Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Ecos da XVII Conferência Estadual Espírita

Entrevista concedida por Alessandro Viana Vieira de Paula

março/2016

Qual a explicação para as desencarnações precoces, ou seja, de recém-nascidos, crianças e jovens?

A Doutrina Espírita nos esclarece que o Espírito vem à Terra com determinado planejamento reencarnatório. Ao tratar da questão, o Codificador Allan Kardec, apresenta duas hipóteses, para essas mortes prematuras.

Pode se tratar do Espírito de um suicida, que retorna ao mundo para complementação do tempo de vida que faltou na reencarnação anterior. Ou, como acontece com muita frequência, e acho belíssima essa situação, trata-se de Espíritos missionários que reencarnam para um breve período na Terra, para servir de despertamento para os pais.

Vamos encontrar em obras espíritas histórias dessa natureza. Às vezes, pais que estavam afastados da religião, descrentes.  O Espírito aceita vir como filho, viver pouco, porque  a sua partida precoce irá despertar nos pais a necessidade da busca de  Deus e da Espiritualidade.

 

Os que desencarnam encontram com seus entes queridos? E o Espírito desencarnado tem condições de saber o que se passa com  aqueles que ficaram na Terra?

Temos o exemplo do Espírito André Luiz, narrado na obra mediúnica, psicografada por Francisco Cândido Xavier, Nosso lar, do qual, inclusive, foi feito filme. Ele ficou oito anos em sofrimento, em zona umbralina. Depois, um ano e meio, aproximadamente, na Colônia Nosso Lar para, somente então, poder ter informação dos seus familiares.

Desse modo, essas questões dependerão da forma como o Espírito volta para o mundo espiritual. Se retorna lúcido, equilibrado, se praticou o bem, logo  se adapta a essa nova vida e poderá visitar os seus familiares, na Terra.

Se retorna em estado de perturbação, de desequilíbrio, por vezes desconhecendo onde  se encontra, não terá acesso a essas informações. O sofrimento, o desequilíbrio, a ignorância que permeia aquele momento na Espiritualidade, poderá mantê-lo distante de seus familiares.

E o reencontro, no mundo espiritual, se dará mais tardio. Portanto, o reencontro poderá ser mais rápido, se o Espírito está equilibrado no Além, ou se retardará porque está em situação de desequilíbrio.

 

Mas, reencontrar amigos e familiares no mundo espiritual é um grande consolo e uma alegria.

Exatamente, quando cumprimos com as nossas obrigações, somos uma pessoa do bem, teremos a oportunidade de num primeiro momento na Espiritualidade, sermos acolhidos por esses parentes, por esses amigos que nos antecederam.

Vejamos: o reencontro sempre se dará. Poderá ser num primeiro momento ou depois de muito tempo. Pode ocorrer que, os parentes e amigos estejam próximos, mas o desequilíbrio do Espírito desencarnado não lhe permita percebê-los, não os consiga registrar. Isso poderá lhe constituir, inclusive, sofrimento.

Por isso, quando o Espírito adentra a Espiritualidade, deixando o corpo físico, em situação de paz, de equilíbrio, o reencontro se faz imediato e isso, realmente, é uma recompensa para aquele que viveu bem aqui na Terra.

 

Nesta Conferência, estamos comemorando os  cento e cinquenta anos do livro O céu e o inferno. Por que o Movimento Espírita conhece tão pouco essa obra?

Realmente, junto com a obra A Gênese, que é a quinta da Codificação Espírita, é dos livros menos lidos. As estatísticas nos dizem que o Brasil está entre os países com o índice mais baixo de leitura. Aplicamos isso, então, para o Movimento Espírita. Os espíritas, muitas vezes, procuram leituras como romances, alguns até que não acrescentam muito; de outras, as pessoas procuram respostas prontas. Para isso, buscam o dirigente da Casa Espírita, o médium, o orador para que as apresente. Naturalmente que, num ou noutro momento, o médium, o dirigente, o trabalhador espírita poderá ofertar a resposta. Entretanto, há aqueles que ficam sempre dependentes e acomodados esperando que os outros respondam as suas indagações, as suas dúvidas.

Isso é fruto dessa má formação do espírita que não quer estudar e prefere ficar na superficialidade das informações, o que não é saudável.

Por esse motivo, livros como O céu e o inferno, embora com depoimentos extraordinários e ensinos edificantes, ficam um tanto esquecidos nas livrarias e nas bibliotecas.

 

Observa-se que a maioria das pessoas procura a felicidade. Sob meu ponto de vista, seria o bem maior que se pode almejar. O que se pode fazer para alcançar a felicidade tão desejada?

A grande questão é o conceito de felicidade que tenhamos. Se sairmos perguntando, numa pesquisa popular, certamente cada pessoa dará o seu ponto de vista a respeito da felicidade. E esse ponto de vista que ela tenha a respeito da felicidade fará toda a diferença na sua vida.

Allan Kardec, na Revista Espírita, de julho de 1862, escreve a respeito do ponto de vista e como isso tem impacto na nossa vida. Portanto, se para alguns a felicidade é possuir, é ter bens materiais, não ter doenças, ter facilidades na vida, status, buscarão isso.  Se não conseguirem, sofrerão a carência, sentirão um vazio na alma.

Contudo, se entendermos a felicidade, conforme os conceitos do Evangelho, como esse enriquecimento espiritual, moral, essa luta para eliminar defeitos e conquistar virtudes, ter um coração pacificado, como dizia Sócrates, a consciência tranquila, estaremos no caminho certo. Nesses termos, seremos verdadeiramente felizes, teremos alcançado a felicidade.

Sumaya Klaime Risso/Cascavel/PR
Claudinei Binder/Irineópolis/SC
Bandeira/São Sebastião do Caí/RS

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