Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Entrevista – Sandra Maria Borba Pereira

maio/2017

1.Sandra, você visita o Paraná desde 1997 e já nos brindou com coordenação em encontros de jovens, de evangelizadores, de coordenadores de juventude, esteve em Conferências promovidas pela FEP. Poderia nos falar dessa sua trajetória pelo Estado e qual sua avaliação nesses vinte anos de trabalho no Paraná?

A nossa primeira avaliação é agradecer a oportunidade que a Federação Espírita do Paraná tem nos dado ao longo desses anos, sem dúvida nenhuma, pois depois do nosso Estado de origem, Pernambuco, e do Estado onde atuamos há trinta e poucos anos, o Rio Grande do Norte, o Paraná é o Estado onde mais temos estado presente, conhecendo algumas dezenas de cidades, sempre com a alegria de poder contribuir, com a nossa dificuldade, mas também com o nosso entusiasmo, em especial nas tarefas da evangelização da criança e do jovem.

Então, avaliamos como oportunidade de serviço, mas de crescimento. O nível de trabalho veja o que vou dizer com muito carinho – as exigências, isso tudo funciona como estímulo ao estudo, ao aperfeiçoamento do nosso trabalho. Sentimo-nos agraciada pela oportunidade e gostaríamos de dizer que é um processo de aprendizagem eternamente. Na verdade, aqui estamos, aqui estivemos, aqui ainda estaremos, se Deus quiser, sempre nesse processo de troca, de aprendizagem e avaliando muito positivamente tudo aquilo que tem nos ocorrido nessas paisagens.

 

2.Temos assistido crescer o número de crianças com necessidades especiais chegando aos centros espíritas, para a Evangelização Espírita. Existe algum treinamento específico a evangelizadores e programas para atender esse segmento?

Diante do que tem sido apresentado por diversas representações de Estados, não todos, mas alguns em especial, falando da necessidade de um atendimento maior e identificando mesmo, em nossas próprias experiências, já estamos, em nível de Federação Espírita Brasileira – FEB, área de infância e juventude, constituindo uma comissão preliminar para nos debruçarmos sobre essa situação. São crianças, adolescentes, jovens, portadoras de múltiplas deficiências exigindo atendimento especial. Por ora, essa comissão está fazendo uma espécie de levantamento do que ocorre nos Estados, no sentido de preparar melhor o evangelizador e a própria Instituição Espírita para receber esse público, considerando que o Espiritismo é para todos e temos que nos preparar de fato para uma demanda significativa. Muitas crianças autistas, em algumas regiões mais concentradas e crianças, adolescentes e jovens surdos, com hiperatividade, enfim, todas as caracterizações dentro daquilo que chamamos de pessoas com necessidades várias. Nosso trabalho será exatamente o de identificar e, principalmente, de tentar sentir qual a necessidade, os materiais, as formações, o aprofundamento de estudos. O futuro promete.

 

3.Nessa questão do jovem, qual o equilíbrio para estudar a Codificação, esse conteúdo primordial da Doutrina Espírita, nas confraternizações, encontros, que são também importantes, mas às vezes são o único foco da Casa Espírita, deixando inclusive isso de forma mais solta, não apresentando tanto conteúdo?

É o equilíbrio que a qualidade deve dar. Não podemos transformar uma mocidade espírita, uma juventude espírita em apenas um grupo de recreação. Afinal de contas, a força do Espiritismo, nos disse o Codificador, está na sua filosofia. Não adianta estarmos apenas preocupados com a brincadeira, com o lúdico, com a arte, sem proporcionar ao jovem aquilo de que ele necessita, que é se apropriar da Doutrina Espírita como ferramenta de compreensão da vida para que ele possa atribuir sentido à vida. Consequentemente, direcionar as suas escolhas. Seria extremamente paradoxal atrair o jovem com toda a arte, que é importante, é um recurso e devemos saber trabalhar como recurso, e esquecermos de dar substância,  que é a Doutrina Espírita. Fica o bom senso. Voltamos a dizer, um trabalho de qualidade não pode privilegiar algo em detrimento daquilo que é fundamental, a qualidade doutrinária e pedagógica da atividade junto à criança, o adolescente ou jovem.

 

Sua mensagem final.

Queremos dizer da nossa alegria, nesse momento, de mais um ano. Gostei muito de saber que há vinte anos estou aqui, quer dizer, vinte anos de mais compromisso. Dizer que desejamos que desse rincão brasileiro continue a surgir iniciativas, grandes referências ao Movimento Espírita conforme o Paraná tem realizado ao longo da sua existência, uma Instituição centenária. Que os trabalhadores das Casas Espíritas, nós na nossa dificuldade, na nossa limitação, possamos lembrar que Bezerra de Menezes afirmou que ser espírita e trabalhar na Doutrina Espírita, no Movimento Espírita foi a graça que nós pedimos antes de reencarnar. Então a nossa mensagem que começa primeiramente para nós mesmos é que possamos continuar firmes e fortes, sem angústia, porque o trabalhador do Cristo não pode ser angustiado. Como diz o Espírito Camilo, pela mediunidade de nosso Raul [Teixeira] “colocar o nosso psiquismo sob o comando de Jesus.”

Parte de entrevista gravada em 17.3.2017, durante a
XIX Conferência Estadual Espírita,  no Expotrade, em Pinhais.

Fotos: Jacson Adriano Ferreira

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