Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Doutrina Espírita – transcendendo fronteiras…

junho/2010

A respeito da divulgação do Espiritismo para o público leigo,
porém necessitado, fora de nosso Movimento.

 Há algumas semanas, a Diretoria Executiva da FEP, mobilizada pela necessidade de ampliar a oferta do conhecimento da Doutrina Espírita para além das paredes do próprio Centro Espírita, resolveu criar e implantar uma estratégia singular, talvez inédita no território brasileiro: a ampliação da sua livraria, especificamente com os produtos próprios da Federação Espírita do Paraná, com forte apelo popular, em lojas, restaurantes, postos de combustíveis, lanchonetes, escolas, faculdades, panificadoras, shoppings, entre outros, de tal modo a alcançarmos um público que, como regra, não participa das atividades da Casa Espírita.

O raciocínio foi, a rigor, bem simples. As instituições espíritas, em média, permanecem abertas 30% do tempo das instituições comerciais. Enquanto essas empresas, pela sua própria natureza, já possuem um esquema comercial próprio para atender à demanda de consumo do grande público, durante várias horas por semana, podendo esse número chegar a 80 horas, o Centro Espírita talvez nem chegue a 30 horas.

Desse modo, há um aumento significativo na probabilidade de um livro, de um CD ou DVD espírita chegarem às mentes e corações das pessoas, em dias tão carentes, assinalados pela ausência de propostas e pela falta de propagação maciça de uma perspectiva espiritualista que destrua, de vez, os últimos resquícios do materialismo avassalador, incapaz de sustentar a paz, a felicidade do ser humano.

Motivados, portanto, por esse desejo, os diretores da FEP colocaram mãos à obra, iniciando essa campanha pela cidade de União da Vitória, na oportunidade em que foi realizada a Inter-Regional Centro, em meados de abril.

E tudo começou num posto de combustíveis… e, em menos de um mês, já temos 20 pontos comerciais parceiros da FEP.

São eles:

Auto Posto Ipiranga, de propriedade do confrade Marcelo L. Ravanello, diretor de difusão doutrinária da 15ª URE, União da Vitória, com 4 expositores.

Auto Posto Gaudério, em Cascavel;

Auto Posto Sabiá, em Lindoeste;

Auto Posto O Cupim Truck Center, em Santa Terezinha do Itaipu;

Luza Comércio de Refeições, em Cascavel;

Churrascaria e Restaurante Cone Sul, em Santa Terezinha do Itaipu.

Todos estes, numa iniciativa do confrade Nolimar, presidente da 10ª URE.

Casa do Pão Caseiro, em Paranaguá, do confrade Silvio Fonseca, ex-presidente da 1ª URE;

Restaurante Pappi’s, na Rua Faria Sobrinho, em Paranaguá;

Centro de Educação Infantil Adolfo Bezerra de Menezes, em Curitiba;

Centro de Educação Infantil Mariinha, em Campo Largo;

Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro, em Curitiba;

F. Mahle & Cia. (restaurante do Auto Posto Locatelli), em Paranaguá;

Café Estação, em Paranaguá;

Sorveteria Polar, em Paranaguá;

Verdes Mares – Ferramentas em geral, em Paranaguá.

Estes quatro últimos resultaram de um esforço da presidente da 1ª URE, Solange de França.

Instituto Tecnológico Educacional de Curitiba – ITECNE, em Curitiba.

Cada “expositor de vendas” é colocado em regime de consignação, no qual uma razoável porcentagem do que for vendido remunerará o parceiro comercial.

Os produtos disponibilizados são todos da Editora da própria Federação e, como já mencionado, possuem um forte apelo popular, como é o caso dos CD Momento Espírita, com mais de 15 volumes, contemplando, inclusive, as crianças, há quase duas décadas.

São dias singulares os que vivemos. Em nenhum outro momento da história o Espiritismo foi tão conhecido e tão celebrado nos canais midiáticos como agora. São filmes, documentários, entrevistas, novelas, minissérie, entre tantos outros programas que trazem a Doutrina Espírita para muito perto da mentalidade popular e despertam o interesse do grande público, gerando, talvez, uma demanda para que o Centro Espírita acolha e dê conta em breve tempo.

Por outro lado, não podemos ignorar que, com essa abertura e popularização surgem os riscos, a vulnerabilidade, por conta da sistemática e gradativa “invasão” da literatura de baixa qualidade, que apenas tem confundido a população e os próprios espíritas incipientes.

Trata-se de algo movido pelo interesse única e exclusivamente comercial, de obtenção de lucro, que seguramente atende a interesses particulares e não será repassado ao Movimento Espírita. Em última análise, é um dreno que consome importantes recursos, que muito bem podem ser investidos na melhor instrumentalização das obras de promoção do ser humano já existentes, além de desviar o foco dos espíritas do objetivo principal, que é o seu aprimoramento moral, o que se faz, também e fundamentalmente, com o acesso a obras sérias (livros, palestras, etc.)

Daí por que será muito mais inteligente empregar nossos esforços para ampliar as áreas de divulgação da Doutrina, tal qual no-las entregou Allan Kardec, do que nos mantermos numa postura passiva ou, ainda, negativamente agressiva em relação àqueles que trazem conteúdo de baixa qualidade doutrinária ao Movimento Espírita, justamente porque sabem que os espíritas constituem um nicho social interessante sob o ponto de vista de consumo de livros, entre outras mídias.

Agora, portanto, é momento mais do que oportuno para juntarmos nossos esforços, buscando contatos e parceiros na região de atuação de cada URE, a fim de que ampliemos as áreas de difusão doutrinária, de tal forma a colocarmos o Espiritismo ainda mais próximo do alcance de todos, em dias áridos e de tantas contradições.

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