Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Em que perseveramos?

julho/2016

A constatação que Jesus repassou aos Seus discípulos, conforme se lê em Mateus 9:37, dizendo: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros, permanece válida nos dias de hoje.

Se por um lado multiplicam-se as organizações, religiosas ou não, dedicadas a socorrer e auxiliar os homens, por outro há um fluxo crescente de padecentes, dando a impressão de que o sofrimento humano não terá fim.

Indiscutível o quadro de dificuldades que retrata o mundo moderno.

Mas há que se destacar, pelo lado dos ceifeiros, a necessidade da perseverança incansável.

O grande trabalhador do Cristo, Paulo, o Apóstolo, que padeceu toda ordem de dificuldades, de sofrimentos, de carências, de perseguições, mesmo tendo sido preso, agredido, apedrejado, não titubeou, não pestanejou na divulgação e vivência da mensagem da Boa Nova. Não desistiu! Persistiu! E venceu!

Ele, Paulo, além de seu exemplo pessoal, ensina: Não nos desanimemos de fazer o bem, pois, a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. (Gálatas, 6:9.)

Buscando manter o ânimo de todos nós em nível de operosidade, lembra-nos Emmanuel, Espírito, ao afirmar: A perseverança é a base da vitória.[i]

E é dele, e na mesma mensagem, que emprestamos as citações:

Não te canses de fazer o bem.

Quem hoje te não compreende a boa vontade, amanhã te louvará o devotamento e o esforço.

Jamais te desesperes, e auxilia sempre.

Não olvides que ceifarás, mais tarde, em tua lavoura de amor e luz, mas só alcançarás a divina colheita se caminhares para diante, entre o suor e a confiança, sem nunca desfaleceres.

Este início de nosso Editorial nos convida a refletir sobre a afirmativa-convite de Jesus, em Mateus 24:13: Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.

A perseverança aqui enaltecida está dentro de um contexto com objetivo muito próprio: o Bem, em toda a sua amplitude, onde deva estar imperando: no indivíduo, no próximo, na família, na sociedade em geral.

Com isso, podemos nos perguntar: Em que perseveramos?

A pergunta reflexiva é válida, porque, no dizer de Emmanuel[ii]: A atitude dos cristãos, na atualidade, porém, é muito diferente. Raríssimos perseveram na doutrina dos apóstolos, na comunhão com o Evangelho, no espírito de fraternidade, nos serviços da fé viva. A maioria prefere os chamados “pontos de vista”, comunga com o personalismo destruidor, fortalece a raiz do egoísmo e raciocina sem iluminação espiritual.

A Bondade do Senhor é constante e imperecível.

Reparemos, pois, em que direção somos perseverantes.

Sem deixar margem para interpretações contraditórias, disse-nos Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14:6.)

Não vacilar quanto a escolha do Caminho; não confundir quanto à Verdade adotar; não se permitir amolentamento na vivência da Vida verdadeira.

Por mais intensas as lutas e dificuldade pessoais, mesmo tendo tropeçado e caído momentaneamente de seus valores morais, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados, convoca-nos o Apóstolo dos Gentios (Hebreus 12:12), e, seguros do Caminho, perseveremos.

E, se sentirmos as forças se esvaindo, visualizemos o Meigo Rabi da Galileia, convidando-nos: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. (Mateus 11:28.)

Diante da incompreensão e do desprezo, que fale a Verdade que já conhecemos, que esclarece: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes. (Marcos 2:17.)

Se agredidos pela calúnia ou qualquer outra forma de afronta, passemos por esse percalço menor da vida e sigamos em busca da maior e verdadeira Vida, recordando Jesus, o Cordeiro de Deus, imolado na cruz da ignomínia:

Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. (Mateus 5:39.)

E, alevantados em ânimo e coragem, perseveremos, de nossa feita, dizendo a quem ouve: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida. (Apocalipse 22:17)

Concluímos com a exaltação ditada por Emmanuel[iii]:

A luta é o meio. O aprimoramento é o fim.

A desilusão amarga. A dificuldade complica.

A ingratidão dói. A maldade fere.

Todavia, se abandonarmos o campo do coração por não sabermos levantar as mãos, de novo, no esforço persistente, os vermes do desânimo proliferarão, precípites, no centro de nossas mais caras esperanças, e se não quisermos marchar, de joelhos desconjuntados, é possível sejamos retidos pela sombra de falsos refúgios, durante séculos consecutivos.

Sempre em frente e para o Alto. Desistir, jamais!
1.XAVIER, Francisco Cândido. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. 12. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993. cap. 124.

2. Op. cit. cap. 39.

3. Op. cit. cap. 99.

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