Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

E seguiram-no…

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo tal é a lei maior.

julho/2014 - Por Rogério Coelho

Aquele que beber da água que eu lhe der, nunca terá sede.  Jesus (Jo. 4:14)

Há muito os discípulos não recalcitravam contra os alvitres do Meigo Pastor Celeste…  Por mais estranha fosse a atitude dEle, eles não vacilavam mais, e seguiam-nO sem tergiversações… Por isso, quando viajaram da Judeia para a Galileia, não estranharam quando Ele, abandonando a estrada real, que ligava Jericó e Bataneia, sob as sombras amigas das árvores, que ladeavam o suave e tranquilo curso do Jordão, penetrou os limites da Samaria, evitada pelos judeus.

A senda que Jesus escolhera era áspera, pedregosa…

Não era fácil vencer os quilômetros que separavam as duas cidades, galgando as montanhas de Efraim.

A paisagem se vestia de forma menos exuberante, colorindo-se aqui e alí com loendros, que rivalizavam com sicômoros desgalhados… O sol a pino dourava o imenso trigal, que se esparramava pelo vale, em suaves ondulações, provocadas por morna aragem. Haviam subido seiscentos metros acima do nível do mar, que podia ser visto, ao longe, entre as brumas.

Finalmente estavam na periferia de Siquém, também conhecida como Sicar.  Corpos cobertos de pó, gargantas ressequidas, músculos doloridos, descansavam junto ao Poço de Jacó, em pausa refazente.

Algum tempo depois, enquanto os Apóstolos demandavam a cidade em busca de suprimentos, Ele ficou ali, só… Armava-se o proscênio para as lições imperecíveis!…

De retorno com os víveres, os discípulos flagraram Jesus em amplo diálogo com uma samaritana, chamada Fotina, mas, (também) não estranharam…

Ele estava derrogando ancestrais tabus e costumes: ninguém podia dirigir a palavra a uma mulher em público e, muito menos, judeus se confraternizarem com samaritanos, desde as recuadas eras da cisão entre as tribos, por questões de desentendimentos na interpretação das Escrituras Sagradas e da não aceitação dos outros profetas pelos samaritanos que, tão somente, adotavam o Pentateuco Moisaico.

Aureolada por respeitosa reverência, a mulher já havia se rendido aos Sublimes Ensinamentos, e, tal como os discípulos, passou a levar a Boa Nova a todas as criaturas, ficando, depois, conhecida sob a alcunha de a Iluminadora.

Com Ele, Fotina aprendera a semear no presente para colher no futuro.

Ele lhe havia descortinado os horizontes da Imortalidade da Alma!

Fazia-se urgente levar a todos as primícias do Reino que, agora, não mais se restringiria aos recintos graves, insossos e fechados dos templos de pedra. Deus deve ser louvado em Espírito e Verdade, na ara singela e despojada dos corações.

Seguindo, empós, para a Galileia, o Mestre deixou atrás de Si um sendal de Luz a clarear os obscuros meandros do eu, ensejando o espírito de renúncia e ampliando o horizonte dos míopes viajores da Eternidade.

Assim, hoje como ontem, os que desejamos seguir a Jesus devemos também fazê-lo sem tergiversações, sem olhar para trás, com olhos postos na Estrela Maior, nos caminhos do Infinito, nas sendas da Imortalidade, esparzindo a Luz que Ele trouxe de Seu jardim de estrelas, propondo uma nova ordem lastreada na solidariedade fraternal, na caridade sem limites e incondicional, saindo do discurso para o curso da prática e aplicação do mandamento maior, que resume todas as leis e todos os profetas: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.                            

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