Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

Entrevista – Cezar Braga Said

fevereiro/2019

1.Cezar, você é do Paraná, mas reside no Rio de Janeiro. O que motivou essa mudança?

Meu pai é do Paraná, de Jacarezinho. Durante alguns anos moramos em Jacarezinho, em Londrina, em Ibaiti. Minha mãe é do Rio de Janeiro. Então, nos revezávamos, alguns anos no Paraná, alguns anos no Rio de Janeiro. Esta é a origem da minha ida para lá.

O meu contato com a Doutrina se deu no Rio de Janeiro, muito embora minha avó paterna frequentasse um Centro Espírita em Jacarezinho e lesse as obras de Allan Kardec, que a mim, criança, chamavam a atenção. Eram obras com encadernação clássica, grossa. Recordo-me dela me levando, pequenino, algumas vezes ao Centro para tomar passes.

2.E como essa trajetória o levou a se tornar expositor espírita?

Passei a frequentar mocidades espíritas. Nas mocidades, existem os estudos que são feitos pelos diferentes jovens. Na época, seguíamos as apostilas da Federação Espírita Brasileira. Aquilo foi gerando um acúmulo de informações, uma vontade de falar a respeito, de divulgar. Então, no próprio Centro Espírita, onde frequentava a mocidade, começamos a fazer pequenas exposições de vinte a trinta minutos, nas reuniões públicas, também na própria mocidade, que passei a coordenar.

E, quando se começa a falar no Centro, logo se vai para outros Centros. Assim tem sido, especialmente, no Rio de Janeiro.

  1. Como você começou a se interessar em escrever livros, como surgiu o escritor?

Em criança, eu tinha um colega que escrevia histórias em quadrinhos. Eu me interessei também por escrever histórias em quadrinhos. Ele escrevia, vendia para os colegas do bairro. Pensei que eu também poderia, quem sabe, ganhar algum dinheiro.

E comecei a escrever histórias em quadrinhos, só que a única pessoa que as comprava era o meu irmão caçula. Acho que elas eram tão ruins que não vendiam absolutamente nada.

Sempre gostei muito de escrever redações. Na escola, cheguei a escrever duas peças de teatro. Enfim, trabalhando com crianças, veio a inspiração para escrever para elas. Por isso, os primeiros escritos que foram publicados foram para crianças. A maior parte do material que tenho publicado é para o público infantil.

4.Você escreveu um ensaio biográfico sobre Raul Teixeira. Como se deu esse recolhimento de informações, como foi o processo dessa publicação?

A minha relação com Raul vem de um encontro de jovens que ocorreu na cidade serrana de Petrópolis. Assisti-o numa COMEERJ, a Confraternização das Mocidades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro. O  tema era “Ave, Cristo”, de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Raul nos narrou fragmentos do livro  e fiquei encantado. Fiquei impressionado com o estilo, com a eloquência, o magnetismo dele, mas, não ousei me aproximar. Pensei: “Esse homem é tão famoso, tão poderoso, quem sou eu para me aproximar dele, um jovem com tantos conflitos, com tantas dificuldades?”

No ano seguinte, o evento foi em nossa cidade porque as chuvas impediram que ocorresse na cidade de Petrópolis. O tema da palestra de Raul foi “Vós sois o sal da Terra e a luz do mundo.”

Novamente todo aquele brilhantismo que sempre o caracterizou e aquela simplicidade, também sua marca pessoal, os que lhe são próximos sabem o quanto ele é simples, bem humorado, o quanto é gente como a gente. Uma senhora amiga me levou até ele, dizendo que iria me apresentar. Eu estava meio trêmulo. Ele me abraçou e disse para ela: “Você quer me apresentar o Cezar? Eu já o conheço.”

Fiquei sem entender absolutamente nada. Ele pediu para que eu lhe escrevesse, que estreitássemos os laços. Possivelmente, se deu um reencontro e, a partir daí, indo a palestras dele e vendo que Divaldo tinha algumas biografias, a escrita por Suely Caldas [Schubert], por Miguel de Jesus Sardano,  Fernando [Pinto] e Altiva Glória Fonseca Noronha, pensei que estava faltando uma biografia sobre José Raul Teixeira. Nada mais justo. Eu insistia e ele dizia: “Não, a minha vida não tem feitos grandiosos que mereçam uma biografia. Desiste disso, isso é completamente desnecessário.”

Finalmente, quarenta anos de oratória espírita estavam prestes a se completarem  e sugeri: “Raul, deixe eu reunir algumas histórias, alguns fatos ligados a sua vida?”

Ele aquiesceu. Fizemos algumas gravações. A partir delas, reuni o material e fizemos essa publicação. Particularmente, nem considero uma biografia. Biografia mesmo quem escreveu foi um amigo de Volta Redonda, Osvaldo [Esteves Faria]. Nessa há uma riqueza de detalhes sobre a vida de José Raul Teixeira. O que fiz considero muito mais um ensaio biográfico, reunião de algumas histórias, do que propriamente uma biografia completa, ampla, profunda como foi o trabalho do [Osvaldo], publicado pela Editora Fráter, que tem como título “O chamado dos Irmãos da Luz.”

Entrevista concedida ao setor de Comunicação Social Espírita da Federação Espírita do Paraná, na XIX Conferência Estadual Espírita, no Expotrade, em Pinhais, em 19.3.2017.

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