Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2020 Número 1635 Ano 88

Dois tradutores de O livro dos espíritos

abril/2020 - Por Maria Helena Marcon

Merecem ser lembrados. O primeiro deles, pouco conhecido: Joaquim Carlos Travassos.

De acordo com a religião de seus pais, dizia-se católico. Aceitou as ideias espíritas numa época em que, em nosso país, existiam somente duas obras de Kardec, vertidas ao nosso idioma: O Espiritismo na sua expressão mais simples e Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita.

Os livros básicos da Codificação eram estudados no francês, língua que, à época, as pessoas cultas obrigatoriamente deviam saber.

Tanto o francês quanto o inglês eram idiomas que Travassos lia e traduzia com perfeição, o que lhe facilitou o estudo da Doutrina Espírita.

A primeira Sociedade Espírita no Rio de Janeiro surgiu, em agosto de 1873: Grupo Espírita Confúcio e Joaquim Travassos foi o secretário geral na primeira Diretoria.

Era consenso dos espíritas cultos que havia necessidade urgente de tradução ao português das obras de Kardec. Afinal, o povo em geral não conhecia o francês e isso era um embaraço muito sério à divulgação da Doutrina.

Por isso, Travassos decidiu empreender a árdua tarefa, motivo pelo qual a ele devemos: O Livro dos Espíritos, com o pseudônimo de Fortúnio, traduzido da 20ª edição francesa, sem data de publicação; O Livro dos Médiuns, em 1875, traduzido da 12ª edição francesa, sem o nome do tradutor; O Céu e o Inferno, em 1875, traduzido da 4ª edição francesa, sem o nome do tradutor; O Evangelho segundo o Espiritismo, em 1876, traduzido da 16ª edição francesa, sem o nome do tradutor.

A modéstia e a simplicidade do tradutor impediram que o seu nome aparecesse. As quatro obras foram dadas à luz pela Editora B. L. Garnier, que merece igualmente a nossa admiração e o nosso reconhecimento.

Diga-se que Travassos foi quem presenteou seu amigo Adolfo Bezerra de Menezes com sua tradução de O Livro dos Espíritos, tão logo saiu do prelo, o que o trouxe para a seara espírita.

Nascido em Angra dos Reis, em 1839, Joaquim Travassos atuou como médico em São Paulo e no Rio de Janeiro. Desencarnou aos 76 anos, em 6 de fevereiro de 1915, vitimado pela arteriosclerose.

O segundo tradutor foi Luís Olímpio Guillon Ribeiro, natural do Maranhão, nascido em 1875. Não é interessante que ele tenha nascido no ano em que as primeiras obras espíritas foram dadas a lume, em nosso idioma, graças a Joaquim Travassos? Parece um passar de bastão de um a outro, de uma tarefa árdua e valiosa.

Guillon abraçou a Doutrina Espírita, em 1911.

Grande foi sua colaboração no Movimento Espírita, tendo sido presidente da Federação Espírita Brasileira – FEB, em duas ocasiões: 1920 – 1921 e 1930 – 1943. Em sua gestão foi inaugurada pequena oficina gráfica, na então sede da FEB, no Rio de Janeiro e se publicou a primeira obra psicográfica de Francisco Cândido Xavier: Parnaso de além-túmulo.

Como tradutor, podemos citar as edições da FEB da obra kardequiana: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, A Gênese, Obras Póstumas e O Espiritismo na sua expressão mais simples.

Muitas outras obras verteu ao nosso idioma, de autores como Léon Denis, Ernesto Bozzano, Gabriel Delanne, Arthur Findlay, entre outros. Desencarnou no Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1943.

Reverência a ambos. Deus os abençoe onde quer que se encontrem, na continuidade de suas laboriosas vidas.

 

Referências:

  1. WANTUIL, Zêus. Grandes espíritas do Brasil. Rio de Janeiro: FEB, 1981. Bezerra de Menezes.
  2. cit. Joaquim Carlos Travassos.
  3. cit. Luís Olímpio Guillon Ribeiro.
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