Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2020 Número 1637 Ano 88

Ele chegou!

agosto/2020

A ideia religiosa nasceu com a própria Humanidade.

As primeiras organizações religiosas da Terra tiveram sua origem entre os povos primitivos do Oriente, onde há registro da árvore mais antiga das civilizações terrestres.

A História nos mostra que todos os livros e tradições religiosas da Antiguidade guardam, entre si, a mais estreita unidade substancial.

Todas se referem a Deus, mesmo que sob designações diversas, como a essência da vida de todo o Universo. Todas cultivam a flor da vida e da verdade, do amor e da esperança.

As eras se sucedem com suas experiências consecutivas.

Legou-nos páginas de alegrias e realizações, como também outras de fracassos e dores.

Os resultados, por fim, sempre foram evolucionários, como preparativo dos caminhos dAquele que vinha depositar na Terra a mais seleta semente do Amor.

Não só se pôs a anunciar o Reino da Paz, como indicou o Caminho, demonstrou a Verdade e exemplificou a Vida verdadeira.

Disse que bem antes de nós sermos, Ele já era.

Falou que o Seu grande ensino, como Mestre, é o Amor, síntese de todas as leis e profetas: amor a si mesmo, amor ao próximo e a Deus acima de todas as coisas.

Ao nos amar, demonstrou o quanto devemos amarmo-nos uns aos outros.

Tal Sua dedicação que afirmou estar conosco por todo o tempo. E, se corações de boa vontade calarem suas vozes para dEle falar, as pedras falarão.

Como Consolador, deixou pegadas de luz em todos os recantos por onde caminhou, abençoou, curou, estimulou e orientou.

Enalteceu a Terra e cantou a Natureza como morada sagrada dentre as várias Casas do Pai.

Transformou o grão de mostarda em símbolo de fé, enquanto a figueira seca representava a descrença.

Os lírios dos campos foram exemplos de como a simplicidade é fundamental para melhor refletir a beleza.

Os pássaros nos céus davam testemunho de que o Pai é Amor, cuida e alimenta Suas criaturas com o mais revigorante alimento.

Que o pouco, se feito com o coração repleto de boa intenção e rico de compaixão, representa muito perante o Senhor, como visto na lição da oferenda caridosa e espontânea de uma pobre viúva.

Com isso, ensinava que devemos amar a Deus, não por força dessa ou daquela bandeira religiosa, mas em Espírito e Verdade, formadores do casulo protetor da religiosidade que deve viger nos corações e nas consciências.

Anunciou que, no momento certo, outro Consolador seria enviado, a fim de ficar eternamente com todos nós, uma vez que Ele iria para nos preparar o lugar.

Não ficou no anúncio, deu-se a confirmação. Ele chegou!

Desde 18 de abril de 1857, aconchegado por tecido aveludado, abrigado em vitrine de uma livraria – e por testemunhas, nas múltiplas prateleiras daquele recinto, compêndios com as mais consagradas letras, clarificadoras de todas as áreas do pensamento iluminativo dos homens, abria-se em luz o Livro da Esperança, impregnado de uma energia especial, capaz de levar o conhecimento às mentes dos homens, dali carreá-lo aos corações, para, logo a seguir, acionar as mãos e colocá-las, operosas, a serviço da Luz, a mesma Luz que um dia desceu à Terra e as trevas não A compreenderam.

O Consolador Prometido apresentava-se ao mundo, vivo nas páginas de um livro, como repositório de bênçãos, código para abrir as portas das bem-aventuranças: O Livro dos Espíritos, codificado por Allan Kardec.

Estava disposta na Terra a grande pedra angular para a construção da Nova Era, o primado do Espírito.

Caberia, agora, aos Homens, impregnarem-se da sua energia regenerativa, e transformarem as ideias ali expressas em letras, em ações luminescentes e libertárias.

O livro-síntese cruzou os mares e encontrou, no Brasil e no Paraná, corações ansiosos pelo reencontro com as Vozes dos Céus. Os demais livros da Codificação seguiriam a mesma rota, em seguida.

Logo se formaram núcleos para encontro daquelas pessoas que queriam saber da Boa Nova, agora pelas letras do Espiritismo.

O Consolador Prometido, qual raio de luz de um Sol de primeira grandeza, irradiava-se nas terras paranaenses.

Organizaram-se, esses núcleos, a seguir, em um corpo federativo. Nascia a Federação Espírita do Paraná – FEP. Era o dia 24 de agosto de 1902.

Somam-se, então, neste mês, 118 anos a essa data, com todos os dias devotados à Causa do Bem, aos propósitos de Jesus para com a Humanidade.

As Casas Espíritas se multiplicaram, desde então.

Aliadas de todas as manifestações do Bem, do Belo e do Justo, trabalham na semeadura e na floração da vida verdadeira e da verdade que liberta, do amor que salva e da fé que sustenta a caminhada e nos mantém na marcha ascensional, para que resulte produção de frutos em forma de Consolo e de Esperança, dos quais todos podem se servir à vontade.

A FEP e as Organizações Espíritas têm por lema: Deus, Cristo e Caridade.

E por prática: Trabalho, Solidariedade e Tolerância.

Ele não nos deixou e não nos deixará jamais.

Jesus sempre presente.

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