Jornal Mundo Espírita

Abril de 2020 Número 1629 Ano 88

Divaldo Franco e Raul Teixeira (Dias Venturosos…)

fevereiro/2010

O mês de dezembro foi assinalado, como já é tradição no Paraná, por vários eventos especiais, envolvendo esses dois grandes amigos da FEP, Divaldo Franco e Raul Teixeira.

Raul Teixeira

 Tendo chegado em Curitiba na quinta-feira, dia 10/12, Raul Teixeira proferiu palestra na S.E. Renovação, da URE Norte, em Curitiba. Na oportunidade, o admirável conferencista falou para um público que lotou as dependências da instituição a respeito das pesquisas empreendidas na Universidade de Parma, pelo neurofisiologista Giacomo Rizzolatti na área dos “neurônios-espelho”.

Destacaria, o palestrante de Niterói/RJ, nas suas muito oportunas reflexões, o fato de nossa sociedade optar por imitar exemplos de baixo valor moral, em detrimento do esforço que poderia ser investido para imitarmos os exemplos de nobreza moral que temos à nossa disposição.

Ainda enfatizaria que temos dedicado horas do nosso tempo para as coisas do mundo (lazer, diversões, festas e agitações) enquanto “não temos tido”a menor disposição para as “coisas” do Cristo.

No dia 11/12, sexta-feira, em São José dos Pinhais, acompanhado pela diretoria da FEP, o confrade fez exposição pública para aproximadamente 750 pessoas no auditório do Centro Espírita Caminho do Evangelho, da URE Leste. Essa palestra está disponível na Livraria Mundo Espírita para quem deseje ter acesso ao rico material produzido pelo confrade.

No dia 12/12, sábado, desde 9h da manhã até cerca de 19h30, conselheiros, diretores, assessores e algumas lideranças do Estado (não mais do que 70 pessoas) tiveram o ensejo de refletir a respeito de “O Centro Espírita e o Espiritismo”, conduzidos por Raul.

Como insumo para os debates, foram utilizados alguns textos já consagrados.

Partindo-se da ideia central que afirma ser “o Centro Espírita o educandário básico da mente popular” (Bezerra de Menezes), nele temos o locus de estudo, de apresentação de propostas para a mudança de comportamento, para redefinição das trajetórias emocionais, de vida, de reeducação psicológica. Assim, deverá ser tratado com seriedade.

Informa-nos o expositor, ainda, por oportuno, que os Centros Espíritas são catalogados no mundo espiritual (ver o livro Dramas da Obsessão, do Espírito Bezerra de Menezes, pela médium Yvonne Pereira). Assim, algumas instituições são definidas como “clubes de lazer”, nas quais seus frequentadores, na falta do que fazer com o tempo livre, vão até lá para simplesmente ocuparem as suas horas num convívio amistoso, preenchendo o seu vazio, quando, em realidade, a proposta é a de que todos procuremos investir nossos melhores esforços a fim de empregá-los nas reflexões, nos estudos sérios e no atendimento a toda ordem de necessitados que nos procuram.

Desse modo, comenta o expositor, como “a Sociedade Espírita é educandário, então deverá atuar em favor da educação”.

“A Terra é o mundo das ilusões. Não podemos abrir mão de transformar o Centro Espírita num lugar de profundidade, de verdades. No mundo, não sabemos quando um rosto bonito esconde um celerado, um doente mental, alguém que requer intervenção educativa segura, firme.

O Centro Espírita é um lugar onde se ensinam coisas que o mundo não ensina, a fim de que o comportamento do espírita seja distinto do comportamento que se verifica na Sociedade, onde o sentido existencial não é claro, não é ensinado. No Centro Espírita, nas lições claras da vida, as matérias professadas, realmente, não são aquelas que se colhem nas fontes da cultura cerebral, entretanto, se definem como sendo os roteiros vivos da orientação segura para o êxito na experiência terrestre, e, em vista disto, todas as nossas atividades em setores mais altos da instrução acadêmica não nos devem retirar da ação espírita clara e simples na renovação da vida espiritual no Planeta.

Para um Centro Espírita bem estruturado, precisamos de dirigentes bem estruturados, de lidadores bem estruturados.” (Raul Teixeira)

“Um equívoco muito frequente entre os nossos adeptos é o de se julgarem mestres, após alguns meses de estudo. Essa pretensão de não mais necessitar de conselhos e de julgar-se acima de todos, é uma prova de insuficiência, pois foge a um dos primeiros preceitos da doutrina: a modéstia e a humildade.” (Allan Kardec. Revista Espírita – 1861, novembro – quando numa reunião geral com os espíritas de Bordeaux).

Prosseguindo, o notável confrade, utilizando-se de material já consagrado na literatura espírita, buscará apresentar as várias finalidades de um Centro Espírita sendo:

 Escola – Quando, por exemplo, debatemos a reencarnação, vários assuntos são discutidos, aprendidos, como História, Geografia, Biologia, Psicologia, etc… e tudo isso acontece sem que nos demos conta de que vamos penetrando nesse terreno.

Hospital – Quando prestamos atendimentos que colaboram sobremodo para a saúde emocional e psíquica do participante. Além disso, importa destacar que o atendido, o participante aprende sobre os seus conflitos, sobre a psicogênese de várias patologias e sobre o modo através do qual irá lidar com as suas soluções.

Oficina – Dentro de sua dimensão vibratória, o Centro Espírita se transforma numa grande oficina de trabalho, onde atendemos a quem o procura, empregando nossos conhecimentos, vivenciando, efetivamente, os princípios doutrinários espíritas na aplicação do nosso esforço.

Neste ponto, o nobre confrade destaca um texto do benfeitor Emmanuel, no livro “O Consolador”:

237 – Existe diferença entre doutrinar e evangelizar?

-Há grande diversidade entre ambas as tarefas. Para doutrinar, basta o conhecimento intelectual dos postulados do Espiritismo; para evangelizar é necessária a luz do amor no íntimo. Na primeira, bastarão a leitura e o conhecimento. Na segunda, é preciso vibrar e sentir com o Cristo. Por estes motivos, o doutrinador, muitas vezes, não é senão o canal dos ensinamentos, mas o sincero evangelizador será sempre o reservatório da verdade, habilitado a servir às necessidades de outrem, sem privar-se da fortuna espiritual de si mesmo.

 Lar – Não é incomum encontrarmos, no Centro Espírita, antigos afetos e desafetos a nós vinculados. Por outro lado, é no Centro Espírita que encontramos e construímos afetos reais, verdadeiros, profundos. Nele encontramos as simpatias e as antipatias. O nosso desafio é transformar os “espinhos”, os “nós” das relações em laços de fraternidade.

Templo – É nessa estrutura que aprendemos a orar, a manter a conexão, o contato com os bons Espíritos. É nesse caldo fluídico que mergulhamos e estabelecemos esse contato mais profundo.

Finalizando o seu trabalho específico com dirigentes dos órgãos de Unificação do Estado, Raul explorou dois textos apresentados por Allan Kardec, que são de uma atualidade impressionante.

Esses textos dizem respeito a dois motivos básicos pelos quais podemos encontrar dificuldades no gerenciamento de nossas atividades.

Vejamos:

 Primeira tática


“A tática ora em ação pelos inimigos dos espíritas, mas que vai ser empregada com novo ardor, é a de tentar dividi-los, criando sistemas divergentes e suscitando entre eles a desconfiança e a inveja. Não vos deixeis cair na armadilha, e tende certeza de que quem quer que procure, seja por que meio for, romper a harmonia, não pode ter boas intenções.”(Revista Espírita, fevereiro de 1862)

“Se um grupo quiser estar em condições de ordem, de tranquilidade, é preciso que nele reine um sentimento fraterno. Todo grupo ou sociedade que se formar sem ter por base a caridade efetiva não terá vitalidade, enquanto que os que se formarem segundo o verdadeiro espírito da doutrina olhar-se-ão como membros de uma mesma família que, não podendo viver todos sob o mesmo teto, moram em lugares diversos. Entre eles a rivalidade seria uma insensatez.”(Revista Espírita, fevereiro de 1862)

Nesse momento, houve uma ampla troca de percepções acerca de sistemas que têm divergido do pensamento original de Kardec, alguns propondo a negação do aspecto religioso do Espiritismo, outros afirmando que as contribuições posteriores a Kardec (Emmanuel, André Luiz, Bezerra de Menezes, Charles, Joanna de Ângelis, entre outros) não devam ser consideradas como Espiritismo propriamente.

Outros, ainda, que, mesmo sem ferir os aspectos fundamentais da Doutrina, têm apresentado sistemas organizacionais que divergem, na essência, dos princípios básicos do Espiritismo. Por exemplo: em tempos de Unificação, de aproximação – quando se fazem urgentes ações de aproximação, de diálogo, de criação de um clima de fraternidade – não se podem admitir proposições que mantenham os espíritas distanciados entre si. Imperativo se estabeleçam ações a partir das quais os laços de confiança se fortaleçam.

 

Segunda tática


“Devo assinalar-vos outra tática dos nossos adversários: a de procurar comprometer os espíritas, impelindo-os a se afastarem dos verdadeiros objetivos da Doutrina, que é o da moral, para abordarem questões que não são da sua alçada, e que poderiam, a justo título, despertar susceptibilidades sombrias. Não vos deixeis, não mais, vos prender nessa armadilha; afastai, com cuidado, em vossas reuniões, tudo o que tem relação com a política e com questões irritantes. As discussões, sob esse assunto, não levariam a nada senão as vos suscitar embaraços, ao passo que ninguém pode achar de censurar a moral quando ela é boa. Procurai no Espiritismo o que vos pode melhorar, está aí o essencial.” (Revista Espírita, fevereiro de 1862)

No módulo final, Raul abriu espaço para perguntas dos participantes.

Houve dois questionamentos e desejamos destacar um deles:

Devemos tratar do mesmo modo a formação de equipes de trabalho no Centro Espírita e nos Órgãos de Unificação (Conselhos Regionais, Uniões Regionais, Federativas, etc.)?

 O expositor respondeu-nos que o tratamento é diferenciado, uma vez que os órgãos de Unificação do Movimento Espírita exigem lidadores capacitados para o desempenho da tarefa.

Não se trata de colocar amigos, “conhecidos” simplesmente por serem simpáticos à nossa maneira muito particular de pensar (caso em que órgãos de Unificação como URE, a Federação têm a sua estrutura de poder concentrada em poucas Casas. Destaque nosso). Devemos observar que aqueles que irão assumir os papéis dentro de uma URE, de uma Federativa precisam, obrigatoriamente, estar capacitados para o trabalho.

Os órgãos de Unificação são oficinas de trabalho e não propriamente escolas onde ensinaremos o “abc” do trabalho.

Constituir-se-á um crime de lesa-verdade, por outro lado, por intolerância, impedirmos que trabalhadores capazes componham os nossos departamentos nas Uniões Regionais, nas Federações, somente a pretexto de mantermos aqueles que nos são próximos.

Responderemos por isso, diante dos espíritos que orientam as atividades do Espiritismo na Terra, como sendo um crime, segundo Raul.

“Que os homens se contentem em ser assistidos e protegidos pelos bons Espíritos, mas não descarreguem sobre eles a responsabilidade que lhes incumbe no papel de encarnados.” (Obras Póstumas – III, O chefe do Espiritismo)

 “Dá conta da tua administração.” (Lucas 16:2)

 Encerrando a sua mais do que produtiva jornada em Curitiba, no dia 13/12, com mais de 14h de exposição, em 4 dias, Raul falaria para um público de aproximadamente 2 mil pessoas no auditório do ExpoUnimed, dentro da Universidade Positivo, abordando o tema “Bem Aventurados os Brandos e Pacíficos” (à disposição na Livraria Mundo Espírita), onde se destaca a excelência do pensamento de Jesus, pois é urgente que espalhemos as Boas Novas do Cristo nesses dias de paradoxos, nesses dias perturbadores e definidores dos legítimos valores da alma.

Donde se conclui que não se pode admitir afastarmos Jesus das nossas exposições, das nossas palestras, das nossas cogitações e, acima de tudo, da nossa vivência diária.

 

Divaldo Franco

 

Tendo chegado na sexta-feira, em pleno 25/12, este incansável trabalhador se dispôs a visitar o Recanto Lins de Vasconcellos, onde a FEP está construindo um Centro de Treinamentos destinado, segundo o confrade baiano, (a partir de informações hauridas da benfeitora Joanna de Ângelis, enquanto nos dirigíamos ao local), a atividades “sui generis” no campo doutrinário. Ainda segundo Divaldo, trata-se de um local preparado e protegido, sob o ponto de vista espiritual, para atender às finalidades nobres de Unificação do Movimento Espírita.

Logo no início da noite, o presidente da FEP teve a ideia feliz de oportunizar um momento de convergência, de oração, na praça das araucárias.

Reunimo-nos em um grupo de aproximadamente 35 pessoas para orar, aproveitando-nos da belíssima ocasião que se oferecia, enfeitada pelas flores e pelo canto os pássaros.

A oração, conduzida com muita profundidade pelo conselheiro Carlos Augusto de São José, editor do Jornal Mundo Espírita, com efeito nos manteve conectados com as inspirações do Alto.

Divaldo falaria durante 45 minutos, contando-nos, com esse entusiasmo que lhe caracteriza, várias histórias em torno do amor.

Ao final de sua fala, aparece-lhe o espírito Lins de Vasconcellos e, muito austero, segundo Divaldo, pede-lhe para falar aos companheiros da FEP.

Eis a sua mensagem:

OS HERÓIS DA FÉ…

 Só o amor é capaz de conduzir a barca da Terra, nas mãos do Divino nauta, ao porto da iluminação.

Esboroa-se a sociedade utopista, e passam, pelo crivo dos anos, dos séculos e dos milênios, as civilizações de um dia.

A glória de Cartago, que o tempo consumiu; a imponência faraônica que desapareceu sob os lençóis sucessivos de areias; a beligerância da Babilônia e da Assíria, entre o Tigre e o Eufrates, ora reduzidas a pó.

Roma, apresentando os capitéis dos templos quebrados, e a Acrópole de Atenas com algumas colunas Jônias e Dórias de pé, vencidas pela sucessão das horas.

O carro da guerra, conduzido por Alexandre, arrebentou-se no fragor da batalha contra a morte.

Aníbal, de Cartago, desapareceu nas brumas da noite da desencarnação. Cipião e César sucumbiram, mas Jesus, o herói da manjedoura, de braços abertos na cruz, permanece intocável como no dia glorioso da ressurreição.

A Era do Amor iniciou-se com Ele numa noite fria, sob o lucilar das estrelas. E o Sol que ora aquece a Terra, é o mesmo que o viu, e que, nos dois mil anos últimos, manteve a chama da sua palavra como círio ardendo na imensa noite dos homens.

Outros Impérios surgiram e foram consumidos…

Outros guerreiros ímpios e sanguinários: de Átila, o uno, a Alarico, o visigodo, a Hitler, o adversário de Deus…

…E Jesus continua o mesmo.

Espíritas, meus irmãos!

Amanhece um novo dia. Nasce uma Era Nova.

Não mais os capitães guerreiros, mas os heróis da fé.

O século que passou pertenceu à Ciência e à Tecnologia. O século, em cujo primeiro decênio nos encontramos, será caracterizado pelo amor, pela arte, pela fé.

A religiosidade superará a criminalidade; a beleza entronizará a verdade e o amor conduzirá o ser humano ao seu grande fanal.

A nós, os Espíritos espíritas, e a vós, os conhecedores da Verdade liberada pelo nobre Codificador em nome de Jesus, cabe a tarefa da construção do mundo de paz, que o tempo não aniquilará.

Cabe-nos a honra imerecida, na hora última, de preparar o advento do mundo de regeneração.

Não tergiverseis. Não receeis.

A Divindade coloca em vossas mãos esses instrumentos hábeis para a construção deste mundo de amor, iluminado pela fé raciocinada, a fim de que não mais o pranto nem a viuvez ou a orfandade, o desespero nem a revolta, a violência nem a guerra estabeleçam bastiões no planeta amado.

Segui, irretocáveis, impertérritos, a diretriz do Evangelho na ação sublime da caridade pelo amor e da iluminação pela instrução, para fazerdes jus ao salário que vos foi oferecido pelo Senhor da vida.

Permanecei fiéis para que um dia, além da sombra densa da matéria, analisando estes dias, canteis.

Cantai hosanas ao Senhor, bendizendo-lhe o nome e agradecendo a felicidade por haverdes sido chamados e escolhidos para o trabalho do Reino de Deus.

Em nome dos velhos companheiros da nossa casa…
O jequitibá do passado,
Lins de Vasconcellos

 

Já no sábado, pela manhã, conselheiros, diretores e assessores da FEP reuniram-se com Divaldo para um pequeno seminário onde o admirável conferencista, motivado pela benfeitora Joanna de Ângelis, explorou a parábola do Filho Pródigo a partir do quadro de Rembrandt, um gênio da arte.

Nessa obra, todos os símbolos foram explorados com admirável profundidade através de várias culturas e de várias perspectivas psicológicas. Um trabalho realmente fascinante, que, oportunamente, será publicado no livro “Conversando com Divaldo Franco 2”.

À noite, 26/12, estava programada uma conferência para o Teatro Positivo.

Divaldo nos contaria que antes de ir a esse evento, por volta das 16h, quando participava, com seus anfitriões, Sr. Jorge e Sra. Neusa Ajuz, de um momento de oração mais íntimo – uma vez que ele se hospeda há algumas décadas na residência desses dedicados colaboradores do Movimento Espírita, pois é um oportunidade, esta, da oração, de se reabastecer de luz – o Espírito Lins de Vasconcellos novamente lhe aparece, a fim de fazer considerações a respeito das intervenções que a Diretoria da FEP tem empreendido no Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro.

O egrégio benfeitor pediu que Divaldo transmitisse aos companheiros que vêm empregando seus esforços para a reorganização do Hospital o seu apoio, destacando que essa reestruturação se fazia imperativa, sobretudo nas áreas da própria revitalização das estruturas físicas (patrimônio), e adequações na área acadêmica e terapêutica, entre outras.

Em função desse diálogo com Dr. Lins, Divaldo optou, no Teatro, à noite, pela abordagem do tema: A Conquista da Saúde Psicológica, cujo conteúdo estará à disposição na Livraria Mundo Espírita.

Ainda informaria, o médium, que o local da Conferência, de acordo com o que lhe assegurou Joanna de Ângelis, já houvera sido preparado, cerca de 24h antes, pelos Espíritos encarregados dessas funções. Além disso, houve intensa mobilização do mundo espiritual no que diz respeito à divulgação da atividade junto às colônias mais próximas à crosta.

Tudo isso, afirmaria Divaldo, foi facilitado porque o psiquismo do Teatro Positivo está impregnado de vibrações saudáveis, haja vista que as atividades culturais ali oferecidas, na área da arte, acabam produzindo, em seus expectadores, pensamentos e inspirações elevados.

Sinfonia de Amor a Chico Xavier

Vale mencionar, por oportuno, que os eventos de Raul Teixeira e Divaldo Franco foram abertos com apresentações artísticas do maestro Plínio de Oliveira, atualmente empossado como coordenador do Setor de Artes da FEP para a gestão 2010/2011.

Algumas das canções que abriram o evento de Raul farão parte de um trabalho que este produziu em conjunto com Plínio e que será brevemente disponibilizado ao público.

No que diga respeito às canções que antecederam à conferência de Divaldo, Plínio permitiu que a plateia se emocionasse com peças da “Sinfonia do Amor”, especialmente compostas por ele como homenagem ao apóstolo do Bem, Chico Xavier, nos seus 100 anos. Essa sinfonia, patrocinada pela FEP, será apresentada no dia 24 de fevereiro no Teatro Positivo.

No domingo, pela manhã, 27/12, dando continuidade ao que estava programado na agenda do Conselho Federativo Estadual, novamente nos reunimos na sede da FEP para concluir a visita do nobre amigo do Paraná.

Divaldo trouxe diversas informações sobre os registros mediúnicos que fez durante esses três dias de convivência com os companheiros de Curitiba e comparou a sua contribuição, no Paraná, com a de uma pétala de rosa em um vasilhame que está na iminência de transbordar o líquido nele contido. Ou seja, uma presença que, segundo ele, não adiciona conteúdo, todavia, pode ser capaz de produzir beleza singular… e essa beleza, sem dúvida, se traduz nos elementos vivos da sua experiência extraordinária de lidador inteiramente dedicado ao Bem, à Causa do Cristo.

Aos 82 anos, ele, inquestionavelmente, tem sido capaz de revitalizar as nossas energias, as nossas disposições para que nos mantenhamos persistentes, firmes nos propósitos de Jesus.

Sem dúvida… a sua presença é um verdadeiro presente de Natal.

Concluindo a sua participação, como já era esperado, o presidente Francisco Ferraz trouxe algumas perguntas para que Divaldo, com a sua sabedoria, pudesse responder ao Movimento Espírita.

São elas:

Têm surgido no Movimento Espírita, correntes de pensamento teorizando sobre a Doutrina Espírita, em cujas teorias se desprezam as informações trazidas por outros Espíritos pós Allan Kardec, que vieram, sem dúvida, auxiliar na compreensão ou desdobramento da Codificação Espírita. O que podemos pensar disto?

Tem sido fato concreto no Movimento Espírita, já de algum tempo, o surgimento de ilações maldosas e agressões morais a trabalhadores espíritas; a prática da mentira incriminatória e o espalhamento da cizânia, tudo isto feito por pessoas que militam em nosso meio espírita. Qual a razão dessas coisas, e qual deve ser o nosso comportamento, o comportamento daqueles que porventura forem agredidos?

Dentro desta linha das respostas ofertadas à primeira e à segunda questões, como estabelecer no Movimento Espírita, um processo de união firme e fraterna?

A família hodierna tem sofrido modificações quanto à sua estrutura tradicional de pai, mãe e filho, havendo hoje, de maneira acentuada, a figura do padrasto ou da madrasta; da tia ou do tio; dos avós, que assumem o papel da parter-maternidade, e dos casais homossexuais assumindo a adoção de filhos. Gostaríamos de ouvir a sua posição a propósito.

Ainda colhendo esse tema da família, falando sobre a criança e o jovem, você poderia, pela sua experiência, falar-nos sobre duas questões:

Quanto às crianças, sobre a metodologia de ensino que tem sido empregada na evangelização espírita.

Quanto aos jovens, sobre fuga do jovem da casa espírita, fato que preocupa todo o Movimento Espírita, dados os apelos da modernidade.

Gostaríamos de suas sugestões, se possível, pela sua experiência, de como melhorar essa situação.

Há situações, no Movimento Espírita, em que pessoas se manifestam dizendo que os dirigentes são liberais demais, e que deveriam ser mais radicais. Outras pessoas dizem o contrário. Acusam os dirigentes de radicais, e dizem que eles deveriam ser mais liberais. Como é que nós vamos responder a essas duas correntes de pensamento? Onde é que fica a fraternidade, neste caso?

As expectativas quanto às mudanças climáticas, ressentidas pelo Planeta, são inúmeras. Existem as organizações seriamente preocupadas com a Ecologia terrena, e que vitalizam ações para melhorar nossas condições de habitabilidade futura, e existem os apologistas do caos. É notório que ainda não desenvolvemos uma consciência ecológica segura. Perguntamos: Qual a visão que o Espiritismo poderá trazer a essa problemática, e qual deve ser o comportamento dos espíritas nesse campo?

Temos na sua pessoa o merecido destaque que engrandece o Espiritismo, a figura de um dos embaixadores da paz no mundo, comenda essa que o nosso irmão tem honrado com o movimento Você e a Paz, com a mais sublime dignidade e ação.

Recentemente o presidente dos Estados Unidos da América do Norte, Mr. Barack Obama, foi condecorado com o Prêmio Nobel da Paz. Ao receber a comenda, sem que isto represente qualquer espécie de reproche ou censura ao mesmo, ele falou em guerra justa como mecanismo de paz. Há justificativa para essa afirmação?, ficamo-nos perguntando. Como devemos de fato contribuir para o desenvolvimento da paz no mundo?

As respostas a todas essas perguntas, além de muitas outras considerações e detalhes, como, por exemplo, o da visita dos Espíritos José Lopes Netto e Manuel Vianna de Carvalho a essa reunião de 27 de dezembro, estarão contidas no livro mencionado, que a FEP editará em breve.

Depois de esgotadas as respostas, com profundidade, por Divaldo, o espírito Bezerra de Menezes, que é um dos orientadores responsáveis pelo Movimento Espírita Brasileiro, dirigiu mensagem de exortação às mudanças e transformações que se fazem imperativas neste momento:

 

VIVER JESUS… A ÚNICA ALTERNATIVA

Meus filhos,

Já não vos digo, amanhã.

O Evangelho do Senhor conclama-nos: Eia, agora!

Agora, é o santo momento de ajudar.

Arregacemos as mangas da camisa da alma e sirvamos, sem cansaço, sem fastio.

Assumimos um compromisso, antes do berço, que é o de restaurar, na Terra sofrida, o Reino dos Céus, conforme preconizado por Jesus.

Muitas vezes, em nosso passado, fizemos parte dos heróis da Era Nova, sem que tivéssemos tido forças para porfiar até o fim, e debandamos.

Volvemos, mais de uma vez, à Seara libertadora e, por razões do egoísmo e da insânia que nos atrelavam a um instinto perverso, falhamos em nossos compromissos iluminativos.

Ouvimos o verbo quente e doce do pobrezinho de Assis, encaminhando-nos a Jesus e, tão logo ele retornou ao Reino, edificamos monumentos de pedras adornados de ouro, longe dos leprosos de Rivotorto e dos pobrezinhos a quem ele tanto amava, traindo-lhe a confiança.

Com Allan Kardec, aprendemos o amor racional e deslumbramo-nos com a Doutrina firmada na Ciência e na Razão.

A nossa atitude não pode ser decepcionante. Temos compromisso com a Verdade, de cujo conteúdo conseguimos insculpir, no íntimo, algumas das expressões mais belas.

Outra alternativa não existe senão, meus filhos, viver Jesus, neste momento de Mamom, neste momento de loucura e de constrições perturbadoras.

Nós, os Espíritos espíritas que mourejamos na seara da Revelação Kardequiana, estamos de pé, como vós outros, para juntos entoarmos o hino de exaltação à vida, enquanto as mãos operam na caridade que dignifica através do amor que santifica as vidas.

Prossegui! Mantende-vos coerentes com as lições que vos empolgam a alma e deixai que o Senhor da vida vos conduza com segurança, ao sublime destino da plenitude.

São os nossos votos.

Vossos amigos espirituais, que me fizeram intérprete do seu pensamento, afagam-vos com
delicadeza e afetividade.
Ide em paz! Tomai da charrua e porfiai com abnegação!
São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,
Bezerra

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