Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

É para isto que fomos chamados…

maio/2016

Emmanuel, Espírito, nos diz: Um Centro Espírita é uma escola onde podemos aprender e ensinar, plantar o bem e recolher-lhe as graças, aprimorar-nos e aperfeiçoar os outros, na senda eterna.[1]

E, em outro momento[2]:

Qual a melhor escola de preparação das almas reencarnadas, na Terra?

A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter.

Por analogia, podemos relacionar o Centro Espírita como um grande lar em extensão ao nosso lar vivencial, ou o nosso lar como uma extensão do Centro Espírita, em escala menor. O propósito essencial das duas instituições é conduzir os corações humanos pela senda do Bem. Em ambos, os que guardamos as necessidades educativas ou reeducativas, vemo-nos acolhidos, qual amplexo materno, por mãos que consolam, que orientam, que congregam e esparzem fraternidade.

Citamos o Espírito Francisco Spinelli:

A Doutrina Espírita, na atualidade, não se reveste apenas de lapidares conceitos, antes se constitui parte essencial para o nosso modus-vivendi na Terra.

Não é apenas uma mensagem nobre, mas um programa de ação.

Não é somente uma bela Filosofia, porém um roteiro para a evolução.[3]

E acrescemos o escrito de Lins de Vasconcellos, Espírito:

O Espiritismo, consolidando a promessa de Jesus Cristo, trouxe à Terra um novo modus-operandi capaz de estimular o espírito humano no roteiro da dignificação pessoal e social, fazendo-o religioso com religiosidade íntima, capaz de ligá-lo, realmente a Deus, destarte, convocando-o para o auxílio aos náufragos e vencidos morais do mar proceloso das aflições, redimindo-se, por fim, através da redenção que propicia ao próximo.[4]

Registramos tais ensinos dos nobres Espíritos Orientadores, destacando que o Espiritismo está presente no Centro Espírita e no lar dos espíritas, sem deixar de considerar que onde estiver o espírita profitente, ali estará a mensagem espírita.

Enquanto as mães são homenageadas neste mês de maio, com muita justiça, ampliemos a visão do esforço educacional que elas dispendem em benefício dos seus filhos, projetando-a para as ações intramuros nos Centros Espíritas, refletindo sobre a amorosa intenção das mães nos lares e a dedicação de tantas almas nos Centros Espíritas voltadas para nossa melhoria, e qual tem sido nossa aceitação e nossa reciprocidade a tal respeito.

O Apóstolo Pedro lecionou: Não retribuindo mal por mal, nem injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados. (I Pedro, 3:9.)

A fileira dos que reclamam foi sempre numerosa em todas as tarefas do bem.

Muitos preferem o caminho dos atritos ou das dissidências.

Mas é um contrassenso evidente daqueles que recebemos o calor do afeto maternal ou o afago consolador da mensagem do Cristo, agirmos em oposição ao bom caminho, resistentes aos bons propósitos, fugidios à parte que nos diz respeito na consolidação da concórdia, da harmonia, da solidariedade – comportamento mais do que necessário na vivência doméstica e nos Centros Espíritas.

Se não conseguimos ser amigos e colaboradores úteis nem mesmo a uma casa pequena – aquela em que a Vontade do Pai nos situou, a título precário, como auxiliar o mundo?

Segundo Emmanuel[5]: Amarguras, perseguições, calúnias, brutalidade, desentendimento? São velhas figurações que atormentam as almas na Terra. A fim de contribuir na extinção delas é que o Senhor nos chamou às suas fileiras. Não as alimentes, emprestando-lhes excessivo apreço.

O cristão é um ponto vivo de resistência ao mal, onde se encontre.

Pensa nisto e busca entender a significação do verbo suportar.

É para isto que fomos chamados.

Paulo, o Apóstolo, considerou: Aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família e a recompensar seus pais, porque isto é bom e agradável diante de Deus. (I Timóteo, 5:4.)

O Apóstolo aconselha o exercício da piedade no centro das atividades domésticas, entretanto, não alude à piedade que chora sem coragem ante os enigmas aflitivos, mas àquela que conhece as zonas nevrálgicas da casa e se esforça por eliminá-las, aguardando a decisão Divina.

Honrar pai e mãe.  Memória ativa no Velho e no Novo Testamento. E mais, princípio de virtude em todos os tempos e por todos os povos.

Mesmo que com propósitos comerciais, estamos vendo, em mais um ano, as mídias enaltecendo a figura das mães.

Com pequeno esforço, podemos transcender o apelo comercial, e nos defrontarmos com a grandeza do que se propõe nessas campanhas pelo dia das mães, e fazermo-nos reverentes à grandiosidade da maternidade nos propósitos Divinos e a sua presença nessa Obra de Deus.

Saibamos agradecer, não somente com gestos carinhosos pela dedicação e sacrifício, que são devidos e precisam de reconhecimento por parte dos filhos em relação à sua mãe, mas, principalmente, com demonstração prática exemplar de que aprendemos as lições de amor, de humildade, de tolerância, de responsabilidade, de amizade, de fé, de respeito, que elas tanto se empenham em nos repassar.

Sejamos quais pontos vivos de vivência do bem, na qualidade de pais, de filhos, e como trabalhadores espíritas.

É para isto que fomos chamados…

 



[1]  XAVIER, Francisco Cândido. O Centro Espírita. Reformador, Brasília, jan. 1951.

[2] ______. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 18. ed. Brasília: FEB, 1997. perg. 110.

[3]  FRANCO, Divaldo Pereira. Sementeira da fraternidade. Por diversos Espíritos. 3. ed. Salvador: LEAL, 1985. cap. 2.

[4] ______. Op. cit. cap. 52 .

[5] XAVIER, Francisco Cândido. Pão nosso. Pelo Espírito Emmanuel. 21. ed. Brasília: FEB, 2001. cap. 118.

 

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