Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Divaldo Pereira Franco no Paraná

EM CASCAVEL

novembro/2012 - Por João Carlos Fredo

Liderados por Luiz Henrique da Silva, Presidente da Federação Espírita do Paraná – FEP  e Claudemir Desto, Presidente da 10ª União Regional Espírita – URE, presentes ainda os Presidentes das UREs 13ª (Foz) e 17ª (Toledo), Sóstenes  Carvalho Cornélio e Ademir Bebber, além de dirigentes do movimento espírita de Cascavel e de cidades próximas, foi aberta a XI Semana da Cultura Espírita de Cascavel, no dia 4 de outubro, para o público que superlotou as dependências da Associação Atlética Comercial.

Trabalhadores do Movimento Espírita Paraguaio, como Milcíades (Assunção) e Mercedes Lezcano (Ciudad Del Este), se fizeram presentes. Divaldo Pereira Franco foi o conferencista convidado.

Rememorando o nascimento do Codificador da Doutrina Espírita,  Allan Kardec, ocorrido em 3 de outubro de 1804, Divaldo remeteu os presentes, primeiramente, ao contexto da Europa e, em especial, da França.

Num bosquejo histórico, recordou o 14 de julho de 1789, quando, dados os abusos de toda ordem no reinado de Luiz XVI, muitos deles motivados por sua esposa Maria Antonieta, o povo foi às ruas com o objetivo de tomar o poder. A primeira consequência foi a Queda de Bastilha, que marca o início do processo revolucionário, surgindo o lema: Liberdade, Igualdade, Fraternidade e em 1792,  a Declaração dos Direitos do Homem.

Mas, em 2 de dezembro de 1804, na Catedral de Notre Dame (Paris), à revelia do Papa Pio VII, Napoleão autocoroa-se Imperador. A cerimônia foi encerrada com a música: Domine salvum fac Imperatorem (Deus salve nosso Imperador). Logo surgem os abusos. A intolerância fez com que cabeças rolassem.

Napoleão ambiciona conquistar toda a Europa. Em 1808, a família real portuguesa foge para o Brasil, tendo em vista o avanço das tropas napoleônicas sobre Portugal.

Em 1812, Napoleão é derrotado na Rússia, onde mais de cem mil franceses morrem, devido ao intenso frio. Ele vai para o exílio, retorna a Paris e governa a França por cem dias. Depois, é preso em Santa Helena, onde desencarna.

A França de então, vive um momento grave de sua História, enquanto apresenta, nesse mesmo século XIX, homens e mulheres notáveis, chegando Paris a ser denominada a Cidade Luz.

Dois meses antes da coroação de Napoleão, em 1804, nasce Hippolyte Léon Denizard Rivail. É uma época de grandes educadores. Entre eles, o notável Johann Heinrich Pestalozzi. Séculos antes, Jan Amos Comenius (1591-1670), grande educador tcheco. Costumava dizer que é necessário acima de tudo amar.  Pestalozzi o segue e emprega seu método.

A família Rivail manda seu filho único, criança ainda, para o Instituto de Yverdun, o que significa dizer para as mãos laboriosas do insigne mestre.

Com o desenvolvimento de algumas ideias do Iluminismo, surge o Positivismo com Auguste Comte. Dizia-se que Deus era a Razão. Temos então uma revolução cultural.

Em 1830, Rivail é um livre pensador e torna-se positivista. Também  um dos maiores educadores da França e da Europa.

Ele toma conhecimento das experiências do magnetizador Mesmer e Divaldo discorre sobre toda a trajetória de Rivail, passando pelas mesas girantes, até a culminância da gigantesca Codificação Espírita. Dos diálogos, com a ajuda de jovens médiuns, que foram se estabelecendo com os Espíritos, como também pelas observações aprofundadas que passou a desenvolver, nasce a mais notável filosofia ético-religiosa. Criou palavras novas para novas ideias: Espiritismo.

Com inteligência e bom senso, estabelece o maior diálogo já realizado com o mundo espiritual. O deus antropomórfico desaparece para ser restabelecido o Deus verdadeiro: o Deus de Amor! A imortalidade da Alma, Reencarnação, Comunicabilidade com os Espíritos, Pluralidade dos Mundos habitados são desvendados. E, para demonstrar seu autêntico espírito missionário, anula-se para adotar o pseudônimo de Allan Kardec e, assim, diferenciar O Livro dos Espíritos e, posteriormente, as demais obras da Codificação das suas obras pedagógicas.

Todas as religiões tentaram definir Deus, mas quando Kardec perguntou aos Espíritos QUE É DEUS, o Espiritismo, pela lógica, superou todos os conceitos estabelecidos, tendo como base moral e ética e Evangelho de Jesus.

Recorda Divaldo a magistral questão 625 do livro base: Qual o tipo mais perfeito que Deus outorgou à humanidade para lhe servir de guia e modelo? Jesus.

Da grandiosidade da Criação e da vida, Divaldo fala do Universo em toda a sua magnitude. Desde que não é obra de um homem, o Autor é a Inteligência Suprema e causa primeira de todas as coisas.

Enfatiza o conferencista que, com a questão 621 de O livro dos Espíritos: Onde está escrita a Lei de Deus?  Na consciência, o Espiritismo antecipa Freud e Jung.

Discorrendo ainda  acerca da grandiosidade da Doutrina Espírita, explica que na questão 540 do mesmo livro, o Espiritismo  desvenda o mundo das partículas e da interação matéria e energia, comprovando que tudo é evolução na Obra de Deus. Hoje, Física Quântica.

Frisou que somente a Doutrina Espírita define quem somos, porque estamos aqui e dá uma razão para a dor, como efeito natural do desajuste da criatura, perante a Lei Divina.

Temos o corpo que planejamos e a família que necessitamos para progredir. A Terra é uma escola, e a verdadeira pátria é a espiritual. Na hora da morte o importante é a nossa construção, graças ao uso do livre arbítrio. Encontramos aqueles que nos antecederam. No corpo ou fora do corpo, estamos na Vida!

Enalteceu, ainda, o orador que o Espiritismo é uma ciência que investiga, uma filosofia que esclarece, uma religiosidade que nos liga e traz de volta Jesus.

O Evangelho de Jesus é o caminho seguro para as nossas vidas.

Finalizando, discorreu sobre a sociedade atual com todas as suas mazelas. Esse contexto, em síntese, significa o vazio existencial que está vigorando na maioria das pessoas. Por isso devemos lembrar o Divino Pastor: Vinde a mim todos vós que sofreis e estais cansados, pois leve é meu fardo e suave é meu jugo.

Aplaudidíssimo, Divaldo Pereira Franco recebeu das mãos do Presidente da FEP uma placa de agradecimento pelos sucessivos trabalhos realizados no Paraná, desde o ano de 1954, bem como foi agraciado com livro que conta, em síntese, os 110 anos da Federação Espírita do Paraná, completados em agosto de 2012.

João Carlos Fredo, representando a 10ª  URE, formulou os agradecimentos pelo comparecimento de todos e enfatizou que, com a Conferência proferida, estava iniciada, a XI Semana da Cultura Espírita de Cascavel, com o tema: Evangelização- Uma Nova era para a Humanidade.

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