Jornal Mundo Espírita

Julho de 2020 Número 1632 Ano 88

Duas janelas

janeiro/2013 - Por Andrey Cechelero

Uma jornalista americana, Ruth Staut, escreveu um belo livro narrando a história de sua vida.

Nessa obra afirma que o maior sonho de sua existência era dar um conselho aos jovens.

Então, para poder dar tal conselho ela escreve a autobiografia, deixando uma parte para estabelecer a sua diretriz orientadora para a juventude.

Em determinado trecho, recorda-se de que, quando tinha quatro anos de idade,  morava numa bela casa californiana, esparramada num gramado verde cercado de roseiras, invariavelmente abertas em flor.

Num dia pela manhã, quando Ruth despertou, olhou pela janela, para o lado, e viu seus irmãos fazendo uma pequena sepultura para poder inumar o cadáver de um cãozinho chihuahua.

Os irmãos choravam e Ruth também começou a chorar.

O avô, que estava na sala, sentado numa cadeira de balanço, vendo-a chorar, acercou-se-lhe e perguntou:

Por que choras?

Ora…porque meus irmãos estão tristes. Morreu seu cachorrinho. Eu não gostava dele, mas os meus irmãos gostavam, e como eles estão tristes eu também estou.

O avô, que era um homem muito sábio, pegou-a pela mão e a fez atravessar a sala, e numa outra janela, defronte da que ela estava, apontou uma roseira e disse:

Ruth, olha a roseira que nós plantamos há apenas três meses, lembras-te?

E lépido, saltou a janela e disse: Vem! E ela foi correndo com ele.

Quando chegaram junto à roseira, ela estava como se fosse uma criança com os dedos e as unhas arroxeadas. Eram os botões que iam abrir!

Um deles estava se abrindo e exalava um doce aroma. O avô lhe disse: Cheira! Sente, Ruth. – E ela sentiu o aroma, então sorriu.

Ele perguntou: Estás contente, agora?Oh, claro, avozinho! Que felicidade ter uma roseira!

Ele a pegou pela mão, voltou à janela, saltaram, foram até o meio da sala, e ele disse:

Ruth, eu quero te dar um conselho, para que tu nunca mais te esqueças dele:

Na vida de todos nós, sempre existem abertas duas janelas. Uma que olha para a tristeza e a outra que olha para a felicidade. A verdadeira sabedoria está em eleger aquela janela onde se quer ficar. Quando estiveres debruçada na janela da tristeza, lembra-te que atrás, a janela da felicidade está aberta. E então, transfere-te de janela. E quando estiveres na janela da felicidade, lembra-te que atrás alguém está chorando e necessita do teu apoio. Nunca te esqueças. Jamais permaneças na janela da tristeza desdenhando o dom da felicidade que Deus a todos nos oferece. E ainda, quando estiveres feliz, nunca te esqueças de que alguém necessita de uma cota de alegria, que tu podes dar.

 Na vida de todos nos, abrem-se janelas expressivas que olham a tristeza, que olham a felicidade.

Que saibamos sair do peitoril da janela da tristeza para poder sorrir com o dia de sol, sem esquecer de sempre levar um pouco de claridade a quem está chorando nas sombras.

 

 (Texto com base em narrativa de Divaldo Pereira Franco,
em Seminário, realizado em 2007, com o título Encontro com Jovens).

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