1868.
  2. FRANCO, Divaldo Pereira. Reflexões Espíritas. Pelo Espírito Vianna de Carvalho. Salvador: LEAL, 1992. cap. 28.
  3. BARSANULFO, Eurípedes. Psicografia de Suely Caldas Schubert. Mensagem de Esperança. Centro Espírita Ivon Costa, em Juiz de Fora, MG, em 14 de setembro de 1983.

 

ERRATA: No Editorial da edição de outubro.2020, houve equívoco na data de nascimento do Codificador. Considerar como correta 3.10.1804.

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