Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2020 Número 1633 Ano 88

Ecos da XVII Conferência Estadual Espírita

dezembro/2015

Quem é Suely Caldas Schubert?

Minha biografia é muito simples. Nasci em Carangola, Minas Gerais, de pais espíritas. Sou a filha mais velha, tenho duas irmãs e todos frequentávamos o Centro Espírita. Meu pai, como gerente de banco, mudava muito de cidade e, assim, moramos em várias localidades, inclusive Uberaba, na década de 40, antes de Chico Xavier  fixar residência ali.

Mudamos para Juiz de Fora, em 1949.  Cresci, lendo os livros de meu pai. Aos nove anos, eu já estava devorando a biblioteca dele. Ele, por ser sócio da Federação Espírita Brasileira – FEB, naquela época, recebia os livros editados. Portanto, eram muitos títulos. Até hoje sou leitora compulsiva. E costumo reler várias vezes os mesmos livros.

Publiquei meu primeiro livro em 1981, Obsessão e desobsessão, que se originou de uma apostila escrita por mim, como base para um Encontro, de dois dias, sobre o tema.

Para a pesquisa, contei com uma equipe de quatro pessoas, que trabalhava  na Aliança Municipal Espírita de Juiz de Fora, tendo como fundamento O livro dos médiuns e livros do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografados por Divaldo Pereira Franco ( Nos bastidores da obsessão e Grilhões partidos). A sugestão de transformá-la em livro foi do então Presidente da FEB, Francisco Thiesen.

Depois publiquei O testemunho de Chico Xavier e Semeador de estrelas e me encontro escrevendo o décimo sexto livro.

 

A respeito da morte, como fazer a passagem desta para a outra vida, da melhor forma possível?

É difícil que a pessoa esteja ciente de que esteja desencarnando, que aquele é seu último momento. Às vezes, pode pressentir porque teve um ferimento à bala, algo grave lhe aconteceu, e  pode pensar que esteja partindo.

Doentes terminais podem pressentir que estejam prestes a desencarnar.

Mas, quando o Espírito realmente se separa do corpo há uma turbação dos sentidos. Uma amiga minha teve, há muitos anos, esclerose múltipla. Quando a conheci, ela já estava no leito, paralisada, cega. Mas, com uma das mãos, que se movimentava, ela tinha acesso ao telefone que os pais haviam colocado na parede, encostado ao seu leito. As pessoas ligavam para ela, quando estavam sofrendo e ela as confortava.

Dois dias antes de ela desencarnar, fui visitá-la, transmitir-lhe o passe. Quando cheguei, ela falou: Suely está acontecendo algo muito estranho comigo. É como se eu estivesse saindo do corpo, mas saindo definitivamente, porque desde os pés, ouço um estalido e parece que algo se desprende e meu pé fica gelado. Ela estava se despedindo do corpo, muito consciente. Estava em processo desencarnatório.

Ela se chamava Gizelda, morreu com um pouco mais de trinta anos, tendo adoecido aos quatorze. Tinha cumprido sua jornada de resgate. Treze dias depois, ela deu uma comunicação por meu intermédio dizendo aos pais que estava andando e enxergando, ou seja, ela chegara bem ao mundo espiritual.

Soube depois que, antes de desencarnar, ela dissera aos pais que viria por meu intermédio, dar notícias, assim que lhe fosse possível.

 

Dessa forma, podemos ver que a pessoa pode chegar muito bem do outro lado, embora saibamos que todos os Espíritos passam por um período de perturbação, algo como uma espécie de um torpor, se ressentindo do desligamento do corpo físico, que vestiram durante muitos anos.

Entretanto, sabemos que há ajuda espiritual, que nossos familiares desencarnados vêm nos receber.

Isso é o que a Doutrina Espírita mostra e é consolo, é esclarecimento, especialmente para as pessoas não se desesperarem quando um ente querido desencarna.

Temos que lembrar que o corpo físico é somente uma veste.

 

Uma mensagem final.

Queremos dizer  aos que estão se aproximando dos conceitos da Doutrina Espírita pela primeira vez, que possam pensar profundamente em tudo o que o Espiritismo apresenta, porque é uma forma de despertar para a vida e trabalhar para o próprio progresso espiritual, para conseguir vencer as dificuldades.

Sabemos que a vida é difícil, a situação mundial é preocupante, a do nosso país também, e a pessoa pode, a partir dos conhecimentos que o Espiritismo proporciona, porque ele traz de volta o Evangelho do Cristo, se adaptar melhor a este mundo. Também se dispor a praticar o bem, a amar, porque o importante é isso, aprender a amar, a desculpar, a ser fraterno. Esta é a mensagem básica que Jesus veio trazer e que o Espiritismo está reavivando para nós.

Desejamos a todos muita paz, muita luz e muito amor.

 

Trecho de entrevista concedida a Sumaya Klaime/Cascavel/PR
Claudinei Binder/Irineópolis/SC
Bandeira/São Sebastião do Caí/RS,
ao ensejo da realização da XVII CEE, em Pinhais, de 13 a 15.3.2015.

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