Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87
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Dimensões espirituais do centro espírita

agosto/2014 - Por Marco Antonio Negrão

De autoria da médium, escritora e oradora espírita Suely Caldas Schubert, foi publicado pela Federação Espírita Brasileira, em 2006.

Nele, Suely reuniu a sua experiência como trabalhadora e legítima servidora da Seara de Jesus. Baseando-se em extensa bibliografia sobre a temática, elaborou os textos que compõem essa obra, apresentando a verdadeira dimensão da Casa Espírita.

São vinte e três capítulos que demonstram que a Casa Espírita não é somente uma construção física mas, sobretudo, uma construção espiritual, com bases fixadas na Espiritualidade, de onde emanam as realizações para o crescimento moral das criaturas humanas. A obra aborda os alicerces e a direção espiritual, os recursos magnéticos de defesa do ambiente, as reuniões pública e mediúnica, as diversas tarefas, funções e desdobramentos dos trabalhos espirituais existentes na Casa.

A apresentação do Espírito Bezerra de Menezes, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, ressalta as dimensões espirituais do Centro Espírita:

O Centro Espírita, portanto, na atualidade, repetindo as experiências daquela época [referindo-se à fundação, em 1º de Abril de 1858, da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas], tem por finalidade o estudo e a prática da Doutrina dos Imortais, onde se iluminam os Espíritos, aprendendo, na convivência fraternal, a experiência da solidariedade, do trabalho e da tolerância, a fim de poderem avançar no rumo a plenitude.

Preservá-lo imune às paixões de seita, às dominações políticas, às arbitrariedades de qualquer natureza, aos modismos e inovações muito agradáveis aos insensatos, é dever de todo espírita dedicado, que reconhece o compromisso que mantém com a Doutrina libertadora.

Acreditando que o espiritista, sinceramente interessado na divulgação da Doutrina e na multiplicação dos Centros Espíritas, nesta obra encontrará os subsídios e diretrizes de alta significação para o êxito do empreendimento, rogamos a Jesus que nos abençoe e nos guarde na Sua paz a serviço da Sua seara.

Suely define o Centro Espírita como Templo, Lar, Hospital,Oficina e Escola, onde se exercita o Amor, se aprende a perdoar, se treina a paciência, a tolerância, o respeito e disciplina, convivendo com os companheiros, na aplicação dos ensinamentos do Espírito Verdade, conforme registra O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo VI, item 5: Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.

À medida que se mergulha na leitura do livro, se percebe da sua importância, levando o leitor a refletir sobre a presença, atuação e intensa atividade espiritual que existe no ambiente do Centro Espírita, da presença e atuação dos Mentores, a responsabilidade da equipe encarnada e a sintonia que deve existir entre as duas equipes.

 

O capítulo 1, Alicerces Espirituais, inicia com uma observação impactante: O Centro Espírita é muito mais do que a casa física que lhe serve de sede. Transcende as paredes, aos muros que o circundam e ao teto que o cobre. Em verdade, o Centro Espírita é um complexo espiritual em que se labora nos dois planos da vida, (…)

A planificação do Centro Espírita antecede a existência física, visto que a mesma já está edificada no Plano Espiritual servindo de modelo.

Interessante que a autora, utilizando-se de fato narrado no livro Tormentos da Obsessão, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, conta que Eurípedes Barsanulfo, fundador do Colégio Allan Kardec, em Sacramento, Minas Gerais, o construiu, inspirado pelo modelo original existente no plano espiritual, que ele próprio edificara antes da sua reencarnação.

Ainda nesse capítulo, há uma importantíssima observação do Espírito Dr. Ignácio Ferreira: A obra do Bem não é realizada de improviso, nem surge concluída de um para outro momento. Exige esforço, perseverança e dedicação.

Pode parecer, com essas informações, que a equipe encarnada, que estará edificando a Casa Espírita, se encontra relegada a um papel menos importante. No entanto, assim não é, porque As suas bases, os seus alicerces espirituais assim argamassados farão com que a obra se erga firme na Terra e permaneça de pé vencendo as tormentas e vicissitudes humanas. É a “casa edificada sobre a rocha”, de que nos fala Jesus, capaz de resistir através dos tempos. Mas que só se materializará se a equipe encarnada colocar dia a dia os tijolos do amos e o cimento da perseverança; se os labores ali efetuados levarem o sinete da caridade e do desinteresse pessoal, transformando-se assim em templo e lar, hospital e escola.  

A fundação de um Centro Espírita ocorre na Espiritualidade muitos anos antes da efetiva organização no plano físico. Quando a Equipe Espiritual assume a responsabilidade de orientar e assessorar a criação de mais um Centro, eles estudam a ficha cármica daqueles que comporão a equipe que estará à frente no plano material.

Convites são feitos antes da reencarnação, visando:

– o crescimento espiritual dos reencarnantes;

– resgate e redenção;

– reencontro de almas afins;

– atendimento dos enfermos do Espírito.

Quanto à escolha do nome da Casa Espírita sempre refletirá uma afinidade espontânea entre o grupo que projeta a fundação com determinado Espírito e sempre haverá um patrocinador espiritual.

Em síntese, é uma obra que precisa ser lida e estudada por todos os Espíritas para a plena compreensão do que seja o Centro Espírita.

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