Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Entrevista Telma Sarraf

março/2019

1.Telma, você é voluntária na Mansão do Caminho, obra social do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia. Muitas pessoas, conhecendo, ao menos parcialmente, o extraordinário trabalho da Mansão do Caminho, de tantas bênçãos, cogita se voluntariar. Quais são as exigências básicas para que alguém seja admitido como voluntário? E os voluntários vivem na Mansão?

 O critério maior é a boa vontade, a disponibilidade e o compromisso, porque, às vezes, o voluntário pensa que só tem a tarefa quando não tem nada para fazer, se o seu tempo está livre.

Inicialmente, o voluntário vai e faz uma visita. Temos uma visita programada, pela manhã e à tarde das 9h às 11h e das 14 às 16h. Maria Anita coordena este setor, ela tem voluntários que conduzem para uma visita à Instituição, e o setor que mais agradar o voluntário, ele conversa com o chefe do setor, diz da sua vontade de se tornar um voluntário. Havendo necessidade,  vai ao setor pessoal, preenche uma ficha de voluntariado onde informa os dias que poderá estar presente, quantas vezes na semana, quantas horas ou se é um voluntariado não fixo.

Quase nenhum dos voluntários reside na Mansão. Os que residem são os que estavam enquanto tínhamos o orfanato. Hoje só temos regime de externato.

Temos quatrocentos e vinte e oito voluntários e trezentos e poucos funcionários.

 

2.Como é trabalhar com Divaldo Pereira Franco, um homem incansável, de grande estofo moral, que dorme um mínimo de horas por noite e se mostra sempre ativo? A tendência é exigir um tanto mais de cada voluntário?

Ele não exige nada. Nós exigimos porque a Instituição precisa. Divaldo está sempre bem ainda que esteja com dores, ainda que esteja passando por problemáticas. É  um exemplo de luz, de força, de fibra, de coragem.

Pode estar cansado, ele desce para as refeições, conversa, alegre, jovial, sempre nos estimulando, disponível para qualquer coisa, realmente um exemplo. Ele não exige nada de ninguém, respeita a disponibilidade que cada um queira dar, o esforço que cada um queira empreender.

Os que coordenamos setores exigimos porque é preciso que o trabalho ande.

Eu exijo muito, mas com fraternidade, com amorosidade.

 

3.Diga-nos qual o segredo para manter a serenidade, em meio a um volume intenso de trabalho, com tarefas tão diversificadas, como a Mansão, o Encontro Fraterno e o Movimento Você e a Paz. Reconhecemos que tudo exige em demasia e trata com milhares de pessoas, cada qual com sua forma de agir e reagir.

A Doutrina nos propõe esse equilíbrio, esse trabalho interno de autoconhecimento, de tolerância, de compreensão e, claro, de firmeza. A energia da Mansão é uma energia muito especial. Às vezes, chegamos sobrecarregados, com dificuldades. Fazemos uma leitura, uma oração no início e no término de cada atividade.

É um trabalho muito natural, não há esse estresse de chegarmos nervosos. Buscamos essa harmonia, firmeza, transparência. Depois da prece, conversamos e todos se doam com muito carinho. Não há um esforço para isso é algo natural. Acredito que seja uma proteção espiritual muito grande, em todos os eventos.

Nós não temos a dimensão do trabalho espiritual. Planejamos as atividades materiais, o bom andamento de tudo, a organização de horários, mas em nível espiritual, está tendo toda uma preparação.

 

4.Você tem vindo às nossas Conferências, anualmente, e traz uma grande equipe. Vocês vêm a trabalho da Mansão, e ficam horas no Bazar, que tem seu estande próprio, em nossas dependências. Uma curiosidade: quem patrocina as despesas com hospedagem, alimentação, translado? E quem produz os tantos produtos que vocês oferecem à venda, em benefício da Mansão do Caminho?

Começamos em duas ou três pessoas, e o grupo foi desejando vir também. Então, fazemos um pacote, dividindo despesas de hotel, de transfer, refeições. Hoje, estamos com trinta e quatro pessoas. Bancamos nossas despesas.

Os produtos são confeccionados na Mansão e alguns doados. Curitiba inclusive tem um grupo de senhoras que nos oferece toda a parte do artesanato.

 

  1. Pode nos falar um pouco sobre o Movimento Você e a Paz?

O Projeto começou em 1998, um ano depois do Encontro Fraterno. Em 2000, foi aprovado um Projeto na Câmara, estabelecendo o dia 19 de dezembro como Dia Municipal do Movimento Você e a Paz, em Salvador. Então, todos os anos realizamos o Movimento no dia 19.

A partir de 2000, também começamos a premiação, a pedido de Divaldo, com o troféu Você e a Paz, agraciando personalidades físicas que se doam, que são destaques pessoais, Instituições que realizam trabalhos sociais de cidadania, e empresas que viabilizam projetos sociais.

É um trabalho fantástico. Já realizamos em setenta e três cidades no Brasil e no mundo, dezessete de fora, em dez países, em onze estados brasileiros.

 A polícia nos dá todo o apoio, nos inscrevemos nos órgãos públicos, a Mansão tem uma credibilidade muito grande, a Rede Bahia nos dá apoio completo. Não gastamos nenhum centavo para a divulgação do Movimento da Paz. Eles nos oferecem todos os vídeos, a participação em rádio, televisão, vão, estão presentes, já receberam prêmios. É um trabalho que tem uma abertura muito grande, um trabalho de Comunidade, de bairro. Ele não objetiva atingir o público espírita, mas o público leigo, a sociedade em geral.

Por isso, sempre realizamos em praça pública, a adesão é maior. O passante nos vê montando o palco, o som. Colocamos uma música, o povo olha, vai passando. Geralmente, é praça de lojista e vai atraindo para a ideia da paz, de que somos construtores dessa paz e que todos podemos ser esse polo de paz.

 Entrevista concedida ao setor de Comunicação Social Espírita
da Federação Espírita do Paraná, na XX Conferência Estadual Espírita,
no Expotrade, em Pinhais, em 17.3.2018.

Assine a versão impressa
Leia também