Jornal Mundo Espírita

Junho de 2020 Número 1631 Ano 88

Desiluda-se!

março/2020 - Por Cezar Braga Said

De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.
Rom 14:12

Quem nunca viveu uma desilusão?

Iludimo-nos quando criamos esperanças que não se concretizam.

Quando acreditamos em alguém e nos decepcionamos.

Quando criamos expectativas sem pensar que podemos nos frustrar.

Naturalmente que precisamos de alguma fantasia, sonho, encantamento, a fim de seguirmos redescobrindo o sentido da vida a cada amanhecer.

Faz parte dessa jornada acreditar em alguém, num ideal, numa religião, filosofia ou instituição que nos ofereça alguma explicação razoável e nos permita vislumbrar certo horizonte, uma espécie de fonte em pleno deserto.

Mas será que desiludir-se é algo tão ruim assim?

É possível que não, especialmente quando isso representa uma forma de libertação, um olhar mais amplo e profundo sobre nós e nossas relações.

A desilusão, neste caso, pode ser o início de um novo tempo, uma abertura de olhos, o primeiro passo para a ampliação da nossa consciência.

Do mesmo modo, certas desilusões abrem caminhos na mata fechada da nossa ignorância e acendem estrelas na noite escura da nossa ingenuidade, para que despertos e vigilantes, soframos menos.

Não existem casamentos perfeitos, trabalhos perfeitos, lugares perfeitos, pessoas perfeitas.

O que existe são relações perfeitas para as nossas necessidades de aprendizado e crescimento.

Por mais críticos e calejados que sejamos, vez por outra criamos ilusões.

Algumas mantemos por anos, outras desfazemos rapidamente como um castelo erguido na areia. Mas, tanto numa quanto noutra situação, sempre temos uma lição capaz de nos tornar um pouco mais experientes e previdentes.

Há ocasiões em que criamos ilusões acerca de nós mesmos e elas aparecem quando: julgamo-nos insubstituíveis; acreditamos ter muito para ensinar e pouco para aprender; cremos que a nossa religião, orientação sexual, nacionalidade e visão de mundo são superiores; não achamos possível equivocar-nos sobre assunto algum; sentimo-nos incompreendidos por todos, especialmente pelos que nos criticam.

Sempre poderemos despertar, perceber a extensão do autoengano criado por uma pretensão de autossuficiência gerada pelo nosso próprio ego.

Iludidos com alguém, por alguém ou por nós mesmos, ao acordar do sono que nos pôs uma venda nos olhos, precisaremos seguir em frente. E se conseguirmos fazer tal percurso sem culpar os outros e muito menos a nós próprios, estaremos dando um passo importante para nos libertar e viver com menos ilusões.

Portanto, não tema as desilusões, tenha cuidado sim, com as ilusões.

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