Jornal Mundo Espírita

Novembro de 2021 Número 1648 Ano 89

Em Família

setembro/2020 - Por William Vida Petrosky

No pequeno grupo doméstico inicia-se a experiência da fraternidade universal,
ensaiando-se os passos para os nobres cometimentos em favor da construção da
sociedade equilibrada. Em razão disso, toda vez que a família se entibia ou se
enfraquece a sociedade experimenta conflitos, abalada nas suas estruturas.1
 

Em fevereiro de 2020, na reunião do Conselho Federativo Estadual – CFE da Federação Espírita do Paraná – FEP, foi anunciada a criação da Área da Família, tendo como base os documentos norteadores da Federação Espírita Brasileira – FEB.

Irmana-se às demais Áreas de trabalho da Federativa, buscando a sua integração, contando com o apoio das suas coordenadorias e dos presidentes das Uniões Regionais Espíritas –  UREs, a fim de que alcance seus objetivos de acolhimento, consolo, esclarecimento e orientação aos grupos familiares.

Considerando que a Terra é um planeta de provas e expiações, em que as dificuldades são inerentes ao processo de evolução moral e intelectual, a família consanguínea e a grande família espírita² possuem importância substancial à superação dos conflitos existenciais, tanto individuais quanto coletivos.

                                               Nem sempre compreendida, especialmente nos dias modernos, a
família permanece como educandário de elevado significado para a
formação da personalidade e desenvolvimento afetivo, mediante os
quais se torna possível ao Espírito encarnado a aquisição da felicidade.3

A família é o primeiro núcleo educador da sociedade, onde ocorrem encontros e reencontros de Espíritos, para que, pela vivência familiar, possam fazer os reajustes necessários à caminhada evolutiva por meio do amor.

Assim, torna-se de fundamental importância compreender as situações que se vivencia e a necessidade de Espiritualidade, a fim de fortalecer e auxiliar o grupo familiar.

Dessa forma, a união fraterna e o esclarecimento, por meio dos conteúdos doutrinários espíritas, são fundamentais para a superação dos conflitos. Por meio do amor, da confiança em Deus e da prática da caridade cristã, é possível enfrentar os problemas familiares e sociais com fé, coragem e paz.

Logo, a ação caridosa, justa e pacificadora no lar contribui muito para o progresso moral do Espírito.

Em O Céu e o Inferno4, Allan Kardec apresenta a fala do Espírito Joseph Bré:

                                   Honesto aos olhos de Deus será aquele que, possuído de abnegação e
amor, consagre a existência ao bem, ao progresso dos seus semelhantes; aquele
que, animado de um zelo sem limites, for ativo na vida; ativo no cumprimento
dos deveres materiais, ensinando e exemplificando aos outros o amor ao
trabalho; ativo nas boas ações, sem esquecer a condição de servo ao qual o Senhor
pedirá contas, um dia, do emprego do seu tempo; ativo finalmente na prática
do amor de Deus e do próximo.

          Ou seja, a nossa responsabilidade como membros da família universal, da família consanguínea e também da família espírita é nos amar como nos pede Jesus5 (Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros), é a prática do zelo mútuo, do olhar benevolente e ativo ao outro em todos os momentos da vida.

Além disso, é importante considerar que dentro da família espírita, mesmo aqueles que estudam e compreendem a mensagem espírita, que buscam praticá-la, não estão isentos de entrar em estados de revolta, desespero, angústia, depressão ou outros estados mentais desfavoráveis, no momento em que passam por grandes provações.

Por meio da orientação e consolo caridosos dos companheiros da Seara, o trabalhador tem a oportunidade de acalmar-se, refletir sobre os aprendizados que necessita extrair daquele contexto e sentir-se amado pelos seus companheiros de Ideal. Afinal, a missão educacional do Espiritismo implica em profunda reflexão sobre a vida e a necessidade do olhar espiritual, nestes momentos cruciais da transição planetária.

Igualmente, é importante lembrar que questões familiares, mais ou menos graves, inerentes aos relacionamentos, podem ocorrer com qualquer pessoa em jornada terrena.

É ainda o Espírito Joanna de Ângelis6 que, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco afirma que O bem não te imunizará do sofrimento, de que necessitas, no entanto, auxiliar-te-á a enfrentar as situações difíceis com ânimo robusto e confiança em Deus.

Portanto, a Área da Família buscará elaborar, em conjunto com as demais áreas, ações envolvendo as crianças, jovens, adultos e idosos das famílias dos trabalhadores do Movimento Espírita, frequentadores e acolhidos pelos Centros Espíritas. Essas ações visarão contribuir para o fortalecimento dos laços familiares, valorização da vida, educação das gerações atuais e futuras, oferecendo os instrumentos seguros de atuação na sociedade de forma caridosa e, consequentemente, reverenciando a Deus.

 

Referências:

1 FRANCO, Divaldo Pereira. Constelação familiar. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL, 2015. Constelação familiar.

2 Entende-se por família espírita a reunião de todos os trabalhadores das diversas casas espíritas e suas respectivas famílias consanguíneas.

3 FRANCO, Divaldo Pereira. Constelação familiar. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL, 2015. cap. 1.

4 KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno: ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2010. pt. 2, cap. III, item Joseph Bré.

5 BÍBLIA, N. T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 13, vers. 34 e 35.

6 FRANCO, Divaldo Pereira. Alerta. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL, 1991. cap. 44.

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