Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Em nosso dia a dia

maio/2017 - Por Antônio Moris Cury

Quem teve a oportunidade de ler e estudar as obras fundamentais da veneranda Doutrina Espírita (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese) e, por consequência, conhece e compreende os seus princípios básicos, os seus postulados, as suas ideias, os esclarecimentos e orientações oferecidos, percebe desde logo e sem esforço a diferença que faz todo esse conhecimento quando posto em prática em nosso dia a dia.

Com efeito, é grandíssima a diferença quando se deduz, por convicção decorrente da leitura, do estudo e da reflexão, e sem imposição de qualquer espécie, que todos nós somos Espíritos, de origem divina, imortais e indestrutíveis e, exatamente por essa razão, viveremos para sempre, no corpo físico ou fora dele.

Havendo a desencarnação, que fatalmente ocorrerá para todos, nosso corpo carnal, material, grosseiro, denso, vai se decompor e se transformar ou será cremado, mas o Espírito, o ser pensante da Criação, sai do corpo mas não sai da Vida, retornando para o Mundo Espírita de onde proveio e, deveras importante, com a sua individualidade inteiramente preservada. Seremos os mesmos de agora, apenas desvestidos do corpo físico. Numa comparação bastante simples, é como se trocássemos de roupa. A vestimenta é diferente, mas quem a utiliza é o mesmo ser.

Por esta pequena introdução, não será difícil enxergar a enorme diferença que o conhecimento do Espiritismo produz, para melhor, em nosso dia a dia.

Se somos imortais e indestrutíveis, como de fato somos, viveremos para sempre e, logo, é da maior urgência e importância que mudemos nossa postura e compostura, para melhor, a fim de que nos tornemos pessoas cada vez melhores, o que constitui por sinal  uma das bandeiras do Espiritismo: a de tornar melhores os que o compreendem [Revista Espírita, julho de l859].

Sendo melhores, ainda que a pouco e pouco, por exemplo, passaremos a ter mais tolerância para com os defeitos e falhas dos outros, até mesmo porque a Terra é um planeta de provas e de expiações, onde predominam o mal e a imperfeição, ainda, de modo que nós também cometemos erros, males e equívocos, mesmo que algumas vezes não percebamos, de imediato. Não por acaso, estamos neste planeta para aprender [a começar pelo aprendizado da fraternidade], progredir e pensar mais e melhor, e cada vez melhor, para a tomada de decisões, de qualquer ordem, no mínimo porque seremos responsáveis por suas consequências, como é natural.

Observa Cezar Braga Said, o escritor espírita fluminense: Não despreze o valor do silêncio. Ouça com atenção quem lhe procura. Deixe que a pessoa fale sem a interromper, permitindo que dê livre curso ao pensamento, expondo ideias, alegrias e insatisfações. Poucos são os que se encontram dispostos a ouvir, aceitando o outro como ele se apresenta. Normalmente ouvimos censurando, julgando, esperando apenas uma pausa para que possamos lhe dar a nossa receita de bem viver.

Mais adiante, acrescenta: Silenciar é importante para meditar, analisar as próprias atitudes, conhecer-se. Quem consegue silenciar cultiva a ponderação, o exame desapaixonado, melhor resolvendo os próprios problemas. Silenciar não é apenas deixar de falar, mas ouvir a voz do próprio coração, a consciência, a natureza, ler a realidade sob outros ângulos. Quem aprende a se ouvir consegue escutar melhor o outro. Ouvir com paciência é uma arte e certamente um ato de amor (Convivendo com você, cap. O valor do silêncio, ed. CELD, 2010, pág. 79 a 82).

Em nosso dia a dia bastará que não façamos o mal?

Não fazer o mal, reconheça-se, é um passo, um avanço, mas não o suficiente, uma vez que nos compete fazer o bem, no limite de nossas forças, porquanto responderemos por todo o mal que haja resultado de não havermos praticado o bem, como consta, em outras palavras, na questão 642 de O livro dos Espíritos.

Com o conhecimento adquirido, veremos como é importante e até mesmo fundamental, a busca pelo nosso aperfeiçoamento intelectual e especialmente o moral, com persistência, com perseverança, com esforço, com vontade, quando menos porque viveremos para sempre. A toda evidência, seremos os primeiros e maiores beneficiários dessa conquista que, por fazer parte integrante e inseparável de cada um de nós, não se perde jamais.

Importante também que em nosso dia a dia procuremos agir com humildade, o que é perfeitamente factível, ainda que devagar, devagarinho.

Jesus, o Cristo, nosso Modelo e Guia, é o maior exemplo de simplicidade que até hoje surgiu na Terra. E simplicidade em tudo. Respeitoso e respeitador. Simples no se alimentar, no vestir, no se comportar, no falar. Nada escreveu, mas Suas falas e orientações permanecem consolidadas até os dias de hoje, muito atuais, nada obstante decorridos quase dois mil anos, como se pode constatar, por exemplo, pelos ditos que exprimem Sua extraordinária capacidade de síntese: A cada um segundo as suas obras. A semeadura é livre, mas a colheita obrigatória. E o seu ensino máximo, através do qual resumiu toda a lei e os profetas: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Em nosso dia a dia, todos estamos em condições de crescer e progredir, tornando-nos pessoas de bem, voltadas para o bem e para a sua prática. Depende de nós, exclusivamente. Avancemos, pois, procurando melhorar sempre.

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